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S. Valentim: amor, evangelização e solidariedade

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S. Valentim: amor, evangelização e solidariedade

É verdade que não é Paris, mas enquanto destino popular de viagens românticas Viena, com a sua atmosfera e o belo Danúbio, não lhe fica atrás. E precisamente a celebração do amor dos casais, sobretudo no contexto da evocação de S. Valentim, a 14 de fevereiro - muito vivida inclusive a nível laico - foi objeto, há alguns anos, de atenção e reflexão por parte da diocese da capital austríaca.

A festa está muito difundida na Europa Central desde a Idade Média, em particular na França, Bélgica, Alemanha e Áustria, de tal forma que o santo bispo da atual diocese italiana de Terni, padroeiro dos namorados, é tão popular naqueles países como S. Nicolau e S. Martinho. De acordo com um organismo que monitoriza as trocas comerciais na Áustria, a faturação da venda de flores associada a 14 de fevereiro, "ValentinsTag", ao Dia da Mãe e ao Natal corresponde a 25% de todo o ano.

Este relevo foi assumido por parte dos católicos como oportunidade de evangelização e anúncio da Palavra de Deus sobre o amor humano. Daqui partiu a ideia das "Cartas do amor da parte de Deus", distribuídas não só nas paróquias, mas sobretudo no exterior, em vários pontos da cidade. Paragens de autocarro e elétrico, estações do metro, praças e centros comerciais são espaços em que grupos de voluntários, com muitos jovens, distribuem folhetos com uma frase bíblica sobre o amor do casal querido e abençoado por Deus.

Para os interessados propõem-se também encontros nas paróquias, momentos de oração, bênçãos de namorados, ocasiões de reflexão sobre passagens da Bíblia sobre os casais, ou ainda de socialização em ambiente de festa, tendo sempre em conta os horários de estudo e trabalho: cedo, pela manhã, ao almoço e no fim do dia.

A resposta dos anos anteriores, dizem os organizadores, superou as expetativas, sinal de uma "curiosidade" inesperada por parte dos casais, muitas vezes à procura inconsciente de um momento de reflexão, ou então de simples acolhimento. Os agentes da pastoral pré-matrimonial têm verificado que a ideia de um Deus que abençoa o amor humano, ou de uma Igreja que acolhe com alegria os namorados, está muitas vezes distante do imaginário coletivo, que tende a associar o catolicismo a uma perspetiva sobretudo moral, ou seja, a proibições.

A ideia foi aproveitada por outras dioceses austríacas, como Salzburgo, Eisenstadt, Linz, Graz-Seckau e Innsbruck, como também por paróquias da vizinha Alemanha. Na catedral de Santo Estêvão, em Viena, está prevista uma bênção solene dos namorados, com a imposição das mãos e um concerto.

Mas S. Valentim quer também dizer solidariedade, relacionada com a salvaguarda da criação e a justiça no mundo. Num país alpino como a Áustria, as flores para 14 de fevereiro chegam necessariamente do estrangeiro, sobretudo da África centro-oriental e da América da Sul. Com a colaboração da Cáritas e algumas associações católicas, centenas de floristas e grandes cadeias de distribuição, certificadas e indicadas pelas dioceses, garantem a venda de flores provenientes do comércio justo.

Assim, quem receber um ramo de flores no dia de S. Valentim saberá que foram cultivadas em plantações onde ninguém, geralmente mulheres, é mal pago ou explorado, em que não há crianças a trabalhar e onde não se recorre a pesticidas. Os vendedores, por seu lado, comprometem-se a entregar parte das receitas a populações da Europa oriental. Por exemplo, a diocese de Innsbruck e a Cáritas do Tirol têm em curso projetos de ajuda na Arménia, Roménia e Kosovo para apoio a escolas primárias e a famílias em dificuldades na escolarização dos filhos.

 

Maria Teresa Pontara Pederiva / Vatican Insider
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 13.02.2015

 

 
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A resposta dos anos anteriores, dizem os organizadores, superou as expetativas, sinal de uma "curiosidade" inesperada por parte dos casais, muitas vezes à procura inconsciente de um momento de reflexão, ou então de simples acolhimento
Quem receber um ramo de flores no dia de S. Valentim saberá que foram cultivadas em plantações onde ninguém, geralmente mulheres, é mal pago ou explorado, em que não há crianças a trabalhar e onde não se recorre a pesticidas
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