Música: "Starry Starry Night", interpretada por Don McLean
Fernando Pessoa escrevia: «A espantosa realidade das coisas/ é a minha descoberta de todos os dias». É isso que peço, Senhor. Não nos deixes no embaraço baço da superfície; nos olhares e nos juízos que roçam apenas a periferia, que descrevem o exterior, mas nada sabem do gume. Dá-nos o saber de reparar a fundo, de escutar o indizível segredo que torna todos e tudo espelho do Teu assombro. Impele-nos à descoberta de um real que nos é tão próximo, mas afinal desconhecido. Que o nosso coração esteja vigilante para acolher o modo surpreendente como Tu, ó Deus, sempre Te revelas! Hoje. Agora.
José Tolentino Mendonça
Não nos podemos acomodar com a divisão dos cristãos, e somos legitimamente impacientes até que chegue finalmente o dia de nossa reconciliação. Contudo, estamos conscientes de que o diálogo ecuménico não é vivido em todos os lugares com o mesmo ritmo. Alguns avançam a grandes passos, outros são mais tímidos. Como Paulo nos exorta, devemos saber ser pacientes para com todos.
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Por vezes, é para com Deus mesmo que nos mostramos impacientes. Como o povo no deserto, também nós gritamos a Deus: porquê toda esta caminhada penosa? Guardemos, pois, a confiança: Deus responde às nossas orações, à sua maneira, no tempo oportuno. Ele saberá suscitar novas iniciativas para a reconciliação dos cristãos, de acordo com as necessidades do nosso tempo.
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos
Dias realmente úteis
Às vezes, demasiadas vezes,
a vida assemelha-se a uma repartição cinzenta,
onde os horários se cumprem sem empenho.
Estamos, mas fazemos sem compromisso íntimo.
Falamos e fazemos,
mas sentindo o nosso interesse noutro lado.
Vivemos, claro, mas com o coração distante.
Como é necessário tornar realmente úteis
os dias úteis!
Úteis não apenas por imposição do calendário.
Úteis, porque vividos com generosidade e sentido.
Úteis, porque não os atropelamos
na voragem das solicitações,
na dispersão das coisas,
mas sabemos (ou melhor, ousamos) fazer deles
lugar de criação e descoberta,
tempo de labor e de escuta,
modo de acção e de contemplação.
É preciso acolher o “inútil”
se quisermos chegar ao verdadeiramente útil.













