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Paul Virilio, o filósofo que pensou a tirania da velocidade

Urbanista e filósofo, pensador cristão, convertido aos 18 anos, e visionário, Paul Virilio marcou o seu tempo pela fulgurância das suas intuições que a realidade se encarregou de verificar.

Durante muito tempo considerado como uma Cassandra, por alertar para a iminência de grandes catástrofes inerentes à evolução do mundo contemporâneo, o momento histórico em que viveu talvez não tenha tido suficientemente em conta a pertinência dos seus avisos.

Nascido em 1932 em Nantes, França, de um pai comunista e de uma mãe católica ficou marcado pelos bombardeamentos de 1943, que se refletiram na polémica igreja de Santa Bernardette de Banlay, em Nevers, por ele concebida em parceria com Claude Parent.

«Enquanto cristão, participo no que S. Paulo chamou de esperança contra toda a esperança», afirmou Virilio, que dirigiu a Escola Especial de Arquitetura de Paris entre 1968 e 1998.

Tempestuoso, sempre pronto a defender as suas ideias e a argumentar para suscitar a tomada de consciência, Virilio foi também um cristão comprometido, membro do Alto Comissariado para o alojamento dos desfavorecidos.

A sua filosofia fica marcada pelo pensamento sobre a velocidade, cuja «tirania», afirmava, «dessincronizou tudo». O tempo humano e o tempo tecnológico, sustentou, deixaram de estar articulados.

Este desequilíbrio crescente perturba gravemente o ambiente económico, político e cultural, ameaçando igualmente a democracia, ao diminuir o espaço da reflexão e da decisão.

Questionado sobre o perceção de que a Igreja católica não reage atempadamente à atualidade, resistindo à aceleração dos tempos, Virilo sublinhou que «não se trata de uma religião do passado, mas da memória».

«Por isso o seu ritmo não é o do progresso e da sua propaganda, mas o da sua história. Pode dizer-se que os diferentes concílios não são revoluções, mas revelações, revelações do tempo. Incluindo o Vaticano II», respondeu.

Para este urbanista falecido a 10 de setembro, aos 86 anos, a cidade, perímetro no qual o atentado massivo substitui o antigo campo de batalha, concentra todos os elementos de fragilidade da humanidade do século XXI.

"A inércia polar" (Dom Quixote, 1993), "Cibermundo: a política do pior" (Teorema, 2000) e "A velocidade de libertação" (Relógio d'Água, 2000) são obras de Virilio publicadas em Portugal.


 

Jean-Paul Raspiengeas / La Croix
Edição: Rui Jorge Martins
Imagem: Paul Virilio | D.R.
Publicado em 18.09.2018

 

 
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