Pastoral da Cultura em movimento
Fé e cultura

A Igreja só foi verdadeiramente escutada e aceite quando se voltou para a cultura

Natural de Malhada Sorda, concelho de Almeida, o Padre José Júlio Esteves Pinheiro foi ordenado sacerdote a 20 de agosto de 1958. Fez uma licenciatura em Psicologia, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, e uma segunda licenciatura em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em França obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e depois o exigente e pouco vulgar Doctorat d’Etat. É, desde o início da Comissão Episcopal da Cultura, agora Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o Referente da Diocese da Guarda.

Excerto de entrevista concedida ao Jornal A Guarda.


O que é a Pastoral da Cultura?

Adivinhando que me iam fazer esta pergunta eu mesmo coloquei a questão aos participantes na reunião a nível nacional que teve lugar em Fátima no dia 31 do mês passado. Embora me dessem muitas respostas, não tive uma resposta. O problema é fazer sínteses. Os presentes eram encarregados pela Pastoral da Cultura, vindos de todo o país. Afinal a questão é mais uma interrogação do que uma pergunta. Esta exige uma resposta. A interrogação só quer aprofundar. No entanto sempre adiantarei que é uma atividade da Igreja que procura estar atenta ao mundo da cultura, às suas atividades e pretende ser um serviço de colaboração com todos os que trabalham neste campo da atividade. Em muitas dioceses encontram-se unidos os secretariados dos Bens Culturais, da Comunicação Social e da Pastoral da Cultura. Existe aliás uma Comissão Episcopal dirigida pelo Bispo D. Manuel Clemente, de que tem feito parte o nosso Bispo, e que engloba estas três vertentes. Sendo assim o conceito de Pastoral da Cultura alarga-se muito mais, chegando a englobar a pastoral universitária e outros movimentos que unidos têm mais força.


Como delegado da Pastoral da Cultura, quais as suas características específicas?

Para responder a esta pergunta transcrevo o que o Senhor Bispo pede no Decreto de nomeação. «Entre outras funções possíveis terá estas funções: 1 - Fazer a ligação da Diocese com o correspondente órgão da Conferência Episcopal Portuguesa; 2 - Dialogar e estabelecer eventuais parcerias com as instituições promotoras de cultura no âmbito da nossa Diocese e promover em nome da Diocese eventos culturais a que as mesmas possam ser associadas; 3 - Promover o Boletim Diocesano, com periodicidade a determinar».

Dando cumprimento ao que nos é solicitado participámos em todas as reuniões programadas pela Conferência Episcopal. A nível diocesano muitas vezes tenho representado o nosso Prelado em eventos culturais, sempre que, convidado, não pode estar presente. Com os vereadores responsáveis pela cultura nomeadamente das Câmaras da Guarda, Penamacor, Trancoso levámos a efeito Conferências e Colóquios que tiveram grande êxito. Este ano haverá um Colóquio em Belmonte que nós sugerimos, mas que a Câmara vai levar a efeito com a nossa colaboração.

Creio ser de toda a justiça agradecer aqui a ação competente e inovadora do Doutor Moutinho Borges, que, embora residindo em Lisboa, colabora com o secretariado diocesano. Duas notas é forçoso salientar. O nosso Bispo esteve sempre presente, apesar dos seus múltiplos trabalhos, participando ativamente, por vezes com comunicações. Uma outra nota a realçar é que as Câmaras têm dado toda a colaboração às nossas sugestões. Por ter sido solicitado mais vezes não posso deixar de agradecer ao Senhor Vereador da Cultura da Câmara da Guarda, Dr. Virgílio Bento e aos seus auxiliares toda a disponibilidade, toda a ajuda solicitada. Quando se ama a cultura tudo é fácil. Outras Câmaras já foram contactadas para futuras ações nos próximos anos nomeadamente, Manteigas e Almeida. Os párocos, as mordomias, as associações culturais podem contar sempre com os nossos serviços. A cultura é um bem de todos e para todos. Amar a cultura é subir e quem sobe converge, como dizia Santa Teresa.


Como vê a criação de um Museu de Arte Sacra, na Diocese?

A resposta será muito idêntica à anterior. A criação do Museu é importante, necessária e exigente. É preciso ter gente especializada, com saber próprio, com competência para que o Museu possa ser uma casa viva. Nós, os sacerdotes, não podemos saber tudo. Há leigos especializados neste saber especializado. Os exemplos de algumas dioceses poderiam ajudar a abrir caminhos. Felizmente na Diocese coisas belas estão acontecendo.


E a publicação do Boletim da Diocese da Guarda, de que é diretor?

Em muitas Dioceses existem Boletins. São bastante semelhantes e diferentes. Há aqueles que dão relevância a Roma, aos escritos do Papa. Outros fazem simplesmente a história da Diocese respetiva com todos os pormenores. Uns são anuais, outros saem duas três vezes ao ano. Outros, quando é possível. As finalidades divergem, os conteúdos também, conforme a especificidade de cada Diocese.

Ora entre nós existem publicações que todas as semanas dão conta do essencial que acontece na Diocese, como encontros, reuniões, visitas pastorais, intervenções do Prelado, etc. Estou a pensar nos jornais A Guarda, Notícias da Covilhã, Amigo da Verdade, sem falar de muitos boletins paroquiais que são voz da Diocese. Por outro lado temos o Anuário com indicações imediatas, necessárias. Existe também uma brochura com a Programação das atividades dos movimentos diocesanos.

Perante este facto o Boletim passou a ter nas suas páginas sobretudo as homilias, as mensagens, as conferências e comunicações do nosso prelado. Outros prelados as publicam, mas com outro título diferente. O importante é que se registe tudo o que é útil para conhecer a Diocese, e se guarde a memória, isto é, a identidade, como a palavra memória sugere etimologicamente. (...)

Muito do que se faz na Diocese no campo da cultura deve-se ao nosso Bispo que trouxe um espírito de renovação. Homem de cultura, antigo professor universitário, com um Doutoramento em História da Igreja tinha que nos trazer e dar o que lhe é querido, a formação de padres e leigos, enfim, a cultura. Procedendo assim está a seguir o espírito da Igreja atual, está na esteira do atual Papa, segue as suas indicações.

De resto todos sabemos que amar a cultura é prestar culto, pois a palavra cultura vem de culto, culto aos homens e a Deus. Por outro lado todos sabemos que a Igreja só foi verdadeiramente escutada e aceite, quando se voltou para a cultura.

in Jornal A Guarda

19.02.2009

 

Subscreva

 

Topo | Voltar | Enviar | Imprimir

 

 

barra rodapé

Foto
P. Júlio Pinheiro
5.º Encontro Nacional de
Referentes da Pastoral da Cultura
Fátima, 31.01.2009







































































































Edição mais recente do ObservatórioOutras edições do Observatório
Edição recente do Prémio de Cultura Padre Manuel AntunesOutras edições do Prémio de Cultura Padre Manuel Antunes
Quem somos
Página de entrada