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Dicionário das Escrituras

Explicou-lhes, em todas as Escrituras,
tudo o que lhe dizia respeito (Lc 24, 27)

Alef
Primeira letra do alfabeto hebraico, representada por «’»; o som de tipo gutural não tem correspondência nos nossos alfabetos.

 

Aldeia
Termo raro no Antigo Testamento. São geralmente chamadas “filhas” de uma cidade grande, que por definição é uma comunidade circundada por muros. Na Palestina antiga e moderna, os camponeses moram e pequenas comunidades de aldeias circundadas pelas terras que cultivam. Estas terras podiam ser tão grandes como uma cidade, mas não tinham recinto fortificado. Eram organizadas em famílias e clãs, dirigidas pelos seus anciãos. O agrupamento de famílias em aldeias era necessário para garantir a protecção; além disso, é improvável que a aldeia tivesse mais do que uma fonte, ao redor da qual as casas eram construídas. No tempo de guerra, os habitantes mudavam para a cidade fortificada mais próxima. É provável que a maior parte da população do antigo Israel morasse em aldeias.

 

Alcimo
Chefe da facção helenizante dos hebreus no período dos macabeus. Foi confirmado como sumo sacerdote por Demétrio I em 159 a.C. Pouco depois da sua chegada, mandou assassinar sessenta hassideus que foram ao seu encontro para estabelecer negociações de paz (1 Macabeus 7,5 ss.). Quando tentava derrubar o muro do pátio interno do Templo, Alcimo foi foi atingido por uma paralisia e morreu (1 Macabeus 9,55 ss).

 

Alabastro
Do grego «alabastron», “sem asas”.
O termo refere-se muito mais ao tipo de frasco do que ao material de que é feito. Em toda a Bíblia, aparece somente em Mateus 26,7. Marcos 14,3 e Lucas 7,37, no relato da mulher que leva um frasco de alabastro, cheio de perfume, para ungir a cabeça de Jesus.
No uso helenístico e romano, o termo referia-se a qualquer frasco, de qualquer material, sem asas, contendo perfume. Para usar o seu conteúdo, quebrava-se o gargalo do frasco, como no episódio evangélico.
Na Antiguidade, o alabastro só era extraído no Egipto. Os frascos transparentes de alabastro, usados sobretudo para cosméticos e perfumes, encontrados na Palestina, provêm quase sempre de estratos pré-israelitas e constituíam produtos de luxo.

 

Aío
Filho de Abinadab e irmão de Oza, com o qual transportou a arca da casa de Abinadab a Jerusalém (2 Samuel 6,3 ss.). O nome é atribuído a outras duas pessoas no Antigo Testamento.

 

Ain
Décima sexta letra do alfabeto hebraico. O som, cuja grafia é «c», não é percebido nas línguas modernas. Seria semelhante ao «g» pronunciado guturalmente.

 

Aías
“Irmão de Iahweh”
profeta de Silo, que estimulou Jeroboão a rebelar-se contra Salomão, prometendo-lhe que dez tribos o seguiriam (1 Reis 11,29 ss.). Como gesto simbólico para enfatizar a sua predição, rasgou o seu manto novo em doze pedaços, dando dez a Jeroboão. aías representava os grupos proféticos revoltados devido ao descontentamento pelo laxismo religioso de Salomão e do descontentamento popular pelo absolutismo do rei. A revolta só viria a ocorrer depois da morte Salomão. Aías percebeu então que, religiosamente, Jeroboão não era melhor do que Salomão. Quando o filho de Jeroboão ficou doente, a mãe foi pedir um oráculo a Aías, que predisse o fim violento da casa de Jeroboão (1 Reis 14,1 ss.).
O nome de Aías é atribuído a outras oito pessoas no Antigo Testamento.

 

Aialon
Cena da vitória de Josué sobre os reis confederados, facto que é recordado no hino de vitória de Josué 10,12. Depois da ocupação israelita da terra de Canaã, a cidade foi habitada pelos amorreus (Juízes 1,35). Aparece citada como cidade de Dan. O território foi abandonado por Dan quando a tribo emigrou para o Norte.
Aialon também é referida como cidade levítica de Efraim (1 Crónicas 6,54) e como cidade levítica de Benjamim (1 Crónicas 8,13); é bastante provável que tenha pertencido a esta última tribo durante a maior parte da sua história.
1 Crónicas 8,13 narra a vitória dos homens de Aialon sobre os habitantes de Gat.
Aialon também é citada na vitória de Saul sobre os filisteus (1 Samuel 14,31), aparecendo como o extremo Oeste da conquista israelita.
Foi fortificada por Roboão (2 Crónicas 11,10) e depois conquistada pelos filisteus durante o reinado de Acaz (2 Crónicas 28,18).
O vale de Aialon representa um dos caminhos mais importantes entre a planície costeira e as montanhas centrais.
Outra Aialon, na terra de Zabulão, foi o local de sepultamento do juiz menor Elon. Neste caso, talvez se deva ler Elon, e não Aialon (Juízes 12,12).

Imagens

Mapa topogáfico de Israel e localização aproximada de Aialon

 

Agur
Filho de Jaqué, o sábio, a quem é atribuída a colecção de textos de Provérbios 30,1-33.

 

Aguilhão
Vara de madeira com alguns metros de comprimento, às vezes com ponta de ferro, com a qual o lavrador podia tanger o animal. Podia, assim, ser empregado como arma (Juízes 3,31).
Os filisteus mantinham o monopólio dos artefactos de ferro, forçando os hebreus a comprar deles aguilhões e outras ferramentas (1 Samuel 13,21).
Metaforicamente, as palavras dos sábios são como aguilhoadas (Eclesiastes 12,11).
“Aguilhão” é usado metaforicamente no Novo Testamento. Paulo relata que na visão da estrada para Damasco, Jesus dissera-lhe que é difícil recalcitrar contra o aguilhão (Actos 26,14). Esta é uma expressão proverbial grega comum, que não se encontra na literatura semítica. Não ocorre tampouco nos outros relatos da visão. Por isso pensa-se que a frase é colocada na boca de Jesus por Paulo ou por Lucas.
O termo também significa o ferrão do escorpião ou de um insecto, sendo usado neste sentido, metaforicamente, em 1 Coríntios 15,55, numa citação de Oseias 13,14. O aguilhão da morte, aqui, é provavelmente o pecado. Com a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte perdeu o seu poder de causar dano.

 

Águia
Os termos hebraicos não distinguem claramente a águia do abutre. Na Palestina há quatro espécies de abutres e diversas espécies de águias. A águia dourada e a águia real são comuns.
A águia constrói o seu ninho sobre as rochas (Job 39,27-30). Aqueles que raspam a cabeça em sinal de luto ficam calvos como a águia (Miqueias 1,16). Iahweh carrega os israelitas em asas de águia (Êxodo 19,4; Deuteronómio 32,11).
O voo da águia constitui uma figura comum para indicar a rapidez, sobretudo de um ataque inimigo (Deuteronómio 28,49; Provérbios 23,5; Job 9,26; Lamentações 4,19; Jeremias 4,13; 48,40; 49,22; Habacuc 1,8).
Saul e Jónatas assemelham-se à águia (2 Samuel 1,23), como Nabucadonosor e o faraó (Ezequiel 17,3.7).
O percurso da águia no céu é uma das quatro coisas que o sábio não consegue compreender, pois não deixa traços (Provérbios 30,19).
A fábula da águia que se renova (a fénix) era conhecida dos israelitas (Salmo 103,5; Isaías 40,31). Ciro é comparado à águia (Isaías 46,11): neste caso, é improvável que se pretenda fazer a antipática comparação com o abutre.
O termo grego aetos também apresenta uma ambiguidade entre águia e abutre. Em Mateus 24,28 e Lucas 17,37, trata-se provavelmente do abutre.
Os querubins de Ezequiel 1,10 e 10,14 têm o comportamento da águia, reflectindo-se em Apocalipse 4,7. Uma águia em Voo anuncia desgraças (Apocalipse 8,13) e a mulher que voa é levada à salvação nas asas de uma águia (Apocalipse 12,14).

