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"Noite das igrejas": Culto e cultura antiga e contemporânea unidas em iniciativa que atravessa a Europa

Mais de seis centenas de igrejas e capelas em França voltam a estar abertas após o pôr do sol entre 30 de junho e 7 de julho, naquela que é a oitava edição da "Noite das igrejas".

A iniciativa «permite às comunidades cristãs locais, mesmo nas povoações mais pequenas, vivenciar ou reapropriar-se da sua igreja, lugar da sua história e das suas raízes», considera o iniciador do projeto, o bispo Jean Legrez.

Ao mesmo tempo, acolhem-se amplamente todos aqueles que desejem (re)conhecer o património, como «artistas, visitantes, curiosos, pessoas que se interrogam, etc.», assinala o arcebispo de Albi.

Os programas, variados, incluem visitas guiadas ou à luz das velas, concertos, exposições de criações contemporâneas ou de paramentos e alfaias litúrgicas, leituras, tempos de oração.

A Conferência Episcopal Francesa refere que «os campanários, que fazem parte da identidade própria de uma aldeia ou povoação, são hoje, com demasiada frequência, sinais de igrejas fechadas. No entanto, estes edifícios que muitas vezes pertencem às instituições concelhias, são mantidos com solicitude».



«Fazer redescobrir aos visitantes o porquê e o como destas obras é hoje imperativo: trata-se de revestir de sentido o que parece tê-lo perdido. Por fim, é oferecida uma ocasião de estabelecer relações com artistas, mas também com os eleitos ou responsáveis de associações culturais»



«A comunidade humana local está muito ligada ao seu campanário como marca implantada no seu território. Mas os cristãos que vivem à sombra dessas igrejas, por vezes pouco numerosos localmente, podem contentar-se com essa situação? Não há realmente nada a fazer?», questionam os bispos.

Depois de sublinhar que «os cristãos de hoje são os herdeiros daqueles que lhes transmitiram esse património - arquitetura, esculturas, estandartes, ornamentos, vitrais, pinturas, ex-votos», o episcopado recorda a relação próxima entre a Igreja e a arte.

«As igrejas foram sempre espaços de criação artística: a visão dos artistas contemporâneos sobre o mundo permite reinventá-lo, de despertar os sentidos para a beleza que nos rodeia. O património não é só conservação de coisas velhas, mas é alimento para o presente».

Por isso, «as obras de arte, mesmo modestas, que as igrejas abrigam, são a memória das liturgias que serviram ou das práticas devocionais que acompanharam».

«Fazer redescobrir aos visitantes o porquê e o como destas obras é hoje imperativo: trata-se de revestir de sentido o que parece tê-lo perdido. Por fim, é oferecida uma ocasião de estabelecer relações com artistas, mas também com os eleitos ou responsáveis de associações culturais, cristãos que amam as suas igrejas», assinala a Conferência Episcopal.



«O limiar que cada um é chamado a transpor é o da igreja, mas também o de um momento de interioridade, talvez inesperado»



É uma «imagem forte» a possibilitada pelo projeto: «O sinal da noite, a visão de uma igreja iluminada do interior, grandes portas abertas para acolher todos aqueles que desejam entrar e que não o ousam habitualmente. Consciente da importância da experiência sensível para os seus contemporâneos, a Igreja católica tomou a iniciativa desta "Noite das igrejas".

«Transpor a porta da igreja é acolher quem passa, é ir ao encontro daquele que entra». E por isso «são numerosos os testemunhos» de quem atravessa o umbral «e das maravilhas que se descobrem».

Muitas vezes, a noite «termina com um momento mais espiritual: leitura de alguns textos da Escritura, lucernário, cantos, orações ou textos poéticos. O limiar que cada um é chamado a transpor é o da igreja, mas também o de um momento de interioridade, talvez inesperado».

Os cristãos, por seu lado, ao saírem da igreja, «são convidados a transpor o limiar do encontro, do diálogo e da partilha», assinala o episcopado francês.

A página dedicada ao projeto tem um espaço dedicado aos responsáveis da igrejas, com recursos para dinamizar o serão, e outro destinado aos potenciais visitantes, com um mapa e a indicação de horários e espaços mais interessantes a conhecer.

 

República Checa

Várias igrejas do país tiveram a 25 de maio a sua "noite", também com visitas, concertos, leituras bíblicas e exposições.

«A "Noite das igrejas" começou, como as grandes invenções científicas, por acaso. Em 2005 um sacristão de Viena descobriu que ao deixar as portas da igreja abertas durante a limpeza noturna, atraía os transeuntes, que entravam para ver o interior. Foi assim que começou a "Noite das igrejas" em Viena. Hoje em dia celebra-se na Áustria, República Checa, Eslováquia, Estónia e, recentemente, na Suíça», explicou o porta-voz do arcebispado de Praga, Stanislav Zeman.



«Diferentes eventos atraem diferentes tipos de público. Nos debates intelectuais e concertos mais exigentes vem um público diferente daquele que só quer subir a uma torre e ver o novo sino»



Na capital abriram 154 igrejas, capelas e oratórios, número que atingiu as três centenas na República Checa. «Quanto a visitantes, o ano passado registámos em todo o país 450 mil entradas», revelou o responsável.

Os motivos para as visitas variam: há quem procure observar a arquitetura, enquanto que outros pretendem participar nas celebrações litúrgicas ou orações.

«Diferentes eventos atraem diferentes tipos de público. Nos debates intelectuais e concertos mais exigentes vem um público diferente daquele que só quer subir a uma torre e ver o novo sino. Os turistas, por seu lado, vão para o centro de Praga. A tendência nos últimos anos é que as pessoas, a família, saem de Praga para algum lugar da Boémia Central que ainda não conhecem para ver uma igreja arquitetonicamente interessante ou com um programa pouco convencional», acrescenta Stanislav Zeman.

O interesse tem sido «surpreendente»: «Nestes nove anos o número de visitantes não deixou de crescer. Eu explico-o pensando que os checos não são totalmente ateus, como se diz com tanta frequência, no sentido de que negam a existência de qualquer coisa sobre nós. Como diz o professor Tomáš Halík, os checos são muitas vezes "alguistas", acreditam em algo sobre nós, mas muito poucos são capazes de identificar-se com uma igreja. Os checos são, diria eu, eternos buscadores, gente aberta, e poucos são de verdade ateus que não creem em nada metafísico e mais para lá da realidade material», assinala.


 

SNPC
Fontes: Conferência Episcopal Francesa, Radio Praha
Imagem: D.R.
Publicado em 07.06.2018

 

 

 
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