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Ouvi do Vento

Como o título sugere, são textos de reflexão pessoal que nascem de uma dupla atenção: às ressonâncias próprias do tempo, suas perplexidades e desafios; e à escuta do Espírito que, incansavelmente, nos atrai para as paisagens dos valores universais, de verdade, de Justiça, de Beleza e de Bem.

Vivemos num mundo fragmentado e com ritmos quotidianos que não são propícios à unificação do ser profundo. Na tradição cristã da escuta da Palavra existem, porém, potencialidades que, hoje como ontem, nos podem revitalizar interiormente e despertar para uma cultura do cuidado e da co-responsabilidade.

 

Aprendizagens do ouvido: o chão e o vento à volta de "Ouvi do Vento"

1. Este livro de Manuela Silva que aqui nos reúne constituiu-se como espaço de acolhimento de um conjunto de textos que ao longo de seis anos, de 2003 a 2009, foram mensalmente aparecendo em écrans de computador, em linha, ou on line no site, ou sítio, da Fundação Betânia – criada por Manuela Silva e outras pessoas. Aí puderam ir sendo abertos, lidos, reflectidos, ao ritmo de um texto por mês: os “escritos do mês”: assim são nomeados, à semelhança de outros textos de cariz também espiritual em diferentes épocas. Neste objecto-livro, estão quase 70. São breves, de 2 a 3 páginas no máximo, escritos na 1ª pessoa - e nada aqui autoriza separar essa voz da da autora. Nas suas palavras de introdução, Manuela Silva aponta a diversidade de temas que ocupam e preocupam os textos. Ao mesmo tempo, chama a atenção para a unidade de propósito que lhes dá coesão, o que a leitura confirma. Com desassombro, Manuela Silva assumiu essa larga intenção: a de lançar aos quatro ventos (os da net) o que de outro Vento fora ouvindo, com exigentes desafios e imperativos a uma mudança de vida: individual e colectiva. Diz-se aqui que o livro vem atravessado por um “um fio condutor”, a deslindar pelos leitores (homens e mulheres); e no aviso quanto à natureza de esse fio diz-se que cada texto se liga ao seu lugar de origem: um lugar de busca espiritual, cujo nome é Betânia. É a partir de aí que os textos nascem, na mão de Manuela Silva.

Vento

Ainda no adro, o título do livro chama a atenção, pelo seu carácter declarativo inicial (quase exclamativa) – que tem uma força singular: Ouvi do Vento.

A aliteração, com efeito sonoro evidente, sobretudo por os dois vv se situarem em sílabas tónicas consecutivas (ou-vio ven-to), dá eficácia à passagem do ar, do ar da vida e ar cósmico também, de um vento real (VV), que é o da própria respiração expirada, acentuando com isso o conteúdo de essa frase declarativa: “[eu] ouvi do vento”.  Repare-se que não é o vento que é ouvido, mas algo que a partir do vento se ouve. Esta 1ª pessoa do título, é a mesma dos textos e assume neles a responsabilidade por este testemunho. O título, porém, deixa omisso o complemento directo que o verbo OUVIR, por ser transitivo, reclama. É um complemento longo: estas páginas, resultantes do que a voz (mesmo sem que o vento se tenha pronunciado) foi apercebendo a partir do vento.

Vento

Neste contexto, a relação entre acto de ouvir e vento não pode deixar de evocar diversos textos da literatura – portuguesa e de outras culturas, religiosos e profanos, que tematizam e incorporam modalidades infinitas do invisível vento, em poemas. Neles se figura essa passagem materialmente imaterial do ar, que pode trazer consigo, ou não, múltiplos sinais ou coisa nenhuma. Entre nós, por ex. Manuel Alegre, na sua “Trova do vento que passa”, escreve: “Pergunto ao vento que passa / notícias do meu país” e, nesse tempo de ditadura, o que declara é que o vento não diz nada: “o vento nada me diz;” (1). Alberto Caeiro, num dos seus versos, tem esta espantosa afirmação, verdadeiramente contemplativa: “E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido” (2). E ainda aquele vento, já sopro místico que perpassa por um dos poemas de Tolentino, justamente intitulado “O vento”, como que com-fundindo a marca ou traço individual com o próprio Ser do Divino:

[…]
E pelas fagulhas da luz reconheças então o vento
Vagaroso sobre o gelo
Movendo-se para apagar o teu próprio trilho. (3)