 

Água
A precipitação média de chuva na Palestina é suficiente para a agricultura, mas o país tem falta de rios, de correntes de água perene e de lagos, sendo, por isso, mais árido do que a Europa ou a maior parte das Américas. A estepe e o deserto são realidades próximas.
Daí a Bíblia demonstrar uma clara consciência do valor da água para a vida, e das terríveis consequências da sua falta. As imagens bíblicas são ricas em símbolos tirados da água.
A água é assegurada pelos poços e nascentes, ou pela conservação da água da chuva em cisternas. A Bíblia menciona muitas cisternas situadas em diversas cidades: Guibeon (2 Samuel 2,12), Hebron (2 Samuel 4,12), Samaria (1 Reis 22,38), Jerusalém (Isaías 7,3; 22,9.11; 36,2; Neemias 2,14; João 5,2-4; 9,7.11).
A arqueologia descobriu uma quantidade de complexas instalações hidráulicas para a canalização e o depósito de água, proveniente de fontes, poços ou da chuva. A água era vendida nas ruas da antiga Jerusalém (Isaías 55,1), como acontece ainda hoje nas cidades do Médio Oriente.
Os direitos sobre a água foram muitas vezes ocasião de litígios, e podiam ser conseguidos mediante pagamento (Números 20,19).
Devido à escassez, a cortesia exigia que se desse de beber ao vajante sedento, mesmo que fosse preciso tirá-la de um poço profundo (Génesis 24,17; Job 22,7; saías 32,6; Mateus 10,42; 25,42; Marcos 9,41; Lucas 744; João 4,7).
A qualidade refrescante da água não é ignorada pelo poeta (Salmo 23,2; 42,2; Provérbios 25,25).
A “água viva”, isto é, a água de poço ou de fonte ou de corrente era referida à das piscinas ou cisternas.
Tirar a água é um serviço da mulher (Génesis 24,11; 1 Samuel 9,11; João 4,7), como se nota ainda hoje nas cidades e aldeias do Médio Oriente. Por isso se compreende a indicação de Jesus, segundo a qual os seus discípulos devem procurar um homem levando uma bilha de água (Marcos 14,14; Lucas 22,10).

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Jesus e a samaritana junto ao poço (Benedetto da Maiano)

A água é usada nas abluções cultuais; é o elemento fundamental da iniciação cristã no baptismo, no qual é posto em evidência todo o seu simbolismo.
A água tem um significado cósmico, estando relacionada com o caos primitivo. A água é o elemento primordial (Génesis 1,2). Não é mencionada entre as obras da criação, mas é pressuposta.
Na história do paraíso, o crescimento da vegetação começa com o correr dos quatro rios o paraíso (Génesis 2,10 ss.).
No conjunto das imagens bíblicas, a água é vida e salvação. Os actos salvíficos de Iahweh em favor de Israel são comparados á produção de água, especialmente àquela que brota no deserto (Isaías 35,7; 41,18; 43,19; 44,3). O israelita que se sente separado de Iahweh é como um deserto árido (Salmo 63,2; 143,6). Iahweh é uma fonte de água viva (Jeremias 2,13; 17,13).
Jesus aplica a imagem da água a si próprio, prometendo dar água iva, que é a vida eterna (João 4,10.13 s.; 7,37-39).
O amor e a providência de Iahweh expressam-se na sua condução para águas tranquilas (Salmo 23,2)
O justo é como uma árvore plantada junto da água corrente, que não morre (Salmo 1,3; Jeremias 17,8).
O rei justo é uma bênção para o seu povo como as torrentes de água em terra seca (Isaías 32,2).
Os prazeres do amor são comparados à água refrescante, na admoestação ao marido para que beba água da sua própria cisterna (provérbios 5,15).
A Jerusalém do fim dos tempos não é concebível sem o seu rio de água viva. Ezequiel 47,1-12 vê uma fonte que jorra do templo e se torna um rio extenso na sua passagem pelo vale do Jordão, regenerando a vida do país. Esta imagem é retomada em Apocalipse 22,1, no rio de água viva, que brota debaixo do trono na nova Jerusalém.
Em Apocalipse 7,17; 21,6, a salvação dos justos consiste em beber da fonte de água da vida.
As imagens da água aparecem noutras ocasiões: é o símbolo do que perece. Job esquecerá a sua miséria como águas passadas (Job 11,6). Os seres humanos são mortais, são como água derramada na terra (2 Samuel 14,14). O salmista pede que o ímpio se dilua como água que escorre (Salmo 58,8).
A água é também sinal de ameaça destruidora, como sucede na concepção do mar e na história do dilúvio. O trovão de muitos povos (Isaías 17,12) e as águas que inundam Israel (Isaías 28,2.17) significam a invasão dos inimigos. A Assíria inunda Israel como um rio impetuoso (Isaías 8,7 ss.). As águas vêm do Norte como um aluvião (Jeremias 47,2). Os profetas recorrem ao simbolismo do mar caótico para descrever o cataclismo futuro: as “águas impetuosas” destroem a ordem existente. A mesma imagem é aplicada também nas aflições pessoas (Salmo 32,6; 69,3.16); a libertação é concedida quando Iahweh tira o orante das “águas torrenciais”.
Estes dois temas encontram-se fundidos no baptismo: a imersão na água é a morte do neófito para o pecado e para si mesmo; mas a água é, simultaneamente, água da vida eterna.

 

Agripa
Marco Júlio Agripa (Agripa II), filho de Herodes Agripa (Agripa I), chamado Agripa no Novo Testamento.
Quando o seu pai morreu, em 44 d.C., o imperador de Roma, Cláudio, considerou Agripa muito jovem para sucedê-lo; o trono foi então confado ao seu tio Herodes, irmão de Agripa I e rei de Cálcis, um pequeno território que se encontrava entre o Líbano e o Antilíbano. O tio morreu em 48 d.C. e o reino foi confiado a Agripa II em50 d.C. No ano de 53 d.C., em troca de Cálcis, foram-lhe confiados os territórios que haviam sido governados por Filipe e Lisânias, bem como algumas regiões da Galileia e da Pereia.
A exemplo de seu pai, também se mostrou desejoso de conquistar a simpatia dos hebreus, mostrando deferência em relação à Lei e aos costumes hebraicos; ao mesmo tempo, porém, favorecia a cultura e as religiões helenísticas. Contribuiu para a edificação do Templo de Jerusalém, mas surgiu uma disputa quando Agripa construiu no seu palácio um terraço do qual podia observar a área do Templo.
Agripa e Berenice estavam presentes em Cesareia quando o novo procurador, Festo, encontrou Paulo na prisão (Actos 25,13 - 26,32); pediram-lhe, então, que deixasse Paulo falar com eles. O diálogo comoveu Agripa a tal ponto que ele chegou a dizer que Paulo quase o havia tornado cristão; não está claro se essa observação foi feita com seriedade.
A sua acompanhante, Berenice, era a sua irmã, viúva de Herodes de Cálcis, que mantinha com ele uma relação abertamente incestuosa. Quando exlodiu a revolta dos hebreus, em 66 d.C., Agripa e Berenice regressaram à Palestina e fizeram o possível para cessar a rebelião. Diante do insucesso da sua tentativa, permaneceram fiéis a Roma durante toda a guerra. Depois da guerra, Agripa recebeu outros territórios além daqueles que havia perdido temporariamente. A data da sua morte não é certa, mas parece que ele governou pacificamente os seus territórios até por volta de 100 d.C.

Paulo diante de Agripa e Berenice

Paulo diante de Agripa e Berenice (Caspar Luiken)

 

Ageu
Um dos doze profetas menores. Pouco se sabe do autor ou do profeta que dá nome ao livro do Antigo Testamento. Dele se fala em Esdras 5,1; 6,14. O seu ministério foi de curta duração (de Junho a Dezembro de 520 a.C.). Pertence, portanto, ao último período do profetismo, o do pós-exílio, durante o reinado de Dario (tal como Zacarias).
Teologia do livro de Ageu: As más condições económicas, a divisão entre os residentes e os repatriados e a situação geral de pobreza tinham conduzido o povo a uma situação de desânimo. O profeta atribui esta situação à falta de piedade que se manifesta no pouco interesse pela reconstrução do templo de Jerusalém. Os trabalhos de construção, pelo contrário, significariam o renascer da verdadeira piedade e despertariam a benevolência do Senhor com a consequente melhoria de situação.
Ao lado desta finalidade imediata e material, aparece uma outra, não menos material mas de horizontes mais amplos: reconstruir o templo significa renovar a esperança nas grandes promessas escatológicas, no futuro maravilhoso que o Senhor tem preparado para o seu povo.
Este futuro também tem a ver com as outras nações: convencidas ou derrotadas, hão-de afluir a Jerusalém com as suas riquezas (2,7.22); Israel conseguirá vencer, conduzido pelo seu Messias davídico (2,20-23), recebendo como dom a paz (2,9); o grande dia virá acompanhado de grandes convulsões cósmicas. Zorobabel e a sua obra são a antecipação desta promessa.

