
A nossa pátria é o Céu
Considerai, meus irmãos muito amados, que havemos renunciado ao mundo, e que estamos sobre a terra como estrangeiros e viandantes. Saudai o dia que assinala para cada um a sua verdadeira morada, o dia que nos liberta dos laços desta vida para nos levar ao Paraíso e ao reino celeste. Quem, com efeito, vivendo sobre terra estrangeira, não se adianta por regressar à sua pátria? Que homem, atravessando os mares para volver à família, não deseja uma vento favorável para abraçar os seus entes queridos? A nossa pátria é o Céu: aí estão os nossos antepassados, ou seja, os patriarcas; porque não nos apressaremos para gozar da sua visão? Lá nos esperam quantos nos são caros: os nossos pais, os nossos irmãos, os nossos filhos, toda a assembleia dos bem-aventurados, certa da sua imortalidade, mas inquieta pela nossa salvação. Que alegria, para eles e para nós, reencontrarmo-nos, de nos reunirmos novamente! Que gozo, o de habitar o reino celeste sem medo de morrer e com a certeza da vida eterna! Poderá haver felicidade mais completa? Ali se encontra a assembleia gloriosa dos apóstolos, o coro dos profetas, a multidão incontável dos mártires vitoriosos nos combates e no sofrimento. Ali estão as virgens triunfantes que venceram com as leis da castidade a concupiscência da carne. Ali estão os misericordiosos que repartiram pelos pobres esmolas abundantes e que, segundo o preceito do Senhor, transportaram o seu património terrestre para os tesouros do céu. Apressemo-nos, irmãos, para nos juntarmos a essa augusta assembleia; suspiremos por ser acolhidos com ela na presença de Cristo. Que esse pensamento seja conhecido de Deus; que Cristo, nosso Mestre, o faça gravado nos nossos corações. Mais ardentes serão os nossos desejos, e mais abundante será a recompensa que ele nos destina.
S. Cipriano de Cartago
Da Mortalidade (Do desejo do céu)
RF
26.05.2008
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