Vento

Qualquer passagem do vento exige pois acolhimento, deixando-o ressoar por dentro; e também discernimento, para se reconhecer que vento é esse que se move e nos move. Também na Bíblia surgem muitos ventos – sopros, brisas, rajadas, que nem sempre são signos nem sinais. Contudo, podem representar e ser indicativos da Presença Divina. Nalguns casos, nesse seu ser imaterial, o vento surge como figura do Espírito de Deus. Por ex. no “1 Livro dos Reis” (1 R 19), Elias está à procura do lugar onde a voz de Deus se ouviria. E, por ter estado atento, soube decifrá-la na brisa suave que passava. No episódio de Nicodemos (Jo 3) diz-se que o vento / Espírito Divino “sopra onde quer”, “não se sabe de onde vem nem para onde vai”. E essa indecidibilidade e oscilação suscita a hipótese de no vento ser possível distinguir algo mais que o seu passar. Se atenção houver, poderá mesmo ser perceptível na imaterialidade do sopro uma presença de Deus, enquanto Ausência presente, na expressão de alguns místicos.

Ora em Ouvi do Vento está indirectamente inscrita essa sugestão, pelo facto de o livro se mostrar a si mesmo, enquanto texto, como o resultado material de alguém ter ouvido (algo) do vento. Essa escuta, presente na prática de um “eu”, o sujeito feminino que aqui fala, incitando outros à mesma prática, nasce de uma forte convicção de no real haver mais a ouvir que o real apenas, mais a entrever que a realidade deixada a si mesma. Assim, título e textos deste livro proclamam a possibilidade de se ouvir do vento, mesmo sem palavras, algo, que pode ser o próprio Espírito de Deus – no Cosmos, na Terra, no Mundo, em cada pessoa, nessa Presença que passa, como o vento ou com o vento; que passa para, em todo o lugar, mesmo se veladamente e de modo simbólico, mas nem por isso menos real, se dar a ouvir. E mesmo se nunca o podemos saber ao certo, é sempre possível tornarmo-nos espaços de acolhimento dos sinais insuspeitados do Espírito. Eis a intenção maior deste livro: por essa disposição interior intensa, numa escuta silenciosa da silenciosa presença de Deus.

Vento

Por isso, num gesto interpretativo que provisoriamente expande o título de Manuela Silva, mentalmente incluo nele isso que fica em suspenso: Ouvi do Vento, “e Deus estava nesse vento”.  

 

2. Lendo o livro à luz desta metáfora, o vento torna-se ingrediente simbólico estruturante. E com ele, outro também: o chão – pelo gesto literal e metafórico de colocar o ouvido no chão, sugerido na epígrafe, de D. Helder Câmara, que ilumina o escrito de Novembro de 2008. Assentar ou pôr o ouvido no chão é coisa difícil, posição incómoda, e até de utilidade duvidosa. Contudo, ao exigir suspender os outros sentidos, atribui prioridade a uma escuta absoluta, particular, rente ao chão, junto à realidade, em contacto directo e próximo com o real que todos os dias sentimos sob os pés ou que, distraídas ou distraídos, pisamos sem notar. E será que há vantagem em ouvir assim, de ouvido no chão? Quem o fizer poderá por instantes ater-se a uma realidade mínima, infinitesimal, focalizada nesse absoluto, num corpo a corpo que permite ver o que existe e dar então o salto para o Sentido para além do imediato. Por hipótese metafórica, o vento traz ao chão a grande dimensão de um Horizonte.

Vento

Na epígrafe de outro texto (Janeiro 2008), essa de Daniel Faria, outra sugestão atravessa o livro. Em vez do ouvido, este poema faz apoiar no chão o dia. Diz o poeta (135):

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo
De o transformar.
Este é o dia transformado.      
Pelo modo como apoio este dia no chão.

O “dia transformado” é neste poema pensado e enunciado como um tempo apoiado no chão. Não se trata só do desejo de transformar o dia, ainda na incerteza do que há-de vir ou está a vir vindo (como diria Maria Velho da Costa): trata-se da estabilidade acordada ao presente, como tempo da atenção, único tempo verdadeiramente inteiro, porque só nele respiramos e somos. O tempo também em que Deus, distante e próximo, está.

Cada texto a seu modo é então essa espécie de exercício (intelectual e espiritual), de atenção ao imediato e ao para além dele: ouvindo do chão (mantenho a metáfora) as necessidades das pessoas, da sociedade, do mundo. Sentindo aí, com uma inteligência vinda do coração – como um dos textos o sugere (17-18, 2003) –, aquilo que faz falta, mas que poderá existir se as coisas mudarem, isto é: se nós quisermos mudar as coisas.

Vento

Este movimento do texto é de natureza profética, ao denunciar o que há e ao anunciar o possível, através da decifração do que do Vento vem e que nos transporta para além do imediato confinado, na procura de esse Sentido maior que habita a realidade mas que a transcende. Isto é aqui repetidamente acentuado.

 

3. Cada fragmento tem um elemento desencadeador que tanto vem do título, como da epígrafe, comode um acontecimento ou referência que no seu corpo inclui. Consigo essas epígrafes trazem uma constelação de autores – vozes de místicos, pessoas de acção, papas, teólogos, poetas, académicos, etc., entre os quais: Thomas Merton, Angelus Silesius, Jean-Yves Leloup, João Paulo II, Paul Ricoeur, Tolentino, Daniel Faria, Ramos Rosa, D. Helder Câmara, Leonard Boff, Anselm Grün, Bento XVI, além de textos bíblicos também. (Curiosamente poucas são as mulheres: Rosiska Darcy d’Oliveira, Suzanne Marineau e Rita Weemans são excepções, embora haja três ou quatro citadas nos textos, entre as quais  Simone Weil.)

Vento

O Leitmotiv  do mês pode então ser um acontecimento – político (ataque terrorista em Madrid) ou sócio-económico (desemprego que dispara, acentuação da pobreza, crise financeira); uma catástrofe natural e humana (um tsunami no Oriente), um nome ou proposta vindo de livros, poemas, frases citados, evocados ou incorporados no corpo do texto ou da epígrafe (O som do silêncio, de Dürkeim). Com frequência se tornam motes uma data marcante (o dia da Paz), um tempo litúrgico (Natal, Quaresma, Páscoa), um ritmo comum no ano social (férias, recomeço do trabalho).

A incidência da reflexão faz-se sobre problemas e situações da sociedade portuguesa, europeia ou do mundo e, nesse diagnóstico mensal, a análise da realidade sócio-política, económico-cultural dá especial ênfase à escuta das necessidades mais prementes dos seres humanos, numa escala que vai do local e individual ao nacional, mundial, e colectivo ou vice-versa. Manuela Silva congrega aí elementos de grande actualidade e precisão. E como já Congar o sugeria nos anos 50, na maioria dos casos a análise feita é convergente com a daqueles que, não sendo cristãos, têm também por horizonte uma noção partilhada de bem comum e do destino universal dos bens (já papalmente afirmado, pelo menos desde a Pacem in Terris).

Vento

Dentro da diversidade de temas e problemas, sobressai tudo o que causa ou é coadjuvante da desordem social existente e das desigualdades gritantes entre as pessoas. E este campo do olhar torna-se quase uma obsessão destes textos. Quase nenhum deixando de mencionar os factos, acentuando a gravidade da situação e interrogando esses dados nas suas causas e nas suas consequências para a vida colectiva e individual. As interrogações formuladas são estruturantes, visando alterar a vida de cada pessoa, no seu estilo (144) e opções. Desta forma se potencia a consciência crítica de quem lê, chamando-a à responsabilidade de intervir.

Assim, perante a má repartição da riqueza (84, 11, 195), a corrupção (36), a injustiça, o empobrecimento crescente da maioria (81), o desemprego exponencial, a exclusão social (84), a violência (66), desgaste do planeta e seus recursos (104), etc., há que optar por um estilo de vida simples (144), por uma exigência ética (196), e sobretudo, pela ética do apenas necessário (90-91).

Vento

Ou, perante uma cultura dominante hedonista, consumista, guiada por um materialismo prático, dominada pelo marketing, vergada ao stress, individualista e egoísta, haverá que assentar a existência numa outra esfera (192-193) que torne a vida mais luminosa. Ou ainda, perante a “insolidariedade” e a ausência de causas comuns mobilizadoras, há que ter a coragem de uma “indignação pacífica” (172), de uma “compaixão criativa” (36), de solidariedade para com os mais frágeis (40), na partilha (40), assentando assim as bases para um empenhamento colectivo” (120) que leve à paz social (145) fazendo do “bem comum” o fulcro da vida (183; 174) de todos. A intenção é pois desafiar à implicação de cada vez mais cristãos nas decisões que levem a uma sociedade e a um mundo de justiça, solidariedade, paz social.

Deste modo quase não parece pensável, alguém, qualquer de nós, ler e ficar tranquilo, sem se erguer para dar resposta de corpo inteiro a esta convocação.

 

4. Este fio de uma mudança estrutural do mundo e da sociedade, entretece-se, no tear dos textos, com um outro que é o seu suporte: um fio interior fino e forte que é o da mudança de consciência em cada pessoa. Está no avesso do tecido e é onde o direito se apoia. Nesse avesso, este segundo fio mantém a reflexão sobre a vida, interrogando-a e desinquietando-a a partir dos acontecimentos, das perguntas que interiormente invadem ou da Palavra bíblica.

Vento

Num close-up dirigido ao coração de cada um, alguns dos textos pretendem chegar ao nível profundo da consciência, apelando a que cada um mantenha a sede de infinito que em si habita (141-142), “a dimensão invisível e transcendente da existência” (127), o seu movimento para a verdade, o bem, a beleza (105), a sua  centralidade no essencial (13). A exigência é aqui a de espaços de silêncio no quotidiano (27, 49, 74), espaços para se ser e se estar (133), tornando-se cada pessoa assim verdadeiramente si própria (61), segundo Jean-Yves Leloup aqui citado (52), – e parafraseio: para que como o regato não nos percamos da união ao oceano. Ser e estar, aliás, aparecem como verbos fundantes deste percurso, em contraposição a ter, parecer, aparecer, tidos como característicos da superficialidade do humano.

Ora este fio (ou rio) está sempre a cruzar-se com o outro que o enquadra, porque a fidelidade ao mistério que nos habita (73) tanto acontece pelo discernimento dos próprios desejos (51), das personalidades ou máscaras (digo eu) que nos habitam, como pela atenção absoluta e a interrogação sobre o que à volta de nós existe (22) e o que poderia vir a existir (penso aqui em Bernard Shaw).

Vento

A mudança entrelaça pois duas vertentes – tantas vezes conjugadas como antagónicas: ou se mudam as estruturas para que depois se mudem as mentalidades ou se muda cada pessoa e as mentalidades, sendo depois transformadas por elas as estruturas. Mas aqui não: estão implicitamente articuladas e quase inseparáveis as condições objectivas (a sociedade e suas estruturas) e as condições subjectivas (a pessoa e suas atitudes): caminho espiritual e intervenção na sociedade, trabalho interior e prática social, fé e transformação do mundo. É que a mundividência subjacente a estes escritos faz assentar a fé na co-responsabilidade dos cristãos pelo destino do mundo, coincidindo aqui com a visão que Schillebeeckz nos anos 60 já expressava como uma “fé intra-mundana”.

Por isso se fala em simultâneo de mudança social e de conversão do coração: deixando o egoísmo (67) e a “insolidariedade” (79), em direcção a uma humanidade mais humana.

É particularmente insistente o tom incoativo do princípio ao fim do livro, atravessando as próprias formas de questionar a vida e de instar à reflexão, como nestes segmentos de frase se nota:

Vento

“Será que esgotámos a nossa indignação?” (60), “Que me cabe fazer?” (55),
“Será que interiormente nos tornamos mais livres?” (76)
“Como lidamos com os nossos desejos?” (80), “o que me faz correr?” (142) etc.
“é oportuno que nos interroguemos” (182),
“por que não fazê-lo agora?” (39)
“Por onde passa a minha opção de vida? Servir ou servir-me?” (130)

E ainda mais pragmáticos e propositivos são os apelos directos à acção. A tonalidade claramente normativa parece seguir um imperativo categórico cristão, o que é particularmente interessante hoje nas sociedades ocidentais que ostentam atitudes opósitas a esta, com o tom dominante do chamado pensamento fraco - il pensiero debole -, a condescendência ou a leveza de uma mera sugestão não-comprometedora.

Nestes textos, não: deparamos com uma força moral que se impõe, palpável até na frequência de verbos como “dever” ou “ter de”, conjugados em várias pessoas e no presente do indicativo:

“critérios seguros a que podemos (devemos!) submeter o discernimento” (80); “Assumo como dever” (81), “a nossa protestação tem de ir mais além” (83), “nosso dever para com o futuro” (102), “podemos – e devemos – ser regeneradores esclarecidos” (126).

Vento

 

5. O desígnio dos textos soltos e agora do livro parece ser o de oferecer orientação espiritual aos seus destinatários – provavelmente a cristãos exigentes que procuram crescer na sua atitude cristã . Orientação perante encruzilhadas variadas, tanto no confronto com os vários “eus” que em si convivem como com os seus mais díspares desejos (53), com o propósito de guiá-los nesse percurso interior. Para tal, os textos suscitam esses espaços de silêncio, já atrás mencionados, que permitem