Observatório da Cultura
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Novembro 2009 [n.º 12]

Na mesma semana em que era lançada, em Portugal, uma edição literária da Bíblia, as declarações polémicas de uma voz da literatura, José Saramago, (re)acenderam o debate de que damos conta neste número do Observatório.

Não há dúvida de que a Bíblia, por razões profundas e, inclusive, contrastadas, está no centro da definição do projecto cultural comum. Os textos publicados (e que são
apenas uma parte do muito que circulou) estão ordenados pela data da sua edição.

Galileu e Saramago
Carlos Fiolhais: "Francamente, não consigo distinguir entre a teologia básica dos que condenaram Galileu e esta anti-teologia igualmente primitiva de um escritor contemporâneo."

Uma farsa
Vasco Pulido Valente: "O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum."

Evangelho de um primário
Daniel Oliveira: "Como reduzir um conjunto de textos tão complexo e contraditório a "absurdos" e "disparates"? Como pode um escritor resumir assim aquela que foi a fonte de inspiração de milhares de textos literários (até os dele), composições musicais ou obras de arte?"

Bíblia, violência e alteridade
P. José Tolentino Mendonça: "Passar de expressão violenta à proposição pacífica não acontece por um automatismo, pois nenhum discurso religioso está, na sua formulação, totalmente isento de violência."

Caim
Miguel Sousa Tavares: "Continuar a querer ver o catolicismo e a Igreja Católica como a religião do Antigo Testamento e das fogueiras da Inquisição não é um exercício intelectual sério."

Confronto na afabilidade
Fr. Bento Domingues: "Crentes e não crentes acusam-se, mutuamente, de intransigência e arrogância. Não desesperemos."

Saramago e a insustentável leveza da ignorância
Richard Zimler: "Penso que escrever sobre a repressão violenta e sobre os tratamentos cruéis é essencial, sobretudo quando se busca a criação de um mundo de mais justiça e humanidade."

«Caim» - a desilusão
Fr. Joaquim Carreira das Neves: "Porque é que a Bíblia continua a ser o «best-seller» de todos os livros e a inspiração para grandes romancistas, artistas, igrejas e catedrais?"

Um deslumbramento
Alice Vieira: "
A primeira prenda que me deu, tinha eu pouco mais de 20 anos, foi uma lindíssima edição inglesa da Bíblia. E disse: - Podes abri-la ao acaso, encontras sempre o que procuras."

Um estudo interminável
Fr. José Augusto Mourão: "O estudo da Bíblia é um trabalho interminável. Porquê? Porque o horizonte da interrogatividade humana e porque o processo da significância são intermináveis. E só deixará de ser assim quando a Palavra se tornar fetiche e, o ícone, ídolo."

Um livro admirável
José Mattoso: "Sem qualquer noção de texto simbólico ou do significado dos mitos, torna-se difícil, por exemplo, falar da iconografia, da literatura medieval e moderna ou até da música, que supõem referências bíblicas. Sem isso, a leitura de muitas passagens da Bíblia pode-se tornar chocante."

Biblioteca de estilos literários
Teresa Toldy: "Talvez um dos valores simbólicos da Bíblia esteja, precisamente, na sua qualidade de texto de muitos encontros."

6.º Encontro de Referentes da Pastoral da Cultura
A reunião congregará os responsáveis das dioceses, congregações religiosas e associações eclesiais relacionadas com a Pastoral da Cultura ou que pretendam iniciar um trabalho em rede neste domínio.

Leia o Observatório da Cultura n.º 12 em «pdf»

 

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