Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Livro sobre católicos LGBT denuncia exclusão na Igreja e encoraja respeito, compaixão e sensibilidade

«Respeito, compaixão e sensibilidade» para os católicos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero), de modo a resgatá-los das «valetas» da Igreja, constitui uma das mensagens do livro “Building a bridge” (“Construir uma ponte”), assinado pelo padre jesuíta James Martin.

Em vídeo recentemente publicado nas redes sociais por ocasião do lançamento da tradução espanhola do volume, intitulada “Tender un puente” (ed. Loyola), o religioso norte-americano descreve como o massacre de 49 pessoas num clube noturno gay de Orlando, em 2016, deu origem ao ensaio, publicado na versão original no ano seguinte.

«Quase toda a totalidade das vítimas eram pessoas LGBT, mas o que me surpreendeu e dececionou foi que, diferentemente de tragédias similares, muitos poucos bispos católicos expressaram as suas condolências», assinala. O silêncio da hierarquia deu-lhe a impressão de que, mesmo na hora da morte, os «irmãos e irmãs» LGBT são «invisíveis».

O livro convida a Igreja católica a «dirigir-se às pessoas católicas LGBT com respeito, compaixão e sensibilidade, que são as três virtudes recomendadas pelo Catecismo». «Também convida os católicos LGBT a tratar a Igreja institucional com as mesmas virtudes», já que «uma boa ponte deve levar as pessoas em ambos os sentidos».



Zaqueu, «curto de estatura», subiu a uma figueira, porque desejava ver «quem era Jesus». «E isso é precisamente o que desejam as pessoas LGBT: ver quem é Jesus»



No vídeo, James Martin mostra que está consciente dos ataques que o livro provocou e que o seguem para qualquer lugar em que está convidado a falar do seu ministério com as pessoas LGBT, que, afirma noutra gravação, «durante muitos anos foram insultados, excluídos e marginalizados, tratados como estrangeiros na sua própria Igreja».

«Há que dizer que (…) o livro se ajusta à doutrina da Igreja, que tem a aprovação expressa dos meus superiores jesuítas e que numerosos cardeais, arcebispos e bispos o subscreveram», realça o sacerdote, acrescentando que a obra «já se utiliza em várias paróquias dos EUA, em grupos de reflexão paroquial, em universidades e em casas de retiros».

Referindo-se ainda às críticas de que é alvo, o P. James Martin sublinha que «os católicos LGBT estão certamente nas fronteiras da Igreja e os Jesuítas são chamados a trabalhar nas fronteiras, nas periferias».

O vídeo prossegue com a explicação da estrutura do volume, que se divide em convites ao diálogo, a oração e a discussão em comum para ver como Deus pode estar a convidar a Igreja a aproximar-se das pessoas LGBT.



Diante das pessoas LGBT, «há duas maneiras de estar»: «Ou estás do lado da multidão, que murmura e se opõe a que a misericórdia chegue àqueles que estão nas margens, ou estás do lado de Zaqueu e, o que é mais importante, com Jesus»



«Para Jesus não existe “o outro”. Não há “nós” e “eles”. Há somente “nós”», frisa o religioso, que evoca o excerto bíblico do encontro entre Jesus e Zaqueu, considerado pelos judeus como pecador, por dedicar-se à coleta de impostos ao serviço do Império Romano.

Zaqueu, «curto de estatura», subiu a uma figueira, porque desejava ver «quem era Jesus». «E isso é precisamente o que desejam as pessoas LGBT: ver quem é Jesus», assinala o sacerdote.

«E a quem se dirige Jesus? A alguma das autoridades religiosas? A algum dos seus discípulos? Não! A Zaqueu! E o que lhe diz? Diz-lhe que é pecador? Grita para ele chamando-o “maldito cobrador de impostor”? Não!». Em vez de o afastar, Jesus convida-se para casa dele, no que é um «sinal público de acolhimento dirigido a alguém que é rejeitado».

Diante das pessoas LGBT, «há duas maneiras de estar»: «Ou estás do lado da multidão, que murmura e se opõe a que a misericórdia chegue àqueles que estão nas margens, ou estás do lado de Zaqueu e, o que é mais importante, com Jesus».

É disto que o livro trata, conclui James Martin: «[Mostrar] compaixão a todos os nossos irmãos e irmãs LGBT, a quem tanto queremos, no seio da Igreja».








 

Cameron Doody
In Religión Digital
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 31.10.2018

 

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos