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Ciência: Um jesuíta português a estudar a radioatividade com Marie Curie

O percurso ligado à ciência do P. António de Oliveira Pinto (1868 – 1933), «um dos mais conceituados físicos da sua geração», «promotor do ensino experimental das ciências naturais e divulgador da ciência», é evocado hoje no jornal “Público”.

Todavia, o que mais chamará a atenção no itinerário do religioso jesuíta foi o facto de ter passado, «entre o final de 1909 e início de 1910, no laboratório de Marie e Pierre Curie, onde se familiarizou com os equipamentos e técnicas mais recentes ligadas ao fenómeno da radioatividade».

Francisco Malta Romeiras explica no seu texto que «uma das descobertas científicas mais aclamadas no final do século XIX foi, sem dúvida, a descoberta do fenómeno da radioatividade», sendo «inúmeros os cientistas que se dedicaram a estudar as propriedades físicas, químicas e terapêuticas do urânio, polónio e do rádio».

«Contudo, a história da radioactividade ficaria sobretudo marcada por duas personagens: Marie Sklodowska-Curie e Pierre Curie», que seriam distinguidos, em 1903, com o prémio Nobel da Física, atribuído também a Henri Becquerel, assinala o historiador de ciência.



Na sequência da implantação da República, os colégios dos jesuítas foram encerrados, e as suas coleções, livros e instrumentos científicos perderam-se ou foram confiscados



Dois anos depois, realizou-se na Bélgica o primeiro congresso internacional de radiologia e ionização, que teve, como únicos representantes portugueses, o P. Oliveira Pinto e outro jesuíta que vivia em Inglaterra.

Entre dezembro de 1909 e janeiro de 1910, Oliveira Pinto «passou uma temporada no laboratório de Marie e Pierre Curie, onde se familiarizou com os equipamentos e técnicas mais recentes», e no regresso, «realizou o primeiro estudo metódico sobre a radioatividade das águas minerais portuguesas», recorrendo a equipamento existente no Colégio de Campolide, pertença dos Jesuítas, onde lecionava e investigava.

No segundo congresso internacional de radiologia e ionização, realizado em 1910, em Bruxelas, o religioso «apresentou o resultado das experiências que tinha conduzido entre maio e agosto de 1910 sobre a radioatividade das águas minerais das estações do Vidago, Pedras Salgadas, Moledo e Gerês, entre outras». 

«Pouco depois de regressar de Bruxelas, Oliveira Pinto e os seus companheiros jesuítas foram expulsos de Portugal. Na sequência da implantação da República, os colégios dos jesuítas foram encerrados, e as suas coleções, livros e instrumentos científicos perderam-se ou foram confiscados», anota Francisco Malta Romeiras.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Público
Imagem: P. António de Oliveira Pinto | Arquivo da Província Portuguesa da Companhia de Jesus
Publicado em 08.10.2018

 

 
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