Meditação
Dar nome às nossas feridas, assumi-las e entregá-las
Quando caminhava para Jerusalém, Jesus passou através da Samaria e da Galileia. Ao entrar numa aldeia, dez homens leprosos vieram ao seu encontro; mantendo-se à distância, gritaram, dizendo: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós! (Lucas 17, 11-13)
Uma mulher acompanhava o marido ao seu exame médico anual. Depois da consulta, o médico pediu para falar com ela em privado. «O seu marido está muito doente. O coração pode ceder a qualquer momento. Se quer que ele viva, tem de o proteger de toda a ansiedade e stress. Não discuta nem discorde dele. Faça o que ele pedir. Veja os jogos com ele na televisão. Aconteça o que acontecer, tem de o manter calmo e relaxado. A vida dele está nas suas mãos.
A mulher deixou o gabinete, juntou-se ao marido e foram para casa. “Então, querida”, perguntou ele, “o que é que o médico disse?”
“Disse que vais morrer.”
Todos nós vamos morrer. Mas antes dessa hora, há tratamentos importantes que têm de acontecer, não nos nossos corpos mas nos espíritos. Casa um de nós foi magoado de várias formas: em parte pela maneira como crescemos – que família é que é não algo disfuncional? À medida que o tempo passa, fomos feridos por pessoas más e pessoas boas, pelo azar e pela sorte – pela vida.

Há outro tipo de golpes que todos nós transportamos: os que são autoinfligidos pelos nossos pecados. Alguns são bem profundos e causaram grandes estragos nos nossos espíritos. Mas independentemente das suas características, cada um dos nossos pecados converge para a mesma coisa: retenção do nosso amor, retenção dos nossos dons quando eles precisam de ser oferecidos. Que estragos terríveis produzem nos nossos espíritos, que dessa maneira encolhem, endurecem, distanciam-se, fecham-se.
(De onde vêm a maior parte das depressões e crises da meia-idade? De ferimentos por curar e muitas vezes nem sequer identificados, que não conseguimos tratar.)
Algumas feridas no nosso espírito são tão profundas que parecem estar além de qualquer cura. Mas Jesus assegura-nos que não é assim. O Evangelho deste Domingo mostra-nos por onde começar: nomear as nossas feridas claramente e especificamente. É o que dizem os leprosos: “Estamos a decompor-nos, Senhor. Cura-nos.” Alguma vez chegámos a ser tão claros e específicos? Raramente. O que é mau porque, a não ser que demos nome às nossas feridas e as assumamos como nossas, nunca seremos capazes de as entregar integralmente a Deus para que Ele as cure. Nunca estaremos prontos a trabalhar com Deus nesse longo e lento processo pelo qual somos tratados.

Deus quer que cada um de nós esteja curado e feliz. Porque havemos então de desperdiçar mais tempo? Porque não optamos antes por olhar cuidadosamente para dentro de nós, ver as feridas escondidas desde há muito, nomeá-las claramente, assumi-las e então entregá-las a Deus?
Não há dúvida de que esta atenção às nossas feridas pode entristecer-nos. E entregar integralmente as dores e as feridas a Deus demorará muito tempo. Elas fazem tanto parte de nós que é difícil deixá-las partir! Mas a recompensa é uma vida inteiramente nova. «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos», diz Cristo (Mateus 11,28).
P. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad e adapt.: rm
© SNPC (trad.) |
10.10.10







