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Clero, leigos e laicos subscrevem apelo às televisões para «regulação ética» de debates sobre desporto

O bispo D. Carlos Azevedo, delegado do Conselho Pontifício da Cultura, é um dos signatários de um «apelo às emissoras televisivas» para que «criem mecanismos de regulação ética» dos programas dedicados à análise de modalidades desportivas.

«Nos últimos anos temos assistido a um desvirtuar total do desporto enquanto actividade de valores, de humanismo. A luta de palavras invadiu a normalidade dos noticiários e as agressões verbais tornaram-se a norma num ecossistema que parece alimentar-se dessa mesma violência», começa por referir o documento, enviado hoje ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A iniciativa é promovida pelos professores universitários Paulo Mendes Pinto e José Eduardo Franco, a deputada Catarina Marcelino, a jornalista e escritora Patrícia Reis, o músico Pedro Abrunhosa e o ativista António Serzedelo.

«Abarcando cada vez mais espaço nas mentalidades, os programas de comentário desportivo levam, muitas vezes, ao limite do inimaginável o prazer do azedume, da acusação, da maledicência. É a prática constante de uma violência verbal que alimenta essa voragem em que cada vez mais cidadãos se encontram, fechados nesse clima de intriga, ruminando um ódio que pode eclodir a qualquer momento», aponta o texto.

O apelo subscrito pelo frade franciscano capuchinho Fernando Ventura, o padre jesuíta José Maria Brito, o jornalista Francisco Sarsfield Cabral, distinguido com o prémio Àrvore da Vida-Padre Manuel Antunes, atribuído pela Igreja católica, e o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, entre outros, sublinha que «muitos jovens» sorvem «uma cultura que gera o ódio, que incita à violência e que desagrega a sociedade como um espaço de fraternidade e de paz».

O texto aponta referências quer aos factos ocorridos «nos últimos dias» - a "invasão" da academia de futebol do Sporting, em Alcochete, na semana passada - quer a acontecimentos passados «nos últimos anos».

Jornalistas, escritores, médicos e autarcas concordam que «é preciso restituir dignidade aos telespectadores» e lançam «um apelo aos canais televisivos para que criem mecanismos de regulação ética» que enquadrem esses debates e «reduzam o tempo de exposição das dimensões colaterais ao futebol».

Dessa maneira, conclui o apelo, fomentar-se-á «uma cultura de respeito e de tolerância, sendo esses programas instrumentos de diálogo e de compreensão através do debate livre, e não ferramentas de disseminação do ódio em que parte do país se acha mergulhado, moldando mentalidades».

Alexandre Castro Caldas (médico), Alexandre Honrado (escritor), Anabela Mota Ribeiro (jornalista), Annabela Rita (diretora da Associação Portuguesa de Escritores), Carlos Fiolhais (professor), Elísio Summavielle (presidente do Centro Cultural de Belém), Fernanda Câncio (jornalista), Fernando Pereira (cantor), Graça Morais (pintora), Joaquim Franco (jornalista), José Vera Jardim (jurista), Manuel Sérgio (provedor de Ética no Desporto), Manuel Vilas Boas (jornalista), Mendo Castro Henriques (professor), Nuno Camarneiro (escritor), Nuno Júdice (poeta) e Richard Zimler (escritor) são alguns dos subscritores.


 

SNPC
Imagem: vverve/Bigstock.com
Publicado em 24.05.2018

 

 
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