
Pelas pessoas a quem podes dar e não dás se contarão as injustiças que cometeste
Havia um homem rico e havia também um homem pobre chamado Lázaro (Evangelho)
E os teus bens presentes, donde te vieram? Se dizes: do acaso, és um ateu, pois não reconheces o Criador, e não agradeces àquele que tos enviou. Se confessas que vêm de Deus, diz-nos por que razão os recebeste. Deus será injusto, ao distribuir desigualmente os bens necessários á vida? Porque serás tu rico e aquele pobre? Não será para que a tua bondade e a tua recta administração recebam o seu prémio, enquanto que o pobre terá a honra de receber a recompensa magnífica prometida à paciência?
Mas tu que escondes os teus tesouros no seio da tua insaciável avareza, pensas não prejudicar ninguém, abandonando tantos desgraçados? O que é um avarento? Aquele que não se contenta com o que basta. O que é um espoliador? Aquele que tira do que lhe não pertence. Não serás tu um avarento? Não serás tu um espoliador, tu que tratas como próprios os bens que recebeste para governar? Aquele que despe um homem de seus fatos é chamado ladrão, aquele que, podendo-o fazer, não veste a nudez do pobre, será digno de outro nome? O pão que arrecadas pertence ao que tem fome; é do homem nu o capote que guardas nos teus cofres; daquele que não tem que calçar, os sapatos que apodrecem na tua casa; o dinheiro que guardas escondido é do pobre necessitado. Pelas pessoas a quem podes dar e não dás se contarão as injustiças que cometeste.
S. Basílio
Homilia sobre São Lucas, 7. P.G. XXI
14.08.2008
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