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Padre Manuel Antunes» foi um dos «melhores dos nossos maiores», diz Ramalho Eanes

«Tive o privilégio e a vantagem de conhecer, apreciar e estimar o padre Manuel Antunes», declara António Ramalho Eanes, primeiro presidente da República Portuguesa eleito por sufrágio universal direto.

Em texto publicado na edição de hoje do “Jornal de Letras”, o general que ocupou o Palácio de Belém durante dois mandatos (1976-1980, 1981-1986) escreve que com o religioso jesuíta aprendeu «que não só é possível mas também necessário conjugar pragmatismo com utopia, com sensata utopia».

A ação, sublinha, «mesmo a que responde a exigências imediatas», deve ser norteada por um «escrutinado e assumido projeto coletivo iluminado por uma sã utopia», porque, como escrevia o sacerdote, «sem esse mínimo de utopia será muito difícil – ou talvez impossível – culturalizar a sociedade e socializar a cultura».

«Muitas foram as vezes que recorri aos conselhos do padre Manuel Antunes, quer dirigindo-me diretamente a ele, quer perscrutando a sua obra», assinala Ramalho Eanes, considerado figura central na transição do regime ditatorial para o democrático, na sequência da revolução de 25 de abril de 1974.

Para o antigo chefe de Estado, as opiniões do P. Manuel Antunes «muito terão contribuído para procurar permanecer lúcido, socialmente responsável e coerente nos tormentosos tempos de Abril».

«A eles [conselhos] fui buscar inspiração e, até, engenho para responder ao meus mais importante e árduo trabalho político, nos primeiros anos da institucionalização da democracia: promover a tolerância e o pluralismo – já que, sem pluralismo, não há democracia, e, sem tolerância, não há lugar a verdadeiro pluralismo», assinala.

A terminar, Ramalho Eanes recorda que o P. Manuel Antunes foi agraciado com uma das «mais prestigiadas condecorações» de Portugal, a Ordem Militar de Santiago e Espada», evocando-o «como um dos “melhores dos nossos maiores”».

«O Padre Manuel Antunes, sj (1918-1985), é considerado um dos pensadores e pedagogos mais notáveis do século XX português. Ensinou várias gerações de estudantes, cerca de 15 mil, que frequentaram as disciplinas que lecionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desde 1957 até à sua morte», destaca a página do congresso internacional “Repensar Portugal, a Europa e a globalização – 100 anos – Padre Manuel Antunes, SJ”.

A iniciativa, que decorre de 2 a 6 de novembro na Assembleia da República, na Casa da Cultura da Sertã, vila onde nasceu, e na Fundação Calouste Gulbenkian, pretende «pensar os grandes temas e problemas» de Portugal «em articulação com as grandes questões da Europa e do mundo globalizado», contando com dezenas de oradores, entre os quais o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), José Carlos Seabra Pereira.

Em nome da Conferência Episcopal Portuguesa, o SNPC atribui anualmente desde 2005 o prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, com o patrocínio da Renascença, a um percurso ou obra que refletem o humanismo e a experiência cristã.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Jornal de Letras
Imagem: Padre Manuel Antunes agraciado por Ramalho Eanes | Imagem: Brotéria | D.R.
Publicado em 26.10.2018

 

 

 
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