 

Agarenos
Tribo nómada da Palestina oriental que entrou em guerra com a tribo de Rúben (1 Crónicas 5,10) e as tribos de Gad e Manassés (1 Crónicas 5,19 s.). Jaziz, o agareno, foi o principal responsável pelos rebanhos de David (1 Crónicas 27,31). Não há ligação segura entre o nome da tribo e Agar, mãe de Ismael.

 

Agar
Escrava egípcia de Sara, esposa de Abraão. Já que Sara não tinha filhos, eleu Agar a seu marido como substitua, e Agar deu à luz Ismael (Génesis 16,1-4). Orgulhosa do seu filho, começou a desprezar a sua dona, que a ameaçou tão cruelmente que Agar fugiu para o deserto. Lá teve uma visão do anjo de Iahweh, que ordenou que voltasse para Abraão (Génesis 16,4-14).
Após o nascimento de Isaac, Saraviu Ismael a brincar com o seu filho Isaac, einsistiu para que Agar e o seu fiho fossem expulsos da caa Abraão mandou os dois para o deseto. Quando Aagar e o seu filho estavam em perigo de morrer de sede, Agar achou água num lugar que lhe foi revelado pelo anjo de Deus (Gémnesis 21,9-21).
Os críticos consideram que os relatos de Génesis 16 e 21 são duplicados que têm em comum a partida de Agar e a preservação da vida devido a uma visão; as narrativas, no entanto, diferem no seguinte: em Génesis 16, Agar foge antesdo ascimento de Ismael; em Génesis 21, é expulsa com Ismael.
S. Paulo, baseando os seus argumentos obre uma “alegroia” (Gálatas 4,24), serve-se do relacionamento de Abraão, Sara e Agar para demonstrar a liberdade dos cristãos diante das obrigações da lei (4, 21-31) A descendência carnal de Abraão não é suficiente para a salvação; a salvação foi transmitida, não pr Ismael, que era o filho carnal de Abraão, mas por isaac, que era o filho em virtde da promessa. A descendência carnal de Ismael é associada à escravidão da sua mãe, a passo que Isaac era filho de mãe livre. Assim, Agar representao Sinai na Arábia (para onde fugiu), e o Sinai, por sua vez, representa a actual Jerusalém, que é escrava da lei. A nova Jerusalém, que é, ao contrário, a mãe dos cristãos, representa, comom Isaac os filhos da promessa. Os judeus, rejeitando as promessas concretizadas por Cristo, escolheram a escravidão. O cristão, aceitando a realização da promessa (isto é, crendo em Cristo), torna-se o veradeiro descendente de Abraão; como o filho de mãe livre, ele é livre da lei. O argumento de Paulo é uma refutação do orgulho dos judeus pela sua descendência de Abraão, desendência que em Agar e Ismael é expressão de escravidão.

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Agar e o anjo (Nicolas Poussin)

 

Agag
1. Um rei (Números 24,7); o contexto sugere um carácter mitológico.
2. Rei dos amalecitas (1 Samuel 15,8 ss.). Seguindo as instruções de um oráculo de Samuel, Saul condenou os amalecitas ao anátema. Tendo depois poupado a vida a Agag, foi amargamente censurado por Samuel por causa dessa desobediência. O próprio Samuel matou Agag diante do altar de Iahweh em Guilgal (1 Samuel 15, 32 s.). Segundo uma das tradições, esta foi a causa da ruptura entre Saul e Samuel.

 

Agabo
Profeta judeu-cristão de Jerusalém que foi a Antioquia e predisse uma grande carestia que iria atingir todo o Império Romano (Actos 11,28). A carestia ocorrida ao tempo do Imperador Cláudio deu-se no ano de 49 d.C. Trata-se da mesma pessoa que previu a prisão de Paulo em Jerusalém (Actos 21,10 ss.).

 

Afec
Nome de diversas cidades.
1. Cidade cananeia incluída na lista de cidades conquistadas por Josué (Josué 12,18), por duas vezes sede do acampamento dos filisteus antes da sua invasão das alturas (1 Samuel 4,1; 29,1). No século I a.C., foi reconstruída por Herodes, sendo chamada de Antipátrida em virtude do nome do seu pai Paulo e a sua escolta passaram nela a noite durante a viagem de Jerusalém a Cesareia (Actos 23,31).
2. Cidade de Aser (Josué 19,30) que foi conservada pelos cananeus mesmo depois da ocupação israelita (Juízes 1,31).
3. Cena da derrota de Ben-Hadad de Damasco por Acab de Israel (1 Reis 20,26-30), mas que não foi mantida pelos israelitas.
4. Cidade vagamente colocada nos limites entre os cananeus e os amorreus (Josué 13,4).

 

Adultério
Em sentido estrito, trata-se da relação sexual entre um homem e uma mulher quando um dos dois – ou ambos – está unido em casamento com outra pessoa.
1. Antigo Testamento. A moralidade hebraica em relação ao adultério baseava-se na concepção primitiva da milher como propriedade do marido. Desse modo, só os direitos do marido eram violados. Assim, a relação sexual ilícita não era considerada adultério quando a mulher não era casada. A mulher e o seu parceiro violavam os diretos do marido dela, ao passo que a mulher não tinha direitos para que eles pudessem ser violados. O Decálogo (Dez Mandamentos) proibe o adultério tanto em acto como no desejo (Êxodo 20,13.17; Deuteronómio 5,18.21). A relação com uma jovem prometida a um homem também é considerada adultério (Deuteronómio 22,22 ss.). Já a relação com uma virgem não prometida implica a obrigação de pagamento de indemnização e ao casamento (Deuteronómio 22,28 ss.). A punição para o adultério é a morte de ambos; em Exequiel 16,40, a pena é a lapidação (cf. João 8,3); Judá, no entanto, ameaçou Tamar, uma víuva prometida, com  fogueira, mas esse episódo remonta a um período mais antigo (Génesis 38,24). Ezequiel 16,37 ss. (cf. Oseias 2,5) também indica que  mulher adúltera era despida antes da execução; provavelmente também se lhe cortavam os cabelos. A grande quantidade de adertências da literatura sapiencial contra o adultério dá a entender que tal pecado era bastante comum (por exemp1o, Provérbios 7,1 ss.; 23,27 s.; 30,20). A apostasia de Israel em relação a Iahweh é qualificada como adultério em Jeremias 2,20 ss.; 3,8; Ezequiel 16,1 ss.; Oseias 2,4 ss.; 3,1).
2. Novo Testamento. Jesus confirma o sexto mandamento (Mateus 5,27; 19,18; Marcos 10,19; Lucas 18,20), acrescentando que o desejo é tão mau quanto o próprio acto (Mateus 5,28). O mandamento é repetido em Romanos 13,9; Tiago 2,11. A fidelidade ao vínculo matrimonial consta das obrigações dos cristãos (1 Timóteo 4,3; Hebreus 13,4).

 

Ádria
O mar para o qual foi arrastado pela tempestade o navio de Paulo (Actos 27,27). O nome antigo compreendia não somente o actual Adriático (entre a Itália e a Península Balcânica), mas também o mar entre Creta e Sicília, onde navegava o navio de Paulo no momento do naufrágio.

 

Adramítio
A actual Edremit, na Turquia, porto na c osta Noroeste da Ásia Menor. Era a base do barco em que Paulo viajou de Cesareia para Mira, da Lícia (Actos 27,2).

Localização de Adramítio

Mapa

Mapa da viagem de Paulo entre Jerusalém e Roma

 

Adramélec
1. Um dos deuses adorados pelos colonos sefarveus estabelecidos na Samaria por Sargão da Assíria (2 Reis 17,31), identificável, provavelmente, com Hadad.
2. Filho de Senaquerib da Assíria, o qual, juntamente com o seu irmão Sarécer, matou Senaquerib em 681 a.C. (2 Reis 19,37; Isaías 37,38).

 

Adopção
1. Antigo Testamento. A Lei hebraica não apresenta normas para a adopção. Os dois únicos casos evidentes de adopção são os de Moisés, por parte de uma princesa egípcia (Êxodo 2,10) e de Ester, por parte do seu tio Mardoqueu (Ester 2,7). A admissão de pessoas e famílias não hebraicas na comunidade hebraica faz pensar que elas tenham sido adoptadas. Os termos das alianças de Iahweh com Israel (êxodo 4,22) e com David (Salmo 2,7) são os da adopção.
2. Novo Testamento. A paternidade de Deus foi um tema central na pregação de Jesus e, em geral, no Novo Testamento. O procedimento legal para a adopção baseava-se nos direitos despóticos do pai sobre os filhos, segundo a lei romana, conferindo à pessoa adoptada os plenos direitos e todas as obrigações de filho. Paulo coloca a adopção entre os privilégios de Israel (Romanos 9,4; cf. Êxodo 4,22). A adopção cristã é a regeneração do cristão como filho de Deus. Cristo resgatou-nos da escravidão através da adopção; então, como filhos, somos herdeiros, ficando livres das vãs observâncias (Gálatas 4,5 ss.). Os cristãos não possuem o temor dos escravos, mas sim a consciência da sua adopção: são herdeiros dos sofrimentos e da glória de Cristo (Romanos 8,15 ss.). A adopção torna-nos capazes de nos dirigirmos a Deus como o título familiar de «Abbá» (Romanos 8,15; Gálatas 4,6).

