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Pedro Fabro: Novo santo da Igreja esteve em Portugal e o papa Francisco admira a sua capacidade de «diálogo com todos»

A capacidade de dialogar com opiniões diferentes e a doçura são dois dos traços que o papa Francisco mais aprecia em Pedro Fabro, (Le Villaret, atualmente França, 1506 – Roma, 1546), que desde esta terça-feira foi inscrito no Livro dos Santos da Igreja católica.

«O diálogo com todos, mesmo os mais afastados e os adversários; a piedade simples, talvez uma certa ingenuidade, a disponibilidade imediata, o seu atento discernimento interior, o facto de ser um homem de grandes e fortes decisões e ao mesmo tempo capaz de ser assim doce, doce», foram realçados por Francisco na entrevista publicada em setembro pelas revistas dos Jesuítas.

Em artigo publicado no jornal italiano “Avvenire”, Antonio Spadaro, autor da referida entrevista ao papa, destaca o facto de Pierre Favre ter sido um «peregrino imparável e caminhante nato».

«Aproveitava as longas viagens, habitualmente feitas a pé, para disseminar a oração e a atividade sacerdotal, mostrando assim, também a nós hoje, como se pode conjugar uma vida ativa extraordinária com uma profunda união com Deus», assinala.

Por outro lado, acrescenta, Fabro «incarnou uma abertura mental e espiritual em relação aos desafios da sua época, sobretudo a reforma protestante. Se algumas das suas regras ecuménicas tivessem sido acolhidas e postas em práticas no seu tempo, talvez a história religiosa da Europa tivesse sido diferente. Não era um sonhador, mas um místico de profunda doçura».

Spadaro lembra que «Michel de Certeau definia Fabro simplesmente como o “padre reformado”, para quem a experiência interior, a expressão dogmática e a reforma estrutural são intimamente indissociáveis».

O jornalista salienta que a ação do atual bispo de Roma pode ser lida à luz da obra e do testemunho escrito do novo santo: «Parece-me entender (…) que o papa Francisco se inspira neste tipo de reforma».

«Fabro está convicto de que é ao nível da complexidade dos sentimentos e dos afetos espirituais – nos quais o homem aprende a dialogar com Deus e a sentir o mistério – que se tomam as grandes decisões», aponta o diretor da revista “Civiltà Cattolica”.

Pedro Fabro, membro da Companhia de Jesus, como o papa Francisco, passou por territórios que hoje pertencem à França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Alemanha, lê-se esta quarta-feira em artigo igualmente publicado no site do “Avvenire”.

«Dotado intelectualmente e desejoso de estudar (“Chorava para que me concedessem ir à escola”, recordará no seu diário espiritual), pôde realizar o seu sonho graças à ajuda de um tio sacerdote, que lhe permite chegar aos 19 anos à Sorbonne de Paris, onde se licencia em filosofia», revela Andrea Galli.

Além de conhecer figuras proeminentes da cultura europeia, encontra na capital de França um estudante basco 15 anos mais velho do que ele, Inácio, com quem partilhará o alojamento no Colégio de Santa Bárbara. Fabro tornar-se-á tutor do fundador dos Jesuítas nas humanidades e nas artes, enquanto que este assume a orientação espiritual do primeiro.

«Pela sua cultura, a sua sensibilidade humana e a sua profunda vida interior – influenciada também pela mística renana – Fabro deixa um sinal por onde passa. O seu exemplo é crucial na vocação jesuíta dos santos Francesco Borgia, que encontra em Barcelona quando este é ainda duque de Gandia, e de Pedro Canísio, o apóstolo da Alemanha», assinala Andrea Galli.

É Canísio que escreve do seu confrade: «Nunca vi ou ouvi um teólogo mais culto e mais profundo, ou um homem de tal e impressionante e excecional santidade. Cada sua palavra, seja na conversa, seja nos encontros amigáveis, mesmo quando se está à mesa, é inspirada pelo respeito a Deus e à piedade, e nunca se torna tedioso ou aborrecido para os seus ouvintes».

Fabro morre com apenas 40 anos, mas além do seu testemunho deixa um diário espiritual, “Memorial”, obra fascinante para Jorge Mario Bergoglio, que na Argentina, enquanto responsável máximo pelos Jesuítas no país, encomendou a dois especialistas a publicação de uma edição crítica.

Na sua primeira exortação apostólica, “A alegria do Evangelho”, Francisco incluiu um pensamento de Fabro: «O tempo é o mensageiro de Deus» (n. 171).

 

Antonio Spadaro, Andrea Galli (in Avvenire)
Redação: Rui Jorge Martins
© SNPC | 19.12.13

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Pedro Fabro

 

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