

A cineasta Liliana Cavani é a primeira mulher a ser galardoada com o prémio Bresson, atribuído pela Fundação Ente dello Spettacolo e pela “Revista del Cinematografo”, ligados à Igreja católica em Itália.
O prémio anual instituído em 1999, e que distinguiu o realizador português Manoel de Oliveira, será entregue a 4 de setembro, por ocasião do 75.º Festival de Cinema de Veneza, que começa esta quarta-feira, 29 de agosto, e decorre até dia 8.
A distinção, patrocinada pelo Dicastério para a Comunicação e pelo Conselho Pontifício da Cultura, estruturas do Vaticano, é concedida a um cineasta «que tenha dado testemunho com o seu trabalho do difícil percurso de procura do significado espiritual da existência», lê-se na página da Fundação.
Nascida em Itália em 1933 de uma família operária, Liliana Cavani obtém o grau do ensino superior em Literatura Clássica mas decide dedicar-se ao mundo do espetáculo, obtendo o diploma do Centro Experimental de Cinematografia, em Roma, com duas curtas-metragens sobre o tema do racismo, realizadas em 1961 e 1962.
Depois de dirigir diversos documentários para a televisão italiana, assina, também para a RAI, a sua primeira longa-metragem, “Francisco de Assis” (1966), santo a que voltará em 1989, com “Francisco”, protagonizado por Mickey Rourke, e em 2014, para a TV.
Apreciada por Pier-Paolo Pasolini, a carreira de Cavani prosseguiu com trabalhos para o pequeno e grande ecrãs, bem como na direção de peças líricas. Em 1965 dedicou um documentário a Charles de Foucauld e em 2012 voltou ao mesmo registo cinematográfico com um trabalho sobre monjas clarissas.