 

Adoniram
“O senhor / isto é, deus / é exaltado”.
Chamado também Adoram e Hadoram, foi superintendente dos trabalhos forçados nos reinados de David (2 Samuel 20,24), Salomão (1 Reis 4,6; 5,28) e Roboão (1 Reis 12,18). Este último enviou-o para dominar a revolta que eclodiu no momento da sua ascensão ao trono, mas foi apedrejado pela multidão (1 Reis 12,18).

 

Adonisédec
Rei cananeu de Jerusalém; um dos cinco reis derrotados por Josué (Josué 10,1 ss.). Os cinco foram enforcados (ou empalados) depois da batalha. Adonisédec e Adonibézec (Juízes 1,5-7) poderiam ser variantes do mesmo nome.

 

Adonibézec
Rei cananeu de Bezec, derrotado por Judá (Juízes 1,5-7). Foram-lhe amputados os polegares das mãos e dos pés, castigo que ele infligiria a outros. A narrativa é, provavelmente, uma variante da narrativa da derrota de Adonisédec (Josué 10,1 ss.).

 

Adonias
“Meu senhor é Iahweh”.
1, Filho de David e Haguite (2 Samuel 3,4). Durante a última doença de David, Adonias, o mais velho dos filhos vivos, pensava que iria suceder ao pai no trono. Na época, a monarquia israelita não possuía leis regulares sobre a sucessão, que dependia da indicação do rei e devia ser ratificada pelas tribos. Joab e Abiatar estavam do lado de Adonias. Para celebrar a sua ascensão ao trono, Adonias convidou os seus partidários para um banquete. Sabendo disso, Natan, que apoiava Salomão, disse à mãe de Salomão, Betsabé que as suas vidas não estariam seguras se Adonias subisse ao trono. Então Betsabé falou com David, que nomeou Salomão como co-regente (1 Reis 1, ss.). A celebração antecipada de Adonias foi bruscamente interrompida e ele fugiu para o altar do santuário (1 Reis 1m50). Salomão poupou-lhe a vida e mandou-o para casa. Depois da morte de David, Adonias pediu a Betsabé que intercedesse por ele, a fim de que lhe fosse concedida Abisag, que tinha cuidado de David durante a última doença do rei. Salomão viu nesse pedido uma pretensão aos privilégios da realeza, tendo ordenado a Benaías que matasse Adonias (1 Reis 1,10 ss.).
2. Nome de dois outros homens no Antigo Testamento (2 Crónicas 17,8; Neemias 10,17).

 

Administrador
Tradução comum do grego oikonomos; o intendente de uma casa grande ou propriedade, que podia ser um escravo. O nome também designava um funcionário municipal (Romanos 16,23 – tesoureiro?). O administrador tinha o cuidado dos filhos do senhor (Gálatas 4,2). Jesus propõe o administrador fiel como exemplo do cristão responsável (Lucas 12,42). Os apóstolos são administradores dos mistérios de Deus (1 Coríntios 4,1-2; Tito 1,7) e o cristão é um dispensador da graça de Deus (1 Pedro 4,10). Jesus elogia o administrador desonesto da parábola (Lucas 16,1 ss.), não pela sua desonestidade, mas pela prudência; o cristão consciente do juízo vindouro demonstrará mais prudência do que os homens do mundo.

 

Adma
Uma das cinco cidades da planície, destruídas juntamente com Sodoma (Génesis 10,19; 14,2-8). Exemplo proverbial da ira de Iahweh (Deuteronómio 2922; Oseias 11,8).  É sempre mencionada juntamente com Seboim.

 

Adivinhação
Pseudo-ciência que pretende prever os acontecimentos futuros através de meios ocultos. Era muito praticada na antiga Mesopotâmia. A sua influência estendeu-se enormemente, alcançando a Europa e persistindo até à época medieval e moderna. Os adivinhos mesopotâmicos interpretavam o futuro servindo-se de oráculos pronunciados por certos representantes autorizados dos deuses, interpretando sinais e auspícios ou através de várias práticas indutivas. Havia a adivinhação através da sorte ou do lançamento de flechas (belomancia), o uso de varinhas (rabdomancia), a observação do comportamento humano e das expressões da face (fisiognomonia), o estudo da palma da mão (quiromancia), o estudo dos fenómenos do nascimento, especialmente quando eram extraordinários ou monstruosos, e o estudo do comportamento dos animais – as suas vísceras, sobretudo o fígado, o vôo e os movimentos dos répteis. Também se estudava a aparência das árvores (dendromancia), a configuração das chamas (piromancia) e do fumo (capnomancia), o comportamento das gotas de óleo na superfície da água (lecanomancia) e a observação dos corpos celestes e dos fenómenos meteorológicos (astrologia).
A Lei hebraica proibia severamente a adivinhação, até mesmo sob pena de morte (Levítico 19,31; 20,6; Deuteronómio 18,10-11). A adivinhação é um pecado tão grave quanto a idolatria (1 Samuel 15,23). Saul havia acabado com a adivinhação no país (1 Samuel 28,3), mas ele próprio foi consultar uma nigromante (pessoa que faz adivinhações por meio de espíritos) (1 Samuel 28,7 ss.). Na época de Isaías, o país estava cheio de adivinhos (Isaías 2,6; 8,19). A adivinhação está relacionada entre os pecados por causa dos quais Iahweh destruiu o reino de Israel (2 Reis 17,17) e entre as práticas erradicadas pela reforma de Josias (2 Reis 23,24). Os falsos profetas de Judá eram chamados com desprezo de “adivinhos” por parte de Jeremias (14,14; 27,9) e Ezequiel (13,6.23).

 

Adasa
Cidade situada entre Betel e Jesusalém (1 Macabeus 7, 40-45).

 

Adar
O décimo segundo mês do calendário juaico mais recente, correspondente, aproximadamente, a Fevereiro.

 

Adam
Cidade às margens do Jordão, próxima de Sartan, onde as águas se detiveram quando os israelitas atravessaram o rio (Josué 3,16). Esta narrativa não deve criar a imagem de duas colunas de águam pelo meio das quais passaram os israelitas. O autor quer mostrar a intervenção miraculosa de Deus em favor do seu povo. Isto não exclui que Deus se haja servido dos elementos naturais da região. Sabemos que as águas do Jordão, em seu leito estreito e profundo, vão minando as margens e provocam assim, de vez em quando, grandes desabamentos de terra que chegam a obstruir completamente o seu caudal. A jusante, o leito do rio fica, então, seco, até que as águas rompam uma passagem e encontrem de novo o seu caminho. A história regista factos desta natureza em 1267, em 1914 e em 1927. Assim se revela a acção de Deus, que age na História através de factos naturais.

 

Adão
Do hebraico «adam», “homem”. A tradução comum do termo como nome próprio “Adão” é incorrecta. Até Génesis 4,25 – onde o termo é usado como nome próprio pela primeira vez – a palavra significa “homem”.

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Miguel Ângelo

O homem foi feito do pó da terra – é possível que esse jogo de palavras se possa basear numa relação etimológica.
A composição do homem a partir da argila pode ser encontrada no Egipto e na Mesopotâmia; nesta região, o componente espiritual era o sangue. Na narração hebraica, esse elemento é subsituído pelo hálito de Deus, princípio da vida (Génesis 2,7).
O homem é colocado num jardim no Éden. É evidente o contraste entre essa felicidade primitiva (Génesis 2,9) e a condição histórica do homem. Não se coloca nenhuma limitação ao homem, excepto a proibição de comer da árvore do conhecimento (Génesis 2,16-17). A capacidade de dar nome aos animais demonstra a capacidade do homem sobre eles (Génesis 2,19-20); no mundo antigo, dar o nome era um sinal de autoridade. Assim se destaca também a inteligência do homem; nenhum animal é adequado para ser companheiro do homem; então, Deus, cria a mulher do corpo do homem (Génesis 2,20-24). A criação da mulher a partir do homem representa a sua verdadeira humanidade e a sua igualdade com o homem. O casal andava nu, o que representa o controlo do apetite sexual (Génesis 2,25). Os dois são tentados pela serpente para comerem do fruto proibido, sendo depois expulsos do Éden. Cada um dos três sofre um castigo. Para o homem, a maldição implica que a terra deixará de ser dócil e fértil: deverá arrancar o seu sustento da terra com um trabalho duro e, no fim, deverá morrer (Génesis 3,17-19) (na impoluta simplicidade do Éden não havia cansaço nem morte). Depois da expulsão, o homem gera Caim e Abel (Génesis 4,1-2) e Set (Génesis 4,25). Esta narrativa não constitui uma explicação científica da origem do homem nem uma história do início da espécie no sentido estrito do termo.

