Vemos, ouvimos e lemos
Projeto cultural
Pedras angulares A teologia visual da belezaQuem somosPastoral da Cultura em movimentoImpressão digitalVemos, ouvimos e lemosLigaçõesBreves Arquivo

Leitura

À descoberta de D. Jerónimo Osório

A Imprensa da Universidade de Coimbra, em parceria com a Universidade do Algarve, lançou este ano o primeiro volume da «Opera Omnia» do teólogo e humanista D. Jerónimo Osório (Lisboa, 1506 – Tavira, 1580), intitulado «Paráfrases a Job e à Sabedoria de Salomão».

“Jerónimo Osório e Jorge de Montemor partilharam a glória de serem os escritores portugueses do século XVI mais lidos pelos seus contemporâneos europeus, tendo sido alguns dos livros do primeiro, tal como La Diana do segundo, verdadeiros best-sellers. Hoje une-os a mofina sorte de se terem tornado dois quase anónimos para os seus compatriotas, com a diferença porém de que o segundo goza ainda do estatuto de conceituado e relativamente lido clássico da literatura espanhola, enquanto ao último bispo de Silves remeteu-o a um quase total olvido aquilo que foi exactamente a base principal da sua fama europeia: o ter-se servido, no seu desejo de se dirigir a um vasto auditório, do latim, a língua universal de então, posteriormente substituída nestas funções por outros idiomas, e contra a qual os Portugueses da segunda metade do século XX se ensanharam mais violentamente do que quaisquer dos seus irmãos nascidos da comum matriz romana. Talvez esta situação ajude a explicar o motivo das grandes lacunas que até hoje têm rodeado o estudo da biografia e da obra do Autor.

“D. Jerónimo Osório foi designado para a sé de Silves no consistório secreto presidido a 21 de Junho de 1564 pelo papa Pio IV. Os documentos existentes no Arquivo do Vaticano informam-nos que a nomeação se fizera a pedido do rei de Portugal – na realidade, do cardeal D. Henrique, que detinha então a regência na menoridade do sobrinho D. Sebastião – na pessoa do “presbítero viseense Jerónimo Osório” e por vacatura ocasionada pela transferência do anterior prelado (D. João de Melo) para a igreja eborense. A sagração do novo prelado fez-se em 22 de Outubro de 1564, em Lisboa, na capela-mor da igreja do convento de Santa Maria da Graça, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho.

“A grei que D. Jerónimo Osório vai passar a pastorear, conquanto ilesa de gafeiras heréticas, não lhe mereceu uma pintura de cores excessivamente encomiásticas, como pode colher-se das palavras com que a caracterizou na sua correspondência particular. Do ponto de vista económico e social, porém, o Algarve do período da longa prelatura osoriana, posto que sobressaltado por amiudadas incursões de corsários turcos, parece não estar ainda totalmente fora de um ciclo de prosperidade, de que são prova evidente não só as relações internacionais frequentes, de que nos surgem reflexos no epistolário do prelado silvense, como igualmente o papel decisivo e activo que a população algarvia continuava a desempenhar na defesa e municiamento das praças portuguesas do norte de África."

Foi durante o episcopado de D. Jerónimo Osório que a sede da diocese do Algarve regressou a Faro, no ano de 1577.

O volume que a Universidade de Coimbra publica, pretende “oferecer ao público a reprodução do único texto latino conhecido e a tradução portuguesa de duas obras de D. Jerónimo Osório, irmanadas pela tripla circunstância de serem póstumas, se incluírem no mesmo sub-género literário e tomarem como ponto de partida dois livros que fazem parte daquele conjunto de escritos bíblicos que tradicionalmente se definem como “sapienciais”. No entanto, além da evidente diferença de extensão de ambas as paráfrases objecto desta edição, a qual é mais ou menos proporcional à diferente extensão dos textos sobre os quais elas se exercem, temos a convicção de que, de todo o espólio literário que Osório deixou inédito ao morrer, a Paráfrase a Job seria não apenas a obra que se encontrava em mais perfeito estado de acabamento, mas também a de mais evidentes propósitos literários, não tendo visto a luz da publicidade por razões meramente acidentais que não estamos em condições de avaliar na totalidade.

“A especial riqueza literária e humana do Livro de Job não necessita de qualquer encarecimento, bastando recordar três exemplos que agora nos ocorrem da sua repercussão, sob forma directa ou indirecta, em três outros escritores portugueses: o quinhentista João de Melo e Sousa, o oitocentista Basílio Teles e o nosso contemporâneo Miguel Torga.

“As especiais características das obras que estamos a apresentar desoneram-nos da responsabilidade, por um lado, de as interpretar, visto que a perspectiva primordial por que as encaramos não é teológica, mas literário-cultural, e, por outro, de as sintetizar, porquanto pretendem ser a explanação de obras que supomos conhecidas de sobejo pelo leitor de mediana informação.”

 

In Paráfrases a Job e à Sabedoria de Salomão, ed. Imprensa da Universidade de Coimbra/Universidade do Algarve
12.11.09

Capa

Opera Omnia I
Paráfrases a Job
e à Sabedoria de Salomão

Autor
D. Jerónimo Osório

Editoras
Imprensa da
Universidade de Coimbra
Universidade do Algarve

Ano
2009

Páginas
428

Preço
€ 27,30

ISBN
978-989-8074-78-2











Citação

 

Ligações e contactos

 

Artigos relacionados

 

 

Página anteriorTopo da página

 


 

Subscreva

 


 

Mais artigos

Leitura
Imagem/Vídeo
Mais vistos

 

Secções do site


 

Procurar e encontrar


 

 

Página anteriorTopo da página