Pintura
Graça Morais
Maria da Graça Pinto de Almeida Morais, filha de Jaime Morais e Alda Pinto, nasceu a 17 de março de 1948, em Vieiro, no distrito de Bragança.
Graça Morais, como é conhecida, ingressou na Escola Primária em 1954, com a idade de seis anos. Em 1956 parte para Moçambique onde, segundo a própria, fez as primeiras amigas e o pai lhe deu a primeira caixa de aguarelas. Mas dada a resistência de sua mãe ao clima moçambicano voltou para Vieiro em 1958, e no ano seguinte passou a frequentar o colégio de Vila Flor.
No ano de 1961 ingressou no liceu de Bragança, onde continua a crescer o seu gosto e dedicação à pintura. Em 1963 com 15 anos, dedica-se à pintura a óleo mas ainda ao nível da imitação. É nessa altura que passa a pertencer à Juventude Estudantil Católica (JEC).
Nos últimos anos do liceu, entre 1964 e 1965, Graça Morais é redatora de “O Mensageiro de Bragança” e inicia-se no traço a carvão, material que nunca deixará de utilizar. Ao mesmo tempo começa a delinear-se no seu espírito a obstinada escolha pelas Belas-Artes. Em 1966 é admitida na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
O ambiente universitário não lhe agradava especialmente. Isolava-se para ler e desenhar. Até ao 4.º ano é no realismo de Chagall que Graça Morais se inspira para pintar, mas também colhe inspiração na expressividade de Van Gogh. Em 1970 fez a sua primeira viagem ao estrangeiro, passando por Londres, Amesterdão e Paris. Neste périplo, como conta, teve o primeiro contacto a sério com obras de arte e descobre a pintura de Francis Bacon.
Concluiu o curso de pintura em 1971, tendo feito a exposição de avaliação do 5º ano na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Neste mesmo ano casa com o pintor Jaime Silva e torna-se professora da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto.
Em 1972 muda-se para Guimarães, começando a trabalhar com crianças. Participa na primeira exposição de “Jovens Artistas” (Porto/Lisboa) e em algumas coletivas, como a Bienal de Jovens Artistas da Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão. Dois anos depois nasce a sua filha Joana e realiza a primeira exposição individual no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães.

O ano de 1975 vê nascer o grupo “Puzzle”, constituído por Albuquerque Mendes, Armando Azevedo, Carlos Carreiro, Dario Alves, Graça Morais, Jaime Silva, João Dixo, Pedro Rocha e Pinto Coelho. «O Puzzle» preconizava uma intervenção onde se destacasse a reflexão crítica e polémica sobre a realidade, social e política também, mas primeiro pessoal e humana, como refere Mega Ferreira na biografia que escreve sobre Graça Morais (INCM). Ainda neste ano a artista transmontana participa nos dois Encontros Internacionais de Arte, em Viana do Castelo.
Recebe em outubro de 1976 uma bolsa da Fundação Gulbenkian para trabalhar em Paris, onde permaneceu dois anos com o marido e a filha. É lá que encontra Francis Bacon e conhece Arroyo e Rancillac. Visita as exposições de Picasso, Cézanne e Matisse. Expõe em diversas coletivas. De maio a junho de 1978 realiza uma mostra individual no Centro Cultural Português. Da exposição constam 19 óleos e 11 desenhos que introduzem na sua obra o tema da caça.
Regressa a Portugal em 1979, mas em Lisboa, onde escolhe viver, depara-se com dificuldades para arranjar um espaço de trabalho. No ano seguinte, expõe “O Rosto e os Frutos”, na Sociedade Nacional das Belas Artes (SNBA), na capital, e depois na Árvore, no Porto. Já em 1981, volta a Vieiro, onde passa a residir e a trabalhar. Neste mesmo ano realiza uma exposição individual na Galeria Roma e Pavia, no Porto. É uma das convidadas para a Bienal Internacional de Desenho, em Lisboa, que foi destruída por um incêndio.
Em 1982, Graça Morais visita a Westkunst em Colónia, Kassel e a Bienal de Veneza. Recebe o 2º Prémio na Bienal de Lagos e realiza uma série de desenhos de cães. Em 1983, expõe na 111, em Lisboa, um conjunto de 35 desenhos e 12 pinturas. Expõe ainda no Museu do Abade de Baçal, em Bragança. Participa na Bienal de São Paulo e é premiada na 1.ª Exposição Nacional de Desenho, Árvore, Porto. Tem início a relação profissional com o galerista Manuel de Brito, que adquiriu muitos dos quadros da autora.
Em 1984 participou na exposição «Onze Jovens Pintores Portugueses», no Instituto Alemão. Expôs durante uma semana na SNBA os seus últimos trabalhos destinados a uma exposição em São Paulo no Museu de Arte Moderna. Em 1985, realiza uma exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Nesta cidade assiste maravilhada ao Carnaval do Rio.
Por convite do Embaixador de Portugal desloca-se em 1988 a Cabo Verde, ilha que a deslumbrou e onde fundou a primeira editora independente, a “Ilhéu Editora”. No ano de 1989 expôs o resultado da sua visita ao arquipélago no Centro Cultural Português, na Cidade da Praia e no Mindelo. Em 1991 recebe o prémio Soctip – Artista do Ano e realizao painel de azulejos para o novo edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Visita o Japão em 1992, cujo diário pintado foi publicado no ano seguinte com textos de Jorge Borges e Alberto Vaz da Silva. Já em 1997 organiza uma exposição antológica, “Memória da Terra, Retrato de Mulher”, na Culturgest, em Lisboa, e no Museu Soares dos Reis, no Porto. Inaugura um painel de azulejos na estação do Metro de Moscovo. Neste mesmo ano foi editado o livro “Graça Morais”, com textos de Vasco Graça Moura e de Sílvia Chico, pela Quetzal-Galeria 111.
Em 2000 Graça Morais expõe a série “Terra Quente – Fim do Milénio”, na 111, em Lisboa. Nesse ano, Joana Morais realiza um documentário dedicado à sua mãe, o seu primeiro, intitulado “Na Cabeça de uma Mulher está a história de uma Aldeia”. No ano de 2003, Graça Morais realizou a exposição “A Terra e o Tempo” no Museu da República Arlindo Vicente, em Aveiro. Na mesma ocasião teve lugar a edição do livro “A Terra e o Tempo”, pintura e desenho da autora, de 1987 a 2003, pela Câmara Municipal de Aveiro.

Em 2008, realizou-se a exposição «Graça Morais na Coleção da Fundação Paço d’Arcos – Pintura, desenho e azulejo (1982-2006), na Galeria do Palácio, Biblioteca Municipal Almeida Garret, Porto. A sua última participação teve lugar na exposição “Arte e Peregrinação” na Fundação Museu Oriente que decorreu de 4 de fevereiro a 27 de março de 2011.
Graça Morais reside e trabalha entre a cidade de Lisboa e a aldeia de Vieiro.
L. Oliveira Marques
© SNPC |
20.06.11