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Bosch

Como Adão, todos os homens provêm da terra (Eclesiastes 33,10).
Ao contrário do que acontece no Antigo Testamento, Adão é frequentemente mencionado nos livros apócrifos dos hebreus, nos quais a história do paraíso é embelezada com muitos acréscimos.
Adão é mencionado na genealogia de Lucas (Lucas 3,38). Paulo faz de Adão a figura daquele que devia vir, isto é, Cristo: como a morte e o pecado entraram no mundo através de um só homem, assim o perdão e a vida também chegam através de um só homem (Romanos 5,12 ss.). A mesma tipologia é usada para a ressurreição do corpo (1 Coríntios 15,45): assim como o primeiro Adão se torna uma criatura viva, o último Adão (Cristo) é um espírito que dá a vida.

 

Adad
1. Deus da tempestade, mesopotâmico e sírio. Como deus da tempestade, o carácter de Adad era destrutivo; em hinos e orações era invocado para conter a sua mão destruidora. A tempestade, no entanto, também é princípio de vida e fertilidade devido à chuva; assim, Adad era igualmente deus da fertilidade, o que revela índoles antagónicas. Ele é o Baal dos cultos de fertilidade de Ugarit e Canaã. É também um deus guerreiro, e como tal foi especialmente cultuado pelos assírios. Por causa das previsões metereológicas, Adad é um deus de oráculos e adivinhação. O touro é o seu símbolo, sobre o qual é frequentemente representado em pé, geralmente brandindo um raio. O nome aparece como um componente divino de nomes pessoais de não hebreus. O trovão é a voz de Adad, uma imagem que é transferida para Iahweh no Antigo Testamento.
2. Nome pessoal usado por dois reis de Edom antes da monarquia hebraica (Génesis 36,35 s. 39, 1 Crónicas 46 s. 50).

 

Ada
Mulher de Lamec (Génesis 4,19); mulher de Esaú (Génesis 36,2).

 

Acsaf
Cidade cananeia derrotada por Josué (Josué 11,1; 12,20); mais tarde foi integrada no território de Aser (Josué 19,25).

 

Acsa
Filha de Caleb, dada por esposa a Oteniel, em compensação pela tomada de Quiriat-Sefér. Como presente de casamento, Acsa pediu e obteve as fontes inferiores e superiores de Gulat (Josué 15,16-19; Juízes 1,12-15).

 

Acor
O vale onde Acan foi apedrejado (Josué 7,24-26). O vale era um dos confins de Judá (Josué 15,7), embora não tenha sido identificado com certeza.

 

Acaz
Provavelmente uma abreviatura de Jeocaz (“Iahweh agarra a mão”). Filho de Joatão e rei de Judá (735-715 a.C.). Quase imediatamente depois da sua subida ao trono, foi convidado Damasco e Israel a fazer parte de uma coligação dos assírios (2 Reis 16, 1ss.; Isaías 7,1 ss.). diante da recusa de Acaz, os dois reinos invadiram Judá; Acaz pediu ajuda aos assírios, oferecendo-lhes submissão e tributos (2 Reis 16,7 ss.); Os assírios tomaram Israel (Samaria) em 734 a.C. e Damasco em 732 a.C.; Acaz salvou-se, tornando-se um vassalo da Assíria. Esta política foi fortemente contestada por Isaías, que aconselhava a inactividade política e a fé em Iahweh e que se propunha a fortalecer essa fé com um sinal (Isaías 7,3 ss.). Mas Acaz recusou o sinal, recebendo então o sinal do Emanuel (Isaías 7,14), juntamente com a ameaça de que a sua estratégia acabaria por redundar num desastre.
Acaz deu início a um movimento religioso sincretista. Uma boa parte dos adornos do Templo foi retirada para pagar o tributo à Assíria (2 Reis 16,17 ss.; 2 Crónicas 28,21.24 ss.). O juízo severo pronunciado pelos historiadores dos livros dos Reis e das Crónicas sobre a sua religião é partilhado por Isaías, que também condenou a sua política.

Mapa

 

Acan
Filho de Carmi, da tribo de Judá (Josué 7,1). Na queda de Jericó, Acan roubou parte do espólio que havia sido colocada sob anátema (isto é, tratavam-se de objectos que não podiam ser tocados). Quando os israelitas foram derrotados no seu primeiro ataque contra Ai, suspeitou-se de uma violação do anátema e o culpado foi descoberto pelo oráculo da sorte. O culpado foi lapidado (apedrejado), de modo que não houvesse nenhum contacto com a pessoa sacrílega, ao passo que os objectos foram queimados, para impedir qualquer uso posterior (Josué 7, 22-26).

 

Acampamento
Os acampamentos das actuais tribos nómadas formam-se ao acaso. E, provavelmente, os acampamentos nómadas do Antigo Testamento também surgiram desse modo. As tendas eram agrupadas umas próximas das outras e em círculo, tendo em vista o perigo de um eventual ataque. O acampamento israelita descrito em Números 2 organizava-se em forma de quadrado em torno da Tenda da Reunião, com três tribos em cada lado; é possível, porém, que este esquema seja uma criação da fantasia do escritor, até porque não deixa de ter semelhanças com a organização do campo fortificado das legiões romanas: um quadrado com duas linhas, que se cruzavam no centro. O aperfeiçoamento da técnica militar dos assírios também terá implicado a disposição dos acampamentos, mas não há representação desses resultados na arte.

 

 

Acaia
Antigo nome da região situada ao Sul do golfo de Corinto. Depois da derrota da Liga Acadiana, em 146 a.C., os romanos colocaram o distrito sob o governo provincial da Macedónia.
Em 27 a.C. foi separada da Macedónia para constituir uma província senatorial que incluía as cidades de Atenas e Corinto. Em relação com esta cidade, a Acaia é citada frequentemente no Novo Testamento (Actos 18,12.27; 19,21; Romanos 15,26; 1 Coríntios 16,15; 2 Coríntios 1,1; 9,2; 11,10; 1 Timóteo 1,7s.)

Localização da Acaia

 

Acádico
Nome que hoje se dá à língua geralmente falada na Mesopotâmia de aproximadamente 2000 a 500 a.C. Com a dominação dos povos semitas, o acádico (antes chamado “assírio”) substituiu gradualmente o sumério, tornando-se a língua comum até, por seu turno, ser substituído pelo aramaico.
O acádico tinha dois dialectos principais: babilónico e assírio.
Os achados literários em acádico, descobertos e interpretados a partir de 1835, constituem uma fonte impar para o conhecimento do mundo do Antigo Testamento. A língua facilitou notavelmente a compreensão do hebraico.

 

Acad
1. Segundo Génesis 10,10, era uma cidade do reino de Nimerod. Situava-se na margem do rio Eufrates, na Babilónia setentrional, embora não se conheça a sua localização exacta.
2. O nome de Acad também foi dado à região setentrional da Mesopotâmia, desde a Babilónia à Assíria. Foi centro de um reino mundial durante o terceiro milénio a.C. (c. 2350-2150). O império acádico abrangia toda a Mesopotâmia. A dinastia acádica foi marcada por grandes progressos na cultura e nas artes, sendo recordada por longo tempo nas sagas populares, apesar da sua brevidade. O seu ideal de reino universal seria reflectido durante vários anos nos títulos dos reis babilónicos e assírios: “rei de tudo”, “rei das quatro partes”, “o grande rei”, etc.

Mapa da região de Acad

 

Acácia
Árvore que cresce na Palestina, mas somente no Sul do vale do Jordão. Produz flores brancas e redondas; a madeira, amarelo-escura, é leve e resistente. É mencionada na construção da arca da aliança (Êxodo 25-27; 30-38; Deuteronómio 10,13). Na restauração messiânica da terra, Iahweh fará brotar a acácia no deserto (Isaías 41,19).

