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Francisco e Jacinta canonizados pelo papa a 13 de maio, em Fátima: Porque é que Deus os escolheu?

Francisco e Jacinta canonizados pelo papa a 13 de maio, em Fátima: Porque é que Deus os escolheu?

Imagem D.R.

Será que escolheríamos o Francisco e a Jacinta, duas crianças sem qualquer formação e até com alguns defeitos? Sejamos francos: provavelmente não. Então, por que é que esta escolha agradou tanto a Deus, mais do que qualquer outra, fossem eles mais velhos ou mais novos?

É preciso dizer que, desde sempre, Deus tem uma predileção pelos pastores, sempre em contacto com as maravilhas da criação, com o silêncio e o recolhimento propícios à intimidade dos colóquios celestes. Pensemos em Abel, Moisés, David, nos pastores de Belém, os primeiros a quem um anjo anunciou o nascimento do Salvador. O Francisco e a Jacinta, que também eram pastores, inscrevem-se naturalmente nesta linhagem das mais antigas, e genuinamente bíblica.

Deus tem uma predileção: as crianças. Porque são novas e estão mais próximas da sua origem divina e do seu Criador, do qual ainda trazem bem visíveis as marcas divinas: a frescura e pureza da alma, a inocência e a capacidade de se espantar, a disponibilidade até à doação total de si mesmos, a confiança corajosa. Mas eles trazem, ao mesmo tempo, a marca da fragilidade de não serem levados em conta para nada e a vulnerabilidade de serem indefesos até diante do mal e do sofrimento. Deus ama de tal modo as criancinhas que escolheu tornar-se Ele mesmo a Criança de Nazaré.

Se Deus escolheu o Francisco e a Jacinta, foi também por uma terceira razão: a sua predileção por corações puros que são sempre corações humildes e transbordantes de amor.

Estas três virtudes, aliás, são as mais específicas e notáveis em Nossa Senhora, como sublinhou Bento XVI, quando rezou diante dela na Capelinha das Aparições: «Preservai-nos com a vossa pureza, resguardai-nos com a vossa humildade e envolvei-nos com o vosso amor materno» (12 de maio de 2010).

Como é que Deus não haveria de ficar radiante com estas crianças de coração tão puro e afetuoso, sendo, como foram, estas as virtudes mais características do Francisco e da Jacinta? A Irmã Lúcia explica: «Mas Deus opera ao contrário dos homens, escolhe o que não serve para dele se servir. O que quer é corações puros. É a esses que o Senhor se comunica, se manifesta, e para transformá-los segundo os planos da sua misericórdia.

Assim, o Senhor mostra que a obra é sua, e não dos fracos instrumentos que escolheu; para Deus, basta que esses instrumentos se deixem moldar, transformar e mover pela graça que neles atua, gravando nesses seus corações inocentes e puros os reflexos da sua presença, os toques da sua graça e os impulsos do seu amor. Tudo é obra sua. Ele é o artista que desenha e pinta esse belo quadro que todo o mundo vê, observa e contempla maravilhado, uns com fé, outros sem ela, mas sem poder negar – com boa consciência – a realidade que está patente e que os nossos olhos veem, e que é mais uma prova da existência de um único Deus verdadeiro». (...)



O maior milagre de Fátima

«Estas crianças não param de nos espantar. O seu exemplo é mais atual do que nunca. De facto, a Jacinta consumiu-se de amor pelas almas, com toda a vivacidade da sua meninice, que fez dela uma criança tão cativante. Ela deixou o seu coração falar, quer dizer, o amor, sem o qual a Verdade não se acende. O lado impetuoso da sua maneira de falar fez com que esta criança, com apenas sete anos de idade, fosse ouvida e respeitada, inclusivamente pelos adultos. Isto para referir a força excecional do seu carácter e do seu testemunho. Vendo-a e ouvindo-a, sentia-se a presença de Deus.

Quanto ao Francisco, o seu ardor foi todo interior, porque vivia de Jesus escondido, ardendo no fundo do seu coração. Impressionava pela sua serenidade e unidade interior. Ele indica o caminho aos jovens que desejam evangelizar pela oração, sem ostentação, com esta eficácia, graças ao exemplo invisível da oração e do sacrifício, graças à fidelidade nas ações do quotidiano ou ainda graças ao lado positivo de uma recusa (de uma ocasião de pecado, por exemplo), que é mais meritório que um sim de complacência enganosa!

Este é o grande milagre, o maior milagre de Fátima: duas crianças que, melhor do que muitos, responderam plenamente ao apelo que receberam, e a todos dão razões de esperança» (Bernard Balayn, "Les bergers de l’aurore. Les jeunes voyants de Fatima", 1994).



Duas figuras fascinantes para o mundo inteiro

O congresso internacional que teve lugar em Fátima em 2007, por ocasião do 90.º aniversário da última aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, foi encerrado com uma das mais belas intervenções, a do cardeal José Saraiva Martins. Retenhamos estas palavras particularmente fortes:

«Os dois pastorinhos são um dom singular à Igreja e ao mundo, antes de mais devido à sua santidade, que faz deles duas figuras extraordinárias do cristianismo contemporâneo. Duas figuras particularmente fascinantes para os fiéis do mundo inteiro, que recorrem a eles com um grande amor e uma imensa confiança na sua poderosa intercessão. O encanto da santidade destas duas crianças advém das suas próprias características. Os santos são todos diferentes. Nenhum se repete. Qual é então a mensagem que Deus nos quer transmitir através da sua vida e espiritualidade? A resposta pode resumir-se a quatro pontos: a sua fé concreta e existencial, o seu zelo pela conversão dos pecadores, a sua intensa vida eucarística e o seu amor à oração, nomeadamente ao Rosário. Por tudo isso, eles mostram-nos o caminho a seguir, hoje, para construir um mundo novo e mais humano, onde reine a paz, aquela paz pela qual eles tanto rezaram».



 

Jean-François de Louvencourt
In Dia a dia com Francisco e Jacinta de Fátima, ed. Paulinas
Publicado em 20.04.2017

 

 
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