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«Proibido lamentar-se»: Papa Francisco prefacia livro de psicoterapeuta

O aviso «proibido lamentar-se», que o papa afixou no verão de 2017 à porta do gabinete onde recebe pessoas, no Vaticano, tem origem no título de um livro do psicoterapeuta italiano Salvo Noè, cuja reedição conta com o prefácio do próprio Francisco.

A advertência “Vietato lamentarsi”, seguida da explicação «Lei n.º 1 sobre a salvaguarda da saúde e do bem-estar», inclui breves citações do autor, entre as quais se destaca a última, «para de lamentar-te e age para mudar a tua vida para melhor».

Na obra das edições San Paolo, disponível a 11 de março em Itália, o papa sublinha que o autor propõe múltiplas pistas para enfrentar «as dificuldades e os imprevistos, evitando cair na armadilha da vitimização», adianta a página Vatican News.

Trata-se de perspetivas que também interessam à fé, que se «ressente do tempo em que vive», aponta Francisco, para quem é fundamental não se deixar «dominar pela tristeza devida às injustiças sofridas e pelas aflições» que a vida reserva, mas «melhorar a realidade» a partir do «coração» e das «relações», porque «o amor abre os olhos» e o «abraço abre o coração».

Se há pensamentos e palavras que envenenam a existência – os que se voltam contra os outros e contra a própria pessoa –, há também aqueles que «abrem à relação, ao escape benéfico, à oração que restaura», como os dirigidos a Deus.

Encontrar-se a si próprio quer dizer «colocar-se nas mãos de Deus», para se ser acompanhado por um Pai que «ama e que com paciente delicadeza» indica o caminho. Jesus, prossegue o papa, mostra como andar contracorrente, como viver plenamente, recusando passar os dias imerso em «lamentações» e «arrependimentos».



A 14 de junho de 2017 o papa saudou Salvo Noè, que lhe ofereceu um exemplar do livro e um pequeno cartaz: «Vou colocá-lo à porta do meu gabinete onde recebo as pessoas», disse-lhe Francisco



Ninguém é um «super-homem», mas todos são «destinatários privilegiados do amor fiel de Deus, que sabe mudar o lamento em dança». «No coração de cada um há um pouco de pó que se depositou, de ferrugem que se formou», mas o encontro com Deus abre para a cura.

«A mão do Senhor» retira o ser humano «do abismo das feridas e dos remorsos», ajudando a «optar pela vida, procurar o próximo, acolher cada dia como uma ocasião para dar, lutando para eliminar a lamentação da vida, o veneno dos juízos, a inquietude dos pensamentos, os mexericos dos encontros, o ressentimento do coração».

A concluir, Francisco sublinha que «só o amor» «preenche o vazio», «dá a paz», «restitui coragem e transforma a vida num grande estaleiro de esperança».

A 14 de junho de 2017, no termo da audiência geral das quartas-feiras, no Vaticano, o papa encontrou-se com Salvo Noè, que lhe ofereceu um exemplar do livro e um pequeno cartaz: «Vou colocá-lo à porta do meu gabinete onde recebo as pessoas», disse-lhe Francisco, que em várias ocasiões criticou a atitude amargurada dos católicos.

Para o autor do livro, a lamentação «tornou-se o percurso privilegiado» da comunicação. «Muitas vezes quem se lamenta contribui ativamente para alimentar o clima de negatividade que invade a nossa sociedade. Também as famílias e os ambientes de trabalho são permeados por este hábito.»

Através da narração de episódios e a proposta de exercícios e estratégias de crescimento pessoal e social, o volume reforçará a «autoestima e a motivação para evitar cair na armadilha da vitimização», refere o resumo da obra.



 

SNPC
Fonte: Vatican News
Imagem: Advertência à porta do gabinete do papa Francisco | D.R.
Publicado em 08.03.2018

 

 

 
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