 

Acab
1. Filho de Omeri e rei de Israel (c. 869-850 a.C.). A sua mulher era a rainha Jezabel, filha de Etbaal, rei de Tiro.
O centro de interesse do relato sobre Acab (1 Reis 16,29; 22,40) não se encontra nele, mas nos seus encontros com os profetas, especialmente com Elias.
O compilador do 1.º e do 2.º livro de Reis apresenta um juízo muito severo sobre Acab. É provável que o rei não tenha abandonado o culto a Iahweh; no entanto permitiu que a sua esposa favorecesse o culto de Baal. Parece que Acab era religiosamente indiferente. Para ele, o profeta Elias era a “ruína de Israel” (1 Reis 18,17) porque colocava o problema de se Israel devia adorar Baal ou Iahweh.
As escavações feitas na Samaria demonstraram a magnificência das suas construções (1 Reis 22,39).
Ferido em combate por uma flecha, insistiu em ficar no seu carro para que as suas tropas não se deixassem abalar pelo facto de estar ferido; por essa razão perdeu muito sangue e acabou por morrer.
2. Nome usado por um falso profeta, o filho de Colaías. Jeremias acusou-o de adultério e impiedade, ameaçando-o de morte pelo fogo às mãos de Nabucodonosor (Jeremias 29,21 ss.).

 

Absinto
Planta de gosto amargo, utilizada como metáfora do pecado (Deuteronómio 29,17; Amos 5,7; 6,12), do castigo divino (Jeremias 9,14; 23,15; Lamentações 3,15.19), da perversidade (Provérbios 5,4). A estrela referida em Apocalipse 8,11, chamada «Absinto», caiu do céu e tornou a água amarga.

 

Absalão
Da palavra abshalom - “o pai [isto é, deus] é paz”.
Filho de David e de Maaca (2 Samuel 3,3). A sua irmã Tamar foi violada por Amnon, irmão de Tamar e de Absalão; como vingança, Absalão matou Amnon durante a festa da tosquia (2 Samuel 13,1 ss.), fugindo para Guechur, onde ficou durante três anos. Absalão regressou, mas durante dois anos não foi admitido à presença do rei.
Nos quatro anos seguintes esforçou-se por ser amigo de todos e também por mostrar as fraquezas do governo de David (2 Samuel 15,1 ss.). Quando se sentiu suficientemente forte, proclamou-se rei em Hebron, obrigando David a fugir de Jerusalém. Aitofel, um dos conselheiros de David, uniu-se à revolta, convencendo Absalão a apossar-se do harém do rei (2 Samuel 15,1 ss.); tratava-se de um acto de traição, pois o harém fazia parte da santidade da realeza; com esse acto dava-se uma ruptura irreparável entre os dois.
A batalha entre os exércitos de Absalão e David ocorreu na floresta de Efraim; David deu ordem aos seus oficiais para poupar a vida do filho, que acabou por ser derrotado, fugindo num lombo de burro. Mas a sua cabeleira, da qual se orgulhava muito (cf. 2 Samuel 14,26) prendeu-se nos galhos de um grande carvalho; quando estava nesta situação, foi avistado por um dos soldados de David, que avisou Joab; este matou Absalão de imediato (2 Samuel 18,9 ss.).
Diante da notícia, a dor de David foi grande, até que Joab o censurou por pensar mais no filho ingrato do que nos seus seguidores fiéis (2 Samuel 19,1 ss.).
A história de Absalão revela algumas fraquezas da personalidade de David e do seu governo. Na corte havia querelas e ódios que eram consequência da poligamia. O rei esforçou-se por orientar os seus filhos, que no entanto revelam egoísmo e ausência do sentido de dever. A revolta de Absalão não poderia ter vingado tão rapidamente se não houvesse descontentamento em relação ao governo de David: talvez as guerras representassem um esforço excessivo para o povo, ao passo que o espólio dos vencidos era muitas vezes dividida apenas entre o rei e os seus favoritos.

 

Abraão (seio de)
Mencionado em Lucas 16,22. Alusão provável ao banquete celeste, cujo lugar de honra se encontrava perto do dono da casa, de maneira que o hóspede pudesse reclinar-se sobre o seu seio (cf. João 13,25).

 

Abraão
Filho de Tera e antepassado dos israelitas. É provável que o nome seja uma variante do nome ‘abram (“o pai [isto é, deus] é exaltado”). A etimologia explicada em Génesis 17,5, onde se refere a mudança de nome – de Abrão para Abraão, “pai de uma multidão” – é uma tradição popular.
É provável que pertença à segunda parte do período situado entre 2000-1500 a.C.
O clã de Tera emigrou de Ur para Haran, onde Tera morreu; daí Abraão emigrou para Canaã (Génesis 11,27 ss.). Foi em Canaã que ocorreu a primeira comunicação divina a Abraão e a promessa de uma grande posteridade (Génesis 2,1-3).
Em Siquém, Abraão recebeu a promessa de que os seus descendentes iriam ter a posse de Canaã (Génesis 12,7).
Dirigiu-se depois a Betel e ao Négueb. Devido à miséria dirigiu-se para o Egipto, onde fingiu ser irmão da sua esposa, Sarai, que foi levada para o harém do faraó; mas depois de diversas desgraças que se abateram sobre ele, interpretou esses acontecimentos como uma advertência pelo erro de ter tomado Sarai, pelo que a libertou (Génesis 12,10-20).
Em Génesis 14,1 ss., Abraão aparece como herói militar, sendo esse o único episódio dessa natureza atribuído a ele. Uma expedição militar enviada pelos senhores de Canaã foi perseguida por Abraão, que os levou de vencida. Quando regressava, foi ao seu encontro em Salém (Jerusalém) o rei local, Melquisedec. Essa narrativa conserva a memória do primeiro encontro entre o pai dos israelitas e a mais israelita de todas as cidades.

ImagemAbraão e Melquisedec. Rubens

Foi então prometido um filho a Abraão (Génesis 15,1ss.), concluindo-se uma aliança entre Abraão e o Deus que a ele se revelou (Génesis 15,9); a esse episódio acrescenta-se uma variante da promessa da terra aos seus descendentes (Génesis 15,18 ss.). (Tal como acontece em inúmeros acontecimentos da Bíblia, a tradição apresenta muitas variantes dos mesmos factos, o que demonstra a grande liberdade com que essas recordações foram repetidas e transmitidas ao longo da História.)
A estéril Sarai fez-se substituir pela sua escrava, Agar, que deu a Abraão um filho, Ismael. Os direitos daquela que substituía a mulher, e os dos seus filhos, estavam garantidos por lei, mas foram violados por Sarai e Abraão, que cedeu ao ciúme da mulher e expulsou Agar e Ismael (Génesis 6,1-16).

ImagemAbraão expulsa Agar e Ismael. Guercino

Em Génesis 17,1 ss. encontra-se uma variante da aliança, acrescentando a obrigação da circuncisão, e outra variante da promessa de um filho (Génesis 17,15 ss.).
Abraão acolhe Deus com dois companheiros (Génesis 18,1 ss.), sendo-lhe novamente prometido um filho.
O nascimento de Isaac, filho de Abraão, é narrado em Génesis 21,1 ss., com uma variante na narração da expulsão de Agar.
O relato do sacrifício de Isaac, em Génesis 22,1 ss., demonstra a grande fé de Abraão, constituindo também uma condenação da prática de sacrifícios humanos.

ImagemO sacrifício de Isaac. Caravaggio

Depois da morte da sua mulher, Abraão comprou um campo em Hebron para o sepultamento.
Génesis 25,1 ss. contém uma genealogia que relaciona Abraão com um grande número de tribos árabes.
A importância de Abraão reside no facto de, com ele, se ter iniciado a revelação bíblica. A essência desta certeza não é invalidada pelas questões relativas à validade histórica de certas tradições específicas.
O Deus que se revelou a Abraão apareceu como um Deus familiar. Essa forma de culto, na qual a divindade da família era adorada no santuário doméstico, é bem conhecida na Mesopotâmia. Abraão conhecia essa divindade não como Iahweh, que passou depois a ser adorado pelos israelitas, mas como El Shaddai.
O Antigo Testamento alude frequentemente às promessas e à aliança de Abraão, que culminaram na Aliança (Êxodo 32,13; Números 32,11; Deuteronómio 1,8; 2 Reis 1,23; 1 Crónicas 16,16; Salmo 105,9.42); Abraão é a rocha da qual Israel se originou (Isaías 51,1-2).
Também no Novo Testamento há numerosas referências. Ele foi o pai dos hebreus (Mateus 3,9), que são seus descendentes (João 8,33). Em João 8,33 ss., o momento culminante da discussão dá-se quando Jesus afirma ser maior do que Abraão. Paulo considera Abraão como um herói da fé, em contraste com as obras da Lei (Romanos 4,1 ss; Gálatas 3,6 ss.); é a fé em Cristo que nos torna verdadeiros descendentes de Abraão (Gálatas 3,29).

 

Abner
Filho de Ner, comandante do exército de Saul. Aparece na batalha contra os filisteus (1 Samuel 17,55). Como oficial superior, sentava-se à mesa com os filhos do rei e com David (1 Samuel 20,25). Comandou as forças de Saul durante a perseguição a David, sendo censurado por este por lhe ter permitido penetrar à noite no acampamento de Saul (1 Samuel 26,14-16). Depois da morte de Saul, Abner levou consigo Isbaal, o filho sobrevivente de Saul, para a outra margem do Jordão, com o objectivo de conservar o reino de Israel. Depois que David foi aclamado como rei de Judá em Hebron (2 Samuel 2,1 ss.), desencadeou-se a batalha entre os dois reinos. Quando o exército de Abner foi derrotado, este deverá ter-se apercebido que a única esperança para Israel consistia no reino único comandado por David, pelo que se terá juntado ao rei. Abner acabou por ser morto por Joab, devido a uma vingança de sangue.

 

 

Ablução
"Tirar lavando, purificar."
No Antigo Testamento, a ablução é mencionada geralmente nas leis cerimoniais como meio de purificação ritual, sendo prescrita para os sacerdotes e para os que tivessem cometido uma impureza legal. A obrigação de se lavar sete vezes por dia, imposta a Naamã, é uma imposição simbólica para a purificação da sua doença (2 Reis, 5,10 ss.). Em Ezequiel 16,4 há uma menção ao costume de lavar os recém-nascidos. Muitas vezes fala-se da lavagem dos pés, sobretudo depois das viagens; era um dever de hospitalidade oferecer água aos hóspedes com esse objectivo (Génesis 24,32; 18,4; 19,2; Cântico dos Cânticos 5,3). Por vezes esse serviço era realizado por escravos (1 Samuel 25,41).
Às vezes a ablução era feita fora de casa, no pátio interno (2 Samuel 11,2) ou no jardim (Daniel 13,15). As lavagens também podiam ser feitas nos cursos de água; a filha do faraó lavava-se no Nilo (Êxodo 2,5). David lavou-se e perfumou-se depois de um período de luto (2 Samuel 12,20).
Na Palestina não se devia encontrar com facilidade água para as lavagens. Na época do Novo Testamento devia predominar um uso não muito frequente, se bem que a interpretação farisaica da Lei havia multiplicado as abluções cerimoniais Aos convidados para um banquete oferecia-se água para que lavassem os pés (Lucas 7,44). Pode deduzir-se que o bom anfitrião também oferecia unguentos aos seus hóspedes. Quem já tinha tomado banho só precisava de lavar os pés para ficar completamente limpo (João 13,10).
Os banhos públicos dos tempos helénicos eram desconhecidos nas cidades judaicas mas podiam ser encontrados nas cidades helenistas da Palestina e das regiões adjacentes, pelo que os hebreus deviam conhecê-los.
A comunidade de Qumran fazia uso de várias abluções, a maior parte com significado ritual.
Entre os cristãos, o Baptismo sempre teve um significado de limpeza e purificação, além do de (re)nascimento. Os mesmos propósitos manifestam-se na Missa e no «lava-pés», na Quinta.Feira Santa.

ImagemMarcantonio Raimondi

 

Abiú

Filho de Aarão e Isabel (Êxodo 6,23; Números 3,2; 26,60; 1 Crónicas 5,29; 24,1). Juntamente com o irmão Nadab, acompanhou Moisés, Aarão e os setenta anciãos na teofania do Sinai (êxodo 4,1 ss.). Tal como Aarão, Abiú e Nadab foram consagrados sacerdotes. Os dois irmãos foram mortos pelo fogo devido a algumas irregularidades na sua primeira oferta do sacrifício (Levítico 10,1 ss.); é possível que este relato represente uma explicação fictícia da extinção das famílias sacerdotais de Abiú e Nadab.

 

Abismo
No grego clássico é a residência dos mortos; neste sentido é empregue em Romanos 10,7. No Novo Testamento é a residência dos demónios (cf. Lucas 8,1). O anjo do abismo é Abadon (Apocalipse 9,11). A besta surge do abismo (Apocalipse 11,7-8). Os poderes destruidores do abismo são libertados por um anjo que possui as suas chaves (Apocalipse 9,1-2; 20,1).

 

Abisai
Irmão de Joab e Asael, filhos de Seruia, irmã de David (1 Crónicas 2,16). Acompanhou David ao acampamento de Saul, insistindo para que ele fosse morto, mas David recusou (1 Samuel 26,6 ss.). Juntamente com Joab perseguiu Abner, depois que este matou em batlha o seu irmão Asael (2 Samuel 2,23 ss.). Durante a guerra contra os filiseus, salvou a vida de David ao matar um herói filisteu. Como Joab, Abisai era estreitamente ligado a David por vínculos e sangue e por muitos serviços pessoais e oficiais, colocando a lealdade ao rei acima de qualquer consideração.

 

Abisag
Jovem virgem de Sunam que se tornou companheira de David quando velho (1 Reis 1,1-4), tendo dormido com ele para o aquecer. Embora David não tivesse relações sexuais com ela, Abisag foi a causa da morte de Adonias, que a pedira a Salomão após a morte de David (1 Reis 2,13-25). A relação íntima que ela tivera com o rei tornava-a posse régia; usurpá-la constituía traição.

 

Abinadab
“O pai [isto é, deus] é nobre”.
1. Um homem de Quiriat-Jearim, em cuja casa foi guardada a arca da aliança depois de ter sido recuperada das mãos dos filisteus (1 Samuel 7,1) até que David a levou para Jerusalém (2 Samuel 6,2ss).
2. Irmão de David (1 Samuel 16,8; 17,13; 1 Crónicas 2,13).
3. Filho de Saul (1 Samuel 31,2; 1 Crónicas 8,33; 9,39; 10,2).

 

Abimélec
“O pai [isto é, deus] é rei”.
1. Nome de um rei cananeu que tomou Sara, mulher de Abraão para o seu harém; advertido por Deus em sonho, libertou-a e despediu-se de Abraão com presentes.
2. Filho de Gedeão e de uma concubina cananeia que vivia em Siquém. Foi em nome desse parentesco que Abimélec e dirigiu aos cidadaos de Siqúem, persuadindo-os a rebelarem-se contra o governo dos filhos de Gedeão, que foram todos mortos por Abimélec, excepto Joatão (Juízes 8,29-9,21).
Há dois relatos elaborados sobre a revolta dos homens de Siquém contra Abimélec (Juízes 9,22-25; 9,42-49 e Juízes 9, 26-41).
Abimélec foi morto durante um ataque a Tebas, na porta da cidade, por uma mó de moinho atirada à sua cabeça por uma mulher (Juízes 9,50-57), facto que se tornou proverbial (2 Samuel 11,21).
A exemplo de outros juízes, Abimélec também fo um chefe militar que defendeu ou ampliou o território de Israel; no entanto o seu carácter exclui-o dasérie de herois carismáticos.

 

Abilena
Distrito governado por Lisânias, no início da vida pública de Jesus (Lucas 3,1). O centro localizava-se a cerca de 32 quilómetros a Noroeste de Damasco.

 

Abigaíl
Nome de significado incerto.
1. Mulher de Nabal, de Carmel, em Judá. Quando o seu marido se recusou a ajudar David e o seu grupo, Abigail evitou que David massacrasse toda a sua casa, indo ao seu encontro com provisões (1 Samuel 25,1ss). Depois da morte imprevista de Nabal, David tomou Abigaíl como mulher. Acompanhou-o na entrada em Hebron (2 Samuel 2,2), onde lhe deu um filho (Quileab). É descrita como sensata e de belo parecer.
2. Uma irmã de David (cf. 2 Samuel 17,25), mulher de um ismaelita (Jitra) e mãe de Amassá, que comandou o exército de Absalão (2 Samuel 17,25; 1 Crónicas 2,16-17).

 

Abiézer
“O pai [isto é, Deus] é auxílio”.
1. O clã de Jedeão (Juízes 6,11,24; 8,2,32). Provavelmente deve ser identificado com o clã de Iézer, da tribo de Manassés (Números 26,30; 1 Crónicas 7,18).
2. Um dos heróis de David (2 Samuel 23,27; 1 Crónicas 11,28; 27,12).

