

Faleceu na madrugada de hoje, aos 86 anos, o cineasta italiano Ermanno Olmi, que em 1965 dirigiu o filme "E venne un uomo", sobre momentos marcantes da vida do seu conterrâneo Angelo Roncalli, o papa S. João XXIII (1958-1963).
O ambiente familiar, o seminário, a ordenação sacerdotal, a ação como pároco de Sotto il Monte, os anos vividos na Bulgária, Turquia, Grécia e Paris, o patriarcado de Veneza e a eleição pontifícia são alguns dos passos biográficos evocados no filme de 86 min.
Cineasta, argumentista, cenógrafo, diretor de fotografia e produtor, Olmi nasce em Bérgamo a 24 de julho de 1931, de pai ferroviário e mãe camponesa, numa família «profundamente católica», refere a edição de hoje do jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano".
Assina a primeira longa-metragem em 1959, mas é em 1977 que obtém a consagração com "A árvore dos tamancos", protagonizado por atores não profissionais e falado em dialeto bergamasco, que vence o prémio máximo do festival de cinema de Cannes, a Palma de Ouro.
Em 1987 ganha um Leão de Prata em Veneza com "Lunga vita alla signora" e no ano seguinte recebe o Leão de Ouro com "A lenda do santo bebedor", adaptado de uma novela do americano Joseph Roth.
A obra, que narra a história de um vagabundo alcoólico a quem emprestam 200 dólares, na condição de os devolver a uma igreja assim que tiver condições de o fazer, é uma parábola sobre a redenção e o destino.
Voltou a ser distinguido em Cannes em 2001, com o multipremiado "Il mestiere delle armi", que narra os últimos dias de Giovanni De’ Medici, soldado ao serviço do Estado Pontifício durante a guerra da Itália na primeira metade do séc. XVI.
Contrariando a declaração de abandonar os filmes de ficção, realiza em 2011 "Il villaggio di cartone", dedicado às migrações, tendo no centro um sacerdote idoso que reencontra uma razão para a fé na ajuda imigrantes clandestinos.
De 2017 é o documentário "Vede, sou um de vós", sobre o cardeal Carlo Maria Martini (1927-2012), arcebispo de Milão, já exibido em Portugal por ocasião da Festa do Cinema Italiano.
«Cristo ajudou-me nos momentos mais difíceis. Falo de Cristo sem outros parentescos. E penso no mistério cósmico ao qual todos pertencemos e no qual o homem reconhece o sagrado da existência», afirmou em entrevista ao jornal italiano "Avvenire".