História e espiritualidade
Dezassete séculos de vida monástica (7): Cisma e apogeu da espiritualidade ortodoxa
O século XI marca o apogeu da vida monástica no Império Bizantino (do nome da sua capital, Bizâncio, a antiga Constantinopla, atualmente Istambul, na Turquia).
Cerca do ano 860, dois monges nascidos na cidade grega de Tessalónica, os irmãos Cirilo e Metódio, iniciam a evangelização dos povos eslavos. Para melhor anunciarem a mensagem, criam um novo alfabeto, mais tarde denominado de cirílico, ainda hoje utilizado na Rússia e e em alguns países vizinhos.
Em 963, o eremita Atanásio funda um primeiro mosteiro na quase ilha do Monte Athos. A Polónia, e depois a Rússia, à semelhança dos seus príncipes, convertem-se ao cristianismo. No ano 1000 é a vez da Hungria abraçar a fé cristã.
O ano de 1054 assinala habitualmente a data da separação oficial entre as Igrejas do Ocidente (católica de língua latina) e do Oriente (ortodoxa de língua grega). Mas a unidade havia sido rompida antes, devido a rivalidades entre os imperadores romanos e bizantinos e também entre os papas de Roma e os patriarcas de Constantinopla.

A cisão marca o nascimento de uma nova Igreja cristã, dita ortodoxa (do grego orthos, “direito”, “justo”), que se considera mais fiel à herança do cristianismo original do que a Igreja católica.
A espiritualidade bizantina tem como modelo a vida dos Padres do Deserto, que consagraram a sua vida à oração e contemplação. No século III, um deles, Atanásio de Alexandria, dizia: “Deus fez-se homem para o que o homem se faça Deus”, teologia cuja influência se vai estender a todo o Oriente.
Destacam-se, pela sua relevância, três comunidades monásticas: o Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai, situado no lugar onde, de acordo com a Bíblia, Deus falou com Moisés numa sarça ardente; o Stoudion, em Constantinopla, e o Monte Athos, que no século XI contava 180 mosteiros.

Os monges ocupam um lugar central na Igreja ortodoxa. São pais espirituais da comunidade cristã, a quem dão bispos e grandes teólogos. Estes doutores da fé privilegiam o Espírito Santo e três mistérios: a Trindade, a Incarnação e a Transfiguração. A sua teologia exalta a “deificação” do ser humano criado à semelhança de Deus.
Os religiosos ortodoxos são também teólogos da beleza, que caracteriza as suas celebrações litúrgicas e a sua arte do ícone, que alastrou aos católicos e protestantes durante o século XX.
Os ortodoxos são hoje duzentos milhões, principalmente na Grécia e Europa oriental. A Rússia é o maior Estado de maioria ortodoxa. A vida monástica prosperou no país até à Revolução bolchevique de 1917: sob o último czar, Nicolau II, havia 1257 mosteiros masculinos e femininos e mais de 33 mil monges e 73 mil monjas. Em 1930, sob o regime de Estaline, a vida monástica desapareceu quase por completo.
Monte Athos
O ressurgimento desta tradição foi assegurada nos países vizinhos (Roménia, Finlândia, Polónia, Estónia...) e em territórios de acolhimento mais longínquos (França, América do Norte e do Sul).
Depois da dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, os mosteiros retomaram as suas atividades.
Na Grécia, o Monte Athos serve de barómetro dos efetivos monásticos: em 1903, havia 7432 monges, sendo quase metade proveniente da Rússia; hoje não serão mais do que dois mil, na maior parte gregos, distribuídos por 20 mosteiros, além das grutas onde vivem os eremitas.
In Pèlerin
Fotografia: Mosteiros no Monte Athos
Trad.: rm
© SNPC (trad.) |
04.07.10

Santos Cirilo e Metódio
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