
Uma leitura pedagógica do documento «Para uma Pastoral da Cultura»
Durante o III Encontro Nacional de Referentes da Pastoral da Cultura, o P. Jardim Gonçalves apresentou a sua leitura do documento "Para uma Pastoral da Cultura", editado em 1999 pelo Conselho Pontifício para a Cultura.
1.
- Trata-se de um texto que, apesar de ter sido publicado em 1999, ainda mantém alguma actualidade. O autor sublinha algumas das manifestações mais significativas do tempo e do espaço em que o documento foi escrito.
- No entanto surgiram algumas realidades novas. Se há partes frágeis no texto, elas resultam do facto de um documento de 1999 já não abarcar alguns acontecimentos relevantes – como é o caso, por exemplo, dos atentados de 11 de Setembro de 2001.
2.
- Acentuação positiva dos factos que marcaram no mundo, que não são evocados de forma ameaçadora.
- Na actividade da Igreja destaca-se a descoberta de Deus através do bem, do belo e da verdade. Este facto revela-se na dinâmica emprestada à Nova Evangelização.
3.
- Importância do pensamento e da tradição católicas: a palavra de Deus e a palavra do Magistério são os fundamentos de qualquer acção pastoral.
- Centralidade da relação: a cultura aprofunda o belo na medida em que estabelece uma relação amorosa entre Deus e os homens. Toda a obra manifesta uma relação (qualquer que seja o seu tipo) com Deus, com os homens, com a natureza.
- Ligação entre fé e razão. Não raro as expressões artísticas eclesiais, apesar da sua excelência, não manifestam a fé; por outras palavras, não há nenhum valor acrescentado, em relação à expressão da fé, que se intua nessas obras face a outras expressões realizadas por artistas que não estão sintonizados com o cristianismo.
4.
- A Pastoral da Cultura deve insistir em propostas positivas, pelo que não se deve deixar influenciar pela negatividade constantemente veiculada pelos meios de comunicação social.
5.
- A Pastoral da Cultura não pode ser realizada fora da Igreja nem ser exterior à história dos povos. Neste sentido a Igreja encontra-se com uma realidade coincidente com a sua dimensão católica.
6.
- É no conhecimento e na avaliação dos instrumentos que os cristãos ligados à cultura podem ser decisivos – por exemplo, através do conhecimento das motivações que guiam os artistas, ainda que as suas expressões sejam chocantes segundo o conceito.
- Hoje a Igreja precisa de um «laicado da cultura», que não pode ser constituído apenas pelas elites; o «laicado da cultura» deve incluir todas as pessoas que assumem, no interior da sua realidade, os modos e as expressões de um povo, desde que aqueles apontem para a vida e para a relação.
7.
- Há factores que desafiam a Igreja na sua missão: positivismo, ateísmo, liberalismo sem regras, entre outros.
- O documento aponta as consequências destes obstáculos na dimensão religiosa: refere-se, por exemplo, a New Age e as seitas, que também fazem cultura.
8.
- Selecção das áreas prioritárias para a Pastoral da Cultura.
- Não se pede a repetição do antigo, ainda que tenha tido êxito.
- A Pastoral da Cultura é chamada a uma organização mais eficiente e a uma utilização mais racional dos meios disponíveis.
© SNPC
Topo | Voltar | Enviar | Imprimir
![]()