 

Abib
Nome do primeiro mês do antigo calendário hebraico. Chamar-se-á, mais tarde, Nisan, de acordo com o calendário babilónico. Equivale aproximadamente aos meses de Março-Abril. Foi nele que se verificou o êxodo do Egipto (Êxodo 13,4; 34,18; Deuteronómio 16,1). O antigo ano israelita começava no Outono, com as colheitas; foi sob a influência babilónica, nos séculos VIII ou VII a.C. que se operou a mudança para a Primavera. Os autores têm interesse em fazer coincidir o início do ano com o mês da libertação do Egipto.

 

Abiatar
“O pai [isto é, deus] excede”. Filho de Aimélec, da estirpe de Eli, único sobrevivente d família sacerdotal de Nob no massacre de sacerdotes realizado por Saul (1 Samuel 22,9ss.). Abiatar foi então ter com David e uniu-se ao seu grupo. É mencionado como sacerdote numa relação de oficiais de David (2 Samuel 20,25; 1 Crónicas 15,11) e também como seu conselheiro (1 Crónicas 27,34). Durante a doença que vitimaria David, Abiatar uniu-se ao partido de Adonias, o mais velho dos filhos sobreviventes de David. No entanto foi Salomão, outro filho de David, que subiu ao trono. Logo depois de Salomão chegar ao poder, Adonias foi assassinado mas a vida de Abiatar foi poupada devido ao seu sacerdócio. No entanto foi deposto das suas funções, tendo sido confinado à sua propriedade de Anatot (1 Reis 2,26-27).

 

Abiam, Abias
“Iahweh é pai”.
1. Filho e sucessor de Roboão no Reino de Judá (915-913 a.C.). A sua mãe chamava-se Maaca. Em 1 Reis, onde é julgado desfavoravelmente, nada se fala sobre o seu reinado além da sua guerra contra o Jeroboão de Israel. Esse juízo indica provavelmente que tolerou cultos pagãos nos lugares altos (1 Reis 15,1-8). O autor do segundo livro das Crónicas não tem uma desfavorável adversa face a Abiam: em 13,1-22 encontra-se a narração de uma batalha entre ele e Jeroboão; esta passagem é importante porque Abiam afirma que a sua vitória se deveu à sua fidelidade ao culto de Iahweh.
2. Um filho de Samuel (1 Samuel 8,2) que compartilhou a função do pai, sem no entanto o acompanhar na incorruptibilidade.
3. Filho de Jeroboão, rei de Israel. Morreu ainda menino, o que motivou a denúncia do monarca por parte de Aías (1 Reis 14,1ss.).
4. O nome pertenceu a outros três homens e a uma mulher, esposa de Ezequias (2 Crónicas 29,1; cf. 2 Reis 18,2).
5. Oitava classe ou divisão do sacerdócio do Templo (num total de vinte e quatro), à qual pertencia Zacarias, pai de João Baptista (Lucas 1,5). As classes dividiam-se para o serviço semanal do culto no templo (1 Crónicas 24,10; 2 Crónicas 5,11).

 

Abelha
É nomeada somente quatro vezes: Deuteronómio 1,44; Juízes 14,8; Salmo 118,12; Isaías 7,18. O mel, por seu lado, é mencionado com muito maior frequência. Somente em Isaías 7,18 há, talvez, uma referência à apicultura; as outras passagens falam da abelha selvagem.

 

Abel
Nome que significaria “vaidade”, “nulidade”. Abel era o segundo filho de Adão e de Eva; trabalhava como pastor. Como o seu sacrifício fosse agradável a Deus, foi morto pelo seu irmão Caim, por inveja (Génesis 4,2ss). A narrativa deste primeiro assassínio dá início ao relato da deterioração moral do homem depois da queda de Adão e Eva; essa degradação aumenta até ser detida pelo dilúvio. Abel é um herói da civilização pastoril, tendo sido o primeiro pastor, detalhe que noutra tradição (Génesis 4,20) é creditado a Jabel, um descendente de Caim.
O assassínio de Abel reflecte a luta interminável entre o pastor nómada e o camponês, representado por Caim. O relato manifesta simpatia pelo pastor, atribuindo o conflito a um delito original cometido pelo agricultor.
Abel é o primeiro homem a oferecer um sacrifício. A narrativa admite que a oferenda de animais é melhor do que as dos cereais. É provável que esta preferência manifestasse a atitude dos antigos israelitas nómadas em relação ao culto dos camponeses cananeus, embora estes também oferecessem sacrifícios de animais.
Em Mateus 23,35 e Lucas 11,51, Abel é recordado como vítima inocente de um homicídio. Em Hebreus 11,4, o seu sacrifício é louvado, mas em 12,24 o seu sangue, que clama por vingança, apresenta-se como menos eficaz do que o sangue redentor de Jesus.

ImagemMorte de Abel. Gustav Doré

 

Abdon
Etimologia incerta. Talvez abreviação do nome que significava “escravo de [nome de uma divindade]”. Nome pessoal de quatro homens do Antigo Testamento, o mais importante dos quais é o juiz “menor” Abdon, filho de Hilel, de Faraton (Juízes 12,13), cujos quarenta filhos e trinta netos cavalgavam setenta asnos, sinal de riqueza fabulosa. É também nome de uma cidade em Aser (Josué 21,30; 1 Crónicas 6,59).

 

Abdias
“Escravo de Iahweh”. É o mais breve dos profetas menores. A índole do seu livro – breve, vingativo e nacionalista – levou a que alguns investigadores considerassem que o livro não é digno da inspiração divina e de um lugar na Bíblia. No entanto este escrito não diz nada que não se encontre também noutras profecias. É constituído por apenas 21 versículos. O «Dia do Senhor» está perto (v. 15). Nesse dia, os malvados perecerão; não só as nações (v. 16.19-20), mas também os instrumentos de guerra e a sabedoria que apoiou a violência criminosa (v. 8-10). Mas depois há-de estabelecer-se o reino do Senhor (v. 21).
O nome Abdias encontra-se igualmente em mais nove personagens do Antigo Testamento. Deles, o mais importante é o intendente de Acab (1 Reis 18,3ss.).

 

Abed-Nego
Nome babilónico dado a Azarias, um dos companheiros de Daniel (Daniel 1,7).

 

Abbá
Forma aramaica enfática de ‘ab, “pai”, usada como vocativo (chamamento). Termo pronunciado por Jesus (Marcos 14,36) e usado pelos primeiros cristãos (Romanos 8,15; Gálatas 4,6), apresentando em cada passagem a tradução. Nas fórmulas de oração entre os cristãos de língua grega, usavam-se provavelmente ambas as formas (‘ab e abba). Cartas aramaicas indicam que se tratava do termo familiar usado pelas crianças; neste sentido empregou-o Jesus, invocando o Pai.

Imagem

Agonia de Jesus no Horto. Marcello Venusti

 

Abarim
Montes de Moab, entre os quais o Nebo, do cimo dos quais se podia contemplar toda a terra de Canaã (Números 27,12; 33,47s; Deuteronómio 33,49; Jeremias 22,20). São esses os cimos e as vertentes que dividem o planalto de Moab do Mar Morto.

 

Abaná
Um dos rios de Damasco (actual capital da Síria), com o Parpar (2 Reis 5,12). Provavelmente trata-se do actual Barada ou de um dos seus braços.

 

Aavá
Nome dado a uma localidade hoje desconhecida da Babilónia e/ou ao rio próximo da mesmas (Esdras 8,15,21,31). Neste local Esdras reuniu o grupo que devia ser repatriado para Jerusalém.

 

Aarão
É dito irmão de Moisés e de Maria, filho de Amram e Jocabed. Aparece como intérprete de Moisés (Êxodo 4,14; 7,1). Na narração de algumas pragas, é apresentado a empunhar o bastão; em outras aparece associado a Moisés. Esteve envolvido na construção do bezerro de ouro (escultura idolátrica) (Êxodo 32,1ss) mas não foi punido por isso. Morreu antes que os israelitas alcançassem Canaã (Terra Prometida). Além de algumas alusões ocasionais às tradições do êxodo, Aarão é recordado como o sacerdote (foi o primeiro sumo sacerdote), o ancião da "casa de Aarão" ou relacionado com os "filhos de Aarão" (que constituem uma família sacerdotal). No Novo Testamento, o seu sacerdócio imperfeito é colocado em contraste com o sacerdócio perfeito de Cristo (Hebreus 5,4; 7,11).

ImagemMoisés e Aarão diante do Faraó. Gustave Doré

 

Bibliografia:
Dicionário Bíblico, John McKenzie (org.), Paulus
Diccionario de términos religiosos y afines, Verbo Divino/Paulinas Editora
Dicionário Elementar de Liturgia, Paulinas Editora
Bíblia Sagrada, Difusora Bíblica
Actualizado em 06.08.09

Foto
Burt Glinn (Agência Magnum)

 

 

 

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