
D. Manuel Clemente avalia a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e lança objectivos para o próximo triénio
Convidado a fazer um balanço do triénio em que presidiu à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Manuel Clemente expressou a sua satisfação pelo trabalho realizado pelos três secretariados, manifestando o seu profundo apreço pelo desempenho dos seus responsáveis, que fez questão de nomear: Cón. António Rego (director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja), Dr. Paulo Rocha (director da Agência Ecclesia), P. Nuno Aurélio e Dr. João Soalheiro (respectivamente antigo e actual director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja) e P. José Tolentino Mendonça (director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura).
Nas suas palavras, recolhidas pelo SNPC no último dia da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente não esqueceu a actuação dos colaboradores daqueles secretariados – quer os que trabalham nos gabinetes centrais quer aqueles que, em número de centenas, estão espalhados pelo país –, cuja missão é imprescindivel para a realização da acção pastoral.
Sobre o próximo triénio, em que se manterá à frente da Comissão Episcopal, D. Manuel Clemente espera que os directores e colaboradores dos secretariados correspondam com o mesmo ânimo e energia aos novos desafios.
No que diz respeito ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, é com expectativa que a Igreja aguarda a publicação, para breve, do documento referente ao tema debatido nas Jornadas que se realizaram nos três últimos anos – o entretenimento e o tempo livre. Trata-se de um texto cujo estudo exigirá que sejam localmente traçadas linhas de acção pastoral adaptadas à realidade de cada Diocese e comunidade.
Com o novo triénio, que coincidirá com os 100 anos da Implantação da República, a Igreja procurará aprofundar a identidade portuguesa, numa acção que, entre outros Organismos eclesiais, envolverá o SNPC e o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica. As próximas Jornadas da Pastoral da Cultura, a realizar em Fátima no dia 20 de Junho, começarão desde logo a preparar a estratégia e as acções a adoptar com vista à evocação daquele aniversário.
D. Manuel Clemente recordou que o movimento que conduziu à mudança de regime se enquadrou numa tradição que nunca se perdeu na cultura portuguesa: o desejo de renovação e de refundação. Estando presente desde o início da nacionalidade, a Igreja pretende juntar a sua voz e a sua experiência às personalidades e tendências de opinião que pensam e actuam nos diversos domínios da cultura, entendida esta não só na sua dimensão artística, mas também e sobretudo no que diz respeito às opções políticas, económicas e sociais. Neste sentido a lógica de convivência a adaptar pela Igreja não será a do confronto, mas o de privilegiar a escuta e o diálogo com todos os que estão igualmente motivados pelo desejo de renovação da identidade nacional.
Esta recomposição, que não exclui a tomada de opções radicalmente novas, pode igualmente passar pela evocação de personalidades e valores que constituíram a matriz do nascimento e do desenvolvimento do país, e que hoje são actualizados por meio de estruturas e personalidades da vida portuguesa. É neste quadro que se entende a atribuição do Prémio de Cultura Padre Manuel Antunes, iniciativa fundada no primeiro ano do último triénio, que pretende destacar um percurso ou uma obra onde os valores da experiência cristã se achem reflectidos.
rm
07.04.2008
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