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Espiritualidade e pastoral

A fronteira é linha do fim ou do começo? (2)

Ninguém realmente sabe o que é uma mulher, um homem, um crente, uma árvore, uma palavra, um silêncio. E se aceitamos que não sabemos, temos de tirar uma ilação: trocar o conhecimento pela negociação.

O que eu vejo neste momento é uma etapa, uma estação, um instante. O enigma, como a fronteira, não é o limite mas a possibilidade. Por isso aquele não se desfaz, nem pela racionalidade – o coração tem razões que a razão desconhece.

É preciso contrariar o mito da fusão. Há o desejo de uma equivalência e reciprocidade sem ângulos, fissuras e agastes. Isso não existe. A afetividade torna-se fecunda quando abraça a pergunta. A técnica, o consumismo e a fé não abolem o enigma.

Aceitar que não vou construir aqui uma casa de pedra. Aceitar a espiritualidade do provisório da pobreza. Partir da incerteza, na confiança, dando valor aos pequenos passos.

Segunda parte da intervenção do padre José Tolentino Mendonça na conferência “A fronteira é linha do fim ou do começo?”, realizada a 14 de maio de 2011 em Lisboa (Monjas Dominicanas do Lumiar).

 

 

 

© SNPC | 15.06.11

FotoJosé Tolentino Mendonça
Foto: RM/SNPC

 

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