Pastoral da Cultura em movimento
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Catálogo da Arte Sacra Móvel de Viana do Castelo e Arcos de Valdevez

A Igreja diocesana de Viana do Castelo, nos seus quarenta anos de existência como expressão autónoma do povo de Deus convocado à volta de um Pastor próprio, tem desenvolvido esforços significativos e meritórios se bem que limitados por diversas condicionantes, no sentido de preservar, inventariar valorizar o importante património artístico religioso existente no âmbito da Diocese. Nessa missão distinguiram-se várias personalidades, clérigos e leigos, entre as quais, pelo seu válido e persistente contributo dado a esta causa, de justiça citar o professor P. Dr. Lourenço Alves, sobejamente conhecido pelo apreciável trabalho levado a cabo, parte do qual se encontra publicado. Muitas das suas pesquisas e recolhas, porém encontram­se ainda nos manuscritos do seu arquivo pessoal, por limitações de saúde. Abordou vários campos da arte religiosa, de preferência os referentes ao património artístico imóvel: estamos a referir-nos ao seu estudo sistemático dos templos, igrejas ou capelas, aos cruzeiros, desta Diocese onde não falta uma multiplicidade de retábulos e também algumas peças de arte móveis concretamente de imaginária.

A partir de agora, a Igreja diocesana dispõe de um inventário minucioso de peças de arte religiosa, elaborado por pessoal competente na matéria referente a dois dos dez arciprestados da Diocese, que corresponde a dois dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo: os dos Arcos de Valdevez e Viana do Castelo. Por agora, apenas foi objecto de estudo o Património de Arte Sacra Móvel existente em cada uma das cinquenta e uma paróquias dos Arcos de Valdevez e das quarenta de Viana do Castelo, num total de 91 das 291 paróquias que integram a Diocese.

Além do inventário a que nos vimos referindo, foi publicado um Catálogo criteriosamente elaborado, onde constam as peças de major valor artístico e cultural das referidas regiões que poderão desde já ser apreciadas.

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Crucifixão, Aníbal Alcino, Capela do Seminário

O que neste momento apresentado ao público constitui um notório passo em frente nesta área do saber, só possível pelo contributo económico que nos foi possibilitado através de várias instituições. A Diocese, só por si, não dispunha de meios materiais para tão grande empreendimento.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, a Igreja teve a intuição do valor cultural e evangelizador da arte cristã, abundantemente testemunhado pela história da arte através dos séculos. A autêntica obra de arte uma potencial porta de entrada para a experiência religiosa, seja qual for o grupo religioso ou igreja a que se refere. Não será difícil reconhecer que o génio e a sensibilidade do homem são conaturais à verdade e a beleza do mistério divino.

Os artistas cristãos fizeram chegar até nós o produto das suas capacidades e criatividade, elaborando novos símbolos ou metáforas bem patentes na explosão do génio litúrgico, dotado de uma poderosa força criativa, radicada há tantos séculos nas profundezas do imaginário cristão e católico, exprimindo com beleza e permitindo-nos perceber omnipresença da graça. Os Livros Sagrados têm constituído manancial fecundo de inspiração artística capaz de atrair fiéis de todas as religiões bem como os não crentes, pela irradiação do belo e do verdadeiro.

Tal como qualquer actividade humana, a arte não tem em si mesma o seu fim absoluto: ela é ordenada à pessoa humana.

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Nossa Senhora do Rosário, S. Romão de Neiva

Ao mesmo tempo, o património cultural da Igreja testemunha uma fecunda integração entre a cultura e a fé, recurso permanente para uma educação cultural e catequética que une a verdade da fé à autêntica beleza da arte. Estes bens cultuais e culturais da Igreja continuam aptos a inspirar a existência humana e cristã no alvorecer deste Terceiro Milénio.

O cultivo da arte, via estética na procura do bem e do verdadeiro, constitui também um meio privilegiado para a pastoral da cultura. Permite um diálogo renovado entre a Igreja e as diversas instituições ou sociedades artísticas e com o mundo que nos rodeia. Uma mais valia dentro da nossa cultura actual marcada por um pragmatismo leve, por vezes insípido, alimentado por imagens frequentemente banais, quotidianamente despejadas pela televisão, filmes e videocassetes, etc.

