

A partir desta quinta-feira, 31 de maio, o papa poderá contemplar na sua residência no Vaticano a cópia de um dos seus quadros mais queridos, se não aquele com que sente maior afinidade, a "Vocação de S. Mateus", de Caravaggio (1571-1610).
Na audiência geral de hoje foi doada a Francisco uma cópia de Michelangelo Merisi, atualmente patente na igreja de S. Luís dos Franceses, etapa obrigatória para Bergoglio desde que, como cardeal, pernoitava em Roma.
O quadro, admirado anualmente por milhões de turistas, encerra o significado do moto escolhido por Bergoglio para o seu episcopado e que permanece no seu pontificado: "Miserando atque eligendo".
O mote foi extraído das homilias de S. Beda "o Venerável", que ao comentar o episódio evangélico da vocação de S. Mateus, escreve: «Vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me» (Viu Jesus um publicano e dado que olhou para ele com sentimento de amor e o escolheu, disse-lhe: Segue-me).
«Aquele dedo de Jesus assim… dirigido a Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus. É o gesto de Mateus que me toca: agarra-se ao seu dinheiro, como que a dizer: “Não, não eu! Não, este dinheiro é meu!”. Este sou eu: um pecador para o qual o Senhor voltou o seu olhar», afirmou Francisco em agosto de 2013, cinco meses após a escolha para papa.
Recordando a eleição, observou: «Isto é aquilo que disse quando me perguntaram se aceitava a minha eleição para pontífice: “Peccator sum, sed super misericordia et infinita patientia Domini nostri Jesu Christi, confusus et in spiritu penitentiae, accepto”» [Sou pecador, mas confiado na misericórdia e paciência infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo, confundido e em espírito de penitência, aceito].
«Nenhum daqueles que estavam ali [na cena pintada por Caravaggio], nem sequer Mateus, ávido de dinheiro, conseguia crer na mensagem do dedo que o indicava, na mensagem daqueles olhos que o fitavam com misericórdia e o escolhiam para o seguimento. Sentia o enlevo do encontro. É assim o encontro com Cristo que vem e nos convida», assinalou o papa em 2015.
A cópia, executada pela oficina Tifernate de Città di Castello, foi dada ao papa pelo fundador da empresa, Stefano Lazzari, acompanhado por uma delegação de altos responsáveis da produtora e estação televisiva Sky e Vatican Media.
Pintado com as mesmas técnicas e cores que se julga terem sido utilizadas por Michelangelo Merisi, o quadro foi realizado por ocasião do filme "Caravaggio, a alma e o sangue", produzido pela Sky e Magnitudo Film, em colaboração com a Vatican Media.
«É uma grande honra e uma grande satisfação ter podido dar ao pontífice este extraordinário quadro, uma obra-prima da arte de Caravaggio que sintetiza com força e dramaticidade o tema da misericórdia e do chamamento universal de Cristo», comentou, Lazzari, acrescentando que o objeto da pintura «é muito afim à mensagem que o papa Francisco propõe à Igreja e ao mundo».