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Patronos do Vaticano veem arte e beleza como chaves para evangelização

O Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova Iorque, prepara-se para inaugurar a exposição “Heavenly bodies”, que de 10 de maio a 8 de outubro apresenta peças preciosas emprestadas pelo Vaticano, evento que está a suscitar grande interesse da comunicação social.

Menos divulgado é o facto de a mostra marcar o 35.º aniversário de uma significativa parceria entre aficionados da arte baseados nos EUA e a Igreja, através dos Patronos do Vaticano.

Fundada em 1983, depois de uma grande coleção de arte da Santa Sé ter visitado os EUA, a associação “Patronos das Artes nos Museus do Vaticano” emergiu da convicção de que filantropos americanos deveriam participar diretamente na conservação dos tesouros do Vaticano.

De acordo com o P. Kevin Lixey, diretor internacional dos Patronos do Vaticano, existem agora 20 delegações em todo o mundo, com 15 nos EUA.

Dos dois mil benfeitores que compõem os Patronos do Vaticano, Lixey estima que 1.600 são da América do Norte. Em síntese, ele diz que os patronos americanos doam aproximadamente 1 milhão de dólares por ano para projetos de restauração nos Museus do Vaticano.

Embora os patronos não tenham sido responsáveis ​​pelo grande restauro da Capela Sistina ocorrido entre 1980 e 1999, Lixey assinalou que a mesma energia e foco na preservação da arte da Igreja levaram os patronos americanos a procurar uma estrutura oficial na qual poderiam estar envolvidos em iniciativas semelhantes.

Antes de dirigir os Patronos do Vaticano, Lixey trabalhou no Conselho Pontifício para os Leigos, estrutura da Santa Sé, onde foi encarregado de servir como elo entre a Igreja e o mundo do desporto.

A sua nova missão, explicou, oferece uma oportunidade semelhante de levar as pessoas além dos círculos habituais para uma discussão sobre a Igreja: «A arte é uma peça de conversa» e «os Museus do Vaticano tornam-se uma porta para a Igreja para muitos que não são católicos».

O bispo Barry Knestout, de Richmond, Virgínia, constata uma ligação semelhante. Promover a beleza é intrinsecamente uma parte da «nova evangelização», frase popularizada pelos papas João Paulo II e Bento XVI para descrever uma nova proposta da fé para a cultura moderna.

Knestout, ex-arquiteto que se tornou padre, descobriu o trabalho dos Patronos do Vaticano há aproximadamente oito anos, enquanto bispo auxiliar na arquidiocese de Washington.

«Mais pessoas estão interessadas, compreensivelmente, nas obras de caridade da Igreja, mas a beleza é um caminho que pode levar as pessoas a uma apreciação mais profunda de Deus e da fé», disse o prelado.

«Se se pensa na nova evangelização, um dos caminhos mais eficazes na nossa era atual para apresentar as pessoas à ideia de Deus e da sua presença é o caminho da beleza», acentuou.

Mar Morosse, curadora e artista baseado em Nova Iorque e membro da delegação local dos Patronos do Vaticano, considera que «os americanos são, por natureza, muito generosos e comprometidos na arte e na cultura».

Ela credita a arte europeia como um meio para muitos americanos se ligarem às suas raízes, particularmente através das coleções do Vaticano, que ela acredita serem o «orgulho da comunidade católica globalmente».

Historicamente, o departamento dos Patronos de Nova Iorque tem sido, em nome dos projetos de restauração do Vaticano, um dos grupos de captação de recursos mais eficazes, e Morosse acredita que a inauguração da exposição no Metropolitan Museum of Art só aumentará seu entusiasmo.

Lixey concorda, destacando que a ampla cobertura de “Heavenly bodies: Fashion and the catholic imagination” é a prova de que «o Vaticano vende»: «Há muito burburinho em torno deste evento precisamente porque o Vaticano está envolvido. Isso mostra que há interesse e curiosidade».

O sacerdote pretende que a exposição seja uma oportunidade para os visitantes descobrirem a importância mais profunda das peças.

«A minha esperança é que algo tão sublime quanto as vestes que estão lá e toda a beleza das preciosas pérolas e fios de ouro seja mais do que uma declaração de moda». Porque, acrescentou, «o que está por trás disso é a salvação da missa. É inestimável e precioso por causa do que está a acontecer».

Para os patronos em Nova Iorque, a exposição «oferece-lhes uma oportunidade de falar sobre essa fé, a par do seu apoio de longa data ao Vaticano», apontou o P. Kevin Lixey.



 

Christopher White
In Crux
Trad.: SNPC
Imagem: Capela Sistina | Vaticano | D.R.
Publicado em 18.05.2018

 

 
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