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Nas mãos do oleiro: Entre João e Herodes, quem queremos imitar?

Nas mãos do oleiro: Entre João e Herodes, quem queremos imitar?

ImagemJoão Batista criticando Herodes | Giovanni Fattori

Naquele tempo, o tetrarca Herodes ouviu falar da fama de Jesus e disse aos seus familiares: «Esse homem é João Batista que ressuscitou dos mortos. Por isso é que nele se exercem tais poderes miraculosos».
De facto, Herodes tinha mandado prender João e algemá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Porque João dizia constantemente a Herodes: «Não te é permitido tê-la por mulher». E embora quisesse dar-lhe a morte, tinha receio da multidão, que o considerava como profeta.
Ocorreu entretanto o aniversário de Herodes e a filha de Herodíades dançou diante dos convidados. Agradou de tal maneira a Herodes, que este lhe prometeu com juramento dar-lhe o que ela pedisse. Instigada pela mãe, ela respondeu: «Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Batista».
O rei ficou consternado, mas por causa do juramento e dos convidados, ordenou que lha dessem e mandou decapitar João no cárcere. A cabeça foi trazida num prato e entregue à jovem, que a levou a sua mãe.
Os discípulos de João vieram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura. Depois foram dar a notícia a Jesus. (Mateus 14, 1-12, Evangelho de 30.7.2016)

A hostilidade e a perseguição violenta em relação a João preanunciam o destino do Filho do Homem: também Jesus será hostilizado e morto pela autoridade política.

Mas vejamos mais de perto as duas figuras de João Batista e do tetrarca Herodes. Eis dois homens cujas existências se contrapõem e cujas atitudes nos interpelam sobre o que podemos escolher para a nossa vida.

João Batista define-se em relação ao serviço que realiza: o batismo para a conversão dos pecados; Herodes é chamado tendo por base o papel político, tetrarca, isto, soberano dominante sobre a Galileia e Pereia.

No primeiro é sublinhada a determinação de quem é fiel à própria consciência e com liberdade denuncia o erro de uma ligação: viver uma relação conjugal com a mulher do irmão é considerado no judaísmo uma repugnante impureza.

Em Herodes emerge um homem que se esconde por trás do próprio papel. Ele teme a multidão, que reputa João de profeta; é refém da intriga urdida por uma mulher, Herodíades; atento à aprovação dos comensais, prefere manter um juramento pronunciado com ligeireza e dar a morte a um homem; por fim, está aterrorizado pela fama repentina de Jesus, que arrisca ameaçar e obscurecer a sua própria.

Herodes é a cana batida pelo vento, homem revestido de suaves vestes que habita num palácio real, circundado pela segurança de uma corte mas fechado na própria esterilidade interior.

Dele Jesus tinha falado, contrapondo-o à figura de João, o profeta, vestido de peles de camelo, habitual habitante de lugares desertos, atento à voz de Deus que fala no profundo do coração e que o chama a tornar-se voz que grita: «Convertei-vos porque o Reino dos Céus está próximo».

E nós, o que queremos imitar?

A incoerência dos poderosos que não agem por convicção profunda mas por capricho (Herodíades) ou por medo (Herodes)? A astúcia e a intriga como instrumentos para obter a todo o custo o que se pretende? Herodíades chega ao poder tirando vantagem da sedução e com a mesma arma urde a condenação à morte de João; ou ainda a prepotência de quem se arroga o direito de determinar a vida ou a morte de um semelhante?

Se algo de tudo isto nos está próximo, não percamos a esperança. Cristo libertou-nos para nos tornar homens e mulheres livres. Nele podemos mudar e dar frutos dignos de conversão.

Jeremias 26, 11-16.24; Salmo 68 (69), 15-16.30-31.33-34

 

Santo do dia: Pedro Crisólogo

Pastor e pensador, guia segura num momento de desorientação perante os fortes abalos que insidiavam o que permanecia da antiga civilização latina imperial. A figura de S. Pedro Crisólogo continua atual pela sua capacidade de incarnar a fé no coração da história.

Foi consagrado bispo de Ravena pelo papa Sisto III em 433, num momento em que na cidade adriática se cruzavam como nunca Ocidente e Oriente.

"Crisólogo" significa literalmente "das palavras de ouro", e assim era, como emerge dos 180 sermões que chegaram até nós. Diante da disputa sobre as duas naturezas de Cristo, um dos temas doutrinais mais acesos naquele tempo, a sua voz elevou-se para apelar a manter a escuta do sucessor de Pedro, chamando assim todos à unidade. Morreu cerca do ano 450.

 

Ir. Lara/Monastero de Bose (meditação), Matteo Liut/Avvenire, santo do dia
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 30.07.2016

 

 
Ocorreu o aniversário de Herodes e a filha de Herodíades dançou diante dos convidados. Agradou de tal maneira a Herodes, que este lhe prometeu com juramento dar-lhe o que ela pedisse. Instigada pela mãe, ela respondeu: «Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Batista»
Herodes é aquela cana batida pelo vento, homem revestido de suaves vestes que habita num palácio real, circundado pela segurança de uma corte mas fechado na própria esterilidade interior
E nós, o que queremos imitar? A incoerência dos poderosos que não agem por convicção profunda mas por capricho (Herodíades) ou por medo (Herodes)? A astúcia e a intriga como instrumentos para obter a todo o custo o que se pretende?
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