Dos múltiplos campos por que se espraia o cultivo da arte, como arquitectura, iconografia, música nomeadamente a música religiosa, alfaias litúrgicas sob os seus aspectos documentais, históricos e pragmáticos, a Liturgia constitui, a este propósito um meio excepcional pela sua força de inspiração e pelas múltiplas possibilidades que ela oferece às diversas manifestações artísticas. Basta recordar a arte de trabalhar o ouro e a prata, a pintura, o entalhe da madeira e de outros materiais nobres que dão forma aos retábulos, púlpitos e ambões dos nossos templos...

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Cálice e patena de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, Samta Maria Maior.
Viana do Castelo. Na base da cálice, as armas e o seu lema:
«Ardere et Lucere - Nolite Conformari Huic Saeculo»

O património cultural a que nos estamos a referir postula algumas iniciativas que permitam salvaguardar, restaurar e valorizar o património cultural religioso existente, como também transmitir As novas gerações as riquezas da cultura cristã, fruto duma harmoniosa síntese entre a fé cristã e o génio dos povos. Isto quer dizer que está aberto o caminho para que uma das actividades especificas habituais da Diocese e das comunidades cristãs seja a de responder às potencialidades que nos oferecem os tempos livres e o gosto pelo turismo, com uma catequese através da arte; conceber itinerários devocionais de interesse, cobrindo as diferentes áreas diocesanas e constituindo uma verdadeira rede de lugares da fé que oferecem a oportunidade de usufruir o património espiritual e cultural, a que se vai chamando “turismo religioso”; editar publicações simples e claras, elaboradas com o auxílio dos organismos competentes, da Igreja e do Estado; criar organizações de guias católicos capazes de oferecer um serviço cultural de qualidade animado por um testemunho de fé; criar e desenvolver museus de Arte Sacra e de Antropologia Religiosa que privilegiem a qualidade dos objectos expostos e a apresentação pedagógica e viva dos mesmos, associando o interesse religioso ao da história, e evitando criar apenas depósitos ou armazéns de objectos; suscitar a formação e a multiplicação de acervo de peças de arte, origem para a elaboração de colecções temáticas, e de bibliotecas especializadas no património cultural, cristão e profano, de cada região abrindo amplas possibilidades de contacto a um número cada vez maior de pessoas.

Se o trabalho apresentado no inventário que deu origem a este Catálogo constitui um contributo notório em favor desta nobre causa, muito permanece ainda por fazer. Esperamos que o trabalho prossiga.

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Dalmática do séc. XVII, Arte Milanesa, Santa Maria Maior, Viana do Castelo

Permitam-nos que deixemos expresso nesta introdução ao Catálogo o nosso muito apreço, as nossas felicitações e a manifestação da nossa gratidão a todos os que contribuiram para que este projecto pudesse ter sido levado a bom termo: a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN) que nos abriu o acesso aos Fundos Estruturais da União Europeia através do projecto «Operação Norte»; a Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez e a de Viana do Castelo cujos Presidentes estabeleceram acordos de cooperação com a Diocese que implicaram uma dotação económica, sem o que não teríamos capacidade para aproveitar a oportunidade que nos foi oferecida; os coordenadores do projecto a nível da Diocese: o P. Dr. Eduardo Jorge Martins Parente e Dr. Alberto Antunes de Abreu.

Esperamos que este projecto tenha continuidade, estendendo a inventariação e catalogação do património cultural religioso móvel aos oito arciprestados da Diocese, que correspondem aos oito restantes concelhos do Distrito de Viana do Castelo.

 

Saiba mais:

Diocese de Viana começa a conhecer o património sacro

D. José Augusto Pedreira

Bispo de Viana do Castelo

30.05.2008

 

 

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Capa do catálogo

Editado pela Diocese de Viana do Castelo em 2007, o catálogo «Arte Sacra Móvel dos Arciprestados de Viana do Castelo e Arcos de Valdevez» apresenta imagens de centenas de peças inventariadas, acompanhadas da respectiva caracterização

Ao longo de 360 páginas, o percurso abrange pintura, escultura (o capítulo com maior número de peças), ourivesaria, mobiliário e têxteis, desde o Gótico até ao século XX

A tiragem desta edição foi de 500 exemplares

Se desejar obter mais informações sobre esta obra, consulte a página dos Referentes da Pastoral da Cultura para obter os contactos do responsável desta área na Diocese de Viana do Castelo


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