
Deir Mar Musa: hospitalidade e experiência de vida religiosa
Poucos conventos podem orgulhar-se de ter entre os seus visitantes professores de Harvard, sheiks muçulmanos e peregrinos sul-coreanos. Esta variedade é ainda mais surpreendente num lugar recôndito, nas montanhas do deserto, a 80 km a norte de Damasco, capital da Síria. Graças aos esforços do padre jesuíta italiano Paolo Dall’Oglio, Deir Mar Musa, Mosteiro de S. Moisés, atrai pessoas das mais variadas culturas e religiões, estando actualmente ao cuidado de padres e freiras católicas e ortodoxas.
Praticamente invisível à distância, e rodeado pela vasta planura do deserto, Mar Musa foi fundado por S. Musa, o Abissínio, no século VI. Filho de um rei etíope, abdicou do trono em favor da vida religiosa. Da Etiópia viajou para o Egipto, e daí para a Terra Santa, realizando inúmeros milagres ao longo do caminho. A sua jornada conduziu-o ao território que actualmente é a Síria, onde se estabeleceu numa das muitas grutas localizadas nas montanhas. Foi morto por um grupo de soldados bizantinos.

Em 1058 foi construída uma igreja no local da gruta de Musa. A partir do século XV a comunidade que entretanto se constituiu entrou em declínio; o último monge deixou o local em 1831.

Quando o Padre Paolo chegou pela primeira vez ao mosteiro, no início dos anos 80 do século passado, encontrou a construção num estado de total abandono. Situado entre as rochas, a cerca de 1400 metros acima do nível do mar, tinha sido esquecido por quase todos, excepto alguns pastores que criavam os seus rebanhos nas redondezas. O edificado é uma reminiscência do tempo em que os enclaves rochosos ofereciam refúgio para comunidades religiosas que se auto-sustentavam, característica que hoje se mantém em Mar Musa. Em 1991 a comunidade monástica foi restaurada pelo Padre Paolo e pelo Diácono Jacques Mourad. A regra está dividida entre a meditação espiritual e o trabalho manual – sobretudo o fabrico de queijo de cabra e a agricultura, caracterizada por projectos de protecção ambiental que são subsidiados pelo Governo.

Através da cooperação entre a Síria e a Itália, e recorrendo aos fundos da União Europeia, o telhado da igreja foi reconstruído, os belíssimos frescos dos séculos XI e XII, que são o orgulho da comunidade, foram recuperados, e construíram-se 343 degraus para facilitar o acesso. Desde 1984 que Mar Musa se tornou não apenas um exemplo da vida e da hospitalidade monástica oriental – não são raros os casos de visitantes que permanecem durante largos meses – mas também um centro de diálogo inter-religioso.

O restauro dos frescos revelou três camadas: as duas primeiras são do século XI, ao passo que a terceira pertencerá aos finais do século XII, inícios do século XIII. A nave da igreja está decorada com imagens de santos, com as mulheres nos arcos e os homens nos pilares. Nas paredes, a representação do Julgamento Final.

Depois de passar a estreita porta de entrada que dá acesso à igreja - onde a liturgia é normalmente celebrada em Árabe, Francês ou Inglês – os visitantes são de imediato surpreendidos pelas semelhanças com uma mesquita. O chão está coberto de carpetes, enquanto a Bíblia é colocada numa base similar às que são utilizadas para apoiar o Corão. Durante a oração, os padres e as freiras prostram-se, como os fiéis muçulmanos, um gesto que pode ser encontrado noutros mosteiros síriacos.

Durante a estadia os visitantes podem contribuir para as tarefas da comunidade, entrar no esquema da vida monástica e, no fim do dia, dormir num dos muitos quartos disponíveis. Se quiserem optar por uma experiência mais radical, têm a oportunidade de se retirar para uma das caves.














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Trad.: rm
© SNPC (trad.) | 15.08.2008
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