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História

Presidente do Centro Nacional de Cultura evoca 50 anos da fundação da revista "O Tempo e o Modo"

O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que a revista "O Tempo e o Modo", fundada há 50 anos por um grupo de católicos, foi um «marco fundamental na renovação do debate de ideias no início dos anos sessenta» em Portugal.

Em texto enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins lembra o primeiro número da publicação, publicado a 29 de janeiro de 1963, e o debate fulcral em torno da abertura da revista a autores não católicos.

«Abrir ou não abrir? – eis a questão. Foi feita uma votação. João Bénard recorda: “um de nós sugeriu que se rezasse uma Avé-Maria para que o Espírito Santo nos iluminasse”. Resultado: cinco votos a favor da abertura, dois contra. A abertura estava decidida!», recorda.

Guilherme d'Oliveira Martins sublinha que não é possível «compreender o que se passou até 1974 [revolução que instaurou a democracia], e depois, sem conhecer o que a geração que lançou a revista foi capaz de pensar e de agir».

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«Basta folhearmos os números, para percebermos os sinais proféticos desconcertantes (perante a “desordem estabelecida”) e o anúncio de um caminho aberto, europeu, assente na democracia», num tempo marcado pelo regime ditatorial e pela censura que também chegou a "O Tempo e o Modo".

No editorial do número 1 é sublinhado que se «deve ver com ousadia se as relações dos homens uns com os outros se processam efetivamente em coordenadas de verdade e de justiça, ou, se, uma e outra, se encontram gravemente comprometidas através de formas diversas de opressão, latente ou organizada, do corpo ou do espírito».

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«Pretendemos lutar, a nosso modo e também, contra a geral "desordem estabelecida", isentos de qualquer confessionalismo ou partidarismo político concreto, preocupados em localizar e fazer incidir o nosso esforço sobre a análise, clarificação e resolução dos problemas que afetam o nosso tempo particular, propondo-nos especialmente - refletindo uma conceção libertadora e progressiva da História e da Pessoa Humana, que acentue o primado desta sobre as necessidades materiais e técnicas coletivas em que se baseia o seu desenvolvimento - estudar com atenção crítica todas as formas de regressão e entrave a esse seu progressivo desenvolvimento, quer no que se refere à organização e governo da cidade, quer ao contexto sociológico, libertador ou opressivo, das expressões religiosas, culturais e económicas em que o homem se move e o condicionam», lê-se no editorial.

ImagemTexto visado pela censura

O primeiro número continha artigos de Mário Soares e Jorge Sampaio, que viriam a ser presidente da República no regime democrático, uma análise sobre o Concílio Vaticano II (1962-1965) e um texto de Ruy Belo sobre "Poesia e Arte Poética em Herberto Helder"., além de uma secção de "Artes e Letras".

No texto intitulado "'O Tempo e o Modo' - Uma revista diferente", acessível no fim deste texto em "Artigos relacionados", o presidente do Centro Nacional de Cultura lembra a composição da redação, que incluía António Alçada Baptista, João Bénard da Costa e Pedro Tamen, bem como os temas quentes que provocaram intenso debate dentro da equipa.

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O Centro Nacional de Cultura lançou em DVD as revistas publicadas entre 1963 e 1970. A publicação viria a ter uma segunda série, até 1977, que apesar de manter o nome demarcou-se da linha editorial assumida inicialmente.

Guilherme d'Oliveira Martins apresenta a 18 de junho, pelas 18h00, na Biblioteca Museu República e Resistências - Espaço Cidade Universitária, em Lisboa, a comunicação "O Tempo e o Modo: revista de pensamento e acção (1963-1977)".

As imagens que compõem este artigo foram retiradas do site da Hemeroteca Municipal de Lisboa (R. S. Pedro de Alcântara, 3), que até 16 de março apresenta uma mostra bibliográ fica sobre a revista.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 03.02.13

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Capa do número 1

 

 

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