Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Nas mãos do oleiro: A melhor parte não lhe será tirada

Nas mãos do oleiro: A melhor parte não lhe será tirada

ImagemCristo, Marta e Maria | Friederich Overbeck

Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-o em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 
Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». 
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». (João 11, 19-27, Evangelho de 29.7.2016)

Jesus saboreou na sua vida o calor de amizades profundas e sinceras. «Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã e de Lázaro», testemunha o Evangelho de João (11, 5). O Evangelho de hoje narra-nos uma das muitas estadias que Jesus fez na sua casa de Betânia, onde a par do acolhimento repleto de amor e ternura de Marta encontra também a escuta atenta e "pródiga" de Maria.

Jesus não reprova a Marta o seu serviço, mas sobretudo não o fazer com alegria e não deixar espaço a uma pluralidade de formas possíveis para acolher e honrar os próprios amigos. Aquilo que podia ser, através de um serviço livre e gratuito, uma expressão da alegria pela visita do amigo, torna-se, em vez disso, motivo de lamento e reclamação para com a irmã.

Jesus não louva em Maria o não ajudar a irmã, mas o primado que ela dá à escuta do amigo, o estar totalmente tomada pelo amigo mais do que muito fazer. A diferença entre as duas irmãs não está no facto de uma fazer e outra escutar, mas sobretudo em que uma é motivada pelo sentido do dever enquanto a outra pela alegria da presença do amigo.

«O amigo do esposo, que está ao seu lado e o escuta, sente muita alegria com a voz do esposo», diz João Batista (João 3, 29): Maria inebria-se com esta alegria, imerge tanto na escuta de Jesus que nada nem ninguém consegue afastar.

Tanto Marta como Maria oferecem-se totalmente a Jesus, o próprio tempo e o próprio corpo, mas em Maria emerge uma capacidade maior de se abandonar ao excesso de amor narrado no Evangelho, nesse seu estar em escuta assídua do Mestre, noutro lado narrado no derramar com amor e prodigalidade um precioso perfume nos pés do amigo que pela última vez as visitará antes de subir a Jerusalém (cf. João 12, 1-7): em ambos os casos Maria suscitará, por um lado, a aprovação de Jesus, e por outro o murmúrio e a insatisfação de quem este excesso não compreende.

Esta é a bem-aventurança da amizade que hoje festejamos: rejubilar pela presença do amigo e amá-lo abundantemente, sem cálculo nem medida, com uma atenção e uma ternura que se bastam a si próprias e bastam a quem as vive.

Outras leituras do dia: Jeremias 26, 1-9 / 1 Jo 4, 7-16 (apropriada); Salmo 68 (69), 5. 8-10. 14

 

Santo do dia: Marta de Betânia

Ativos, distraídos, sempre a correr de cá para lá: ontem, na Jornada Mundial da Juventude, o papa Francisco indicou as características que hoje nos tornam todos semelhantes a Marta de Betânia.

Com a irmã Maria (e com o irmão Lázaro) acolha Jesus na sua casa, mas o Evangelho descreve-a ocupada. A irmã, ao contrário, detém-se na escuta do Senhor.

A narrativa é habitualmente lida como uma advertência a não se deixar absorver pelas questões materiais, mas ontem o papa ofereceu também outra interpretação: o encontro entre Marta e Jesus é exemplo de como Deus entra nas nossas ocupações e preocupações do dia a dia, fazendo-se um companheiro pronto a oferecer palavras de esperança e apontar o essencial.

 

Ir. Ilaria/Monastero de Bose (meditação), Matteo Liut/Avvenire, santo do dia
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 29.07.2016

 

 
«Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte»
A diferença entre as duas irmãs não está no facto de uma fazer e outra escutar, mas sobretudo em que uma é motivada pelo sentido do dever enquanto a outra pela alegria da presença do amigo
Ativos, distraídos, sempre a correr de cá para lá: ontem, na Jornada Mundial da Juventude, o papa Francisco indicou as características que hoje nos tornam todos semelhantes a Marta de Betânia.
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos