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7.ª Jornada da Pastoral da Cultura

Elogio da Fraternidade

A jornada nacional da Pastoral da Cultura (que ocorre no dia 17, em Fátima) vai ocupar-se da Fraternidade. Nos últimos três anos, e no contexto das comemorações do centenário da República, a proposta da Pastoral da Cultura foi refletir os três eixos que emergiram da Revolução Francesa (embora com um lastro muito anterior e do qual o cristianismo, de maneira alguma pode ser considerado ausente): Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

A abordagem de cada um destes três pólos fez-se sob a forma de “elogio”, o que não quer dizer que não se sondaram limites, paradoxos e mutações, sobretudo quando se observa a sua aplicação na nossa atualidade. O esforço tem sido sempre o de ensaiar uma compreensão cultural daqueles tópicos fundamentais.

Na presente estação é a Fraternidade que se procurará iluminar. Num texto recente, D. Manuel Clemente, Presidente da Comissão Episcopal onde a Pastoral da Cultura está inscrita, sinalizava algumas peculiaridades deste tópico: «não é espontânea, a fraternidade, nem pela lei nem pelo espírito. A legislação incidirá na liberdade cívica e na igualdade política e social, ao menos no capítulo das oportunidades. Mas ninguém nos pode "obrigar" a sentir o outro como irmão, ou a nós mesmos como irmãos dos outros, de todos e de cada um dos outros».

Contudo, também ele recorda que a Fraternidade constitui um desafio cultural de primeira grandeza. De facto, a cultura não pode ser apenas a gestão do minimalismo ético: ela própria precisa de metas humanas amplas, comprometidas com a generosidade da entrega e do dom, se quiser corresponder às aspirações profundas que ela representa. A cultura não se reduz a um parque temático de avulsas diversões, mas tem a tarefa de rasgar horizontes de humanização e de futuro. É aí que precisamente a Fraternidade entra.

No dia 17, em Fátima, cruzar-se-ão saberes (da história à arquitetura; das políticas sociais à narrativa e ao cinema), mas sobretudo vozes e rostos que não desistem de pensar com rasgo o que a cultura portuguesa pode ser.

 

José Tolentino Mendonça
In Página 1
04.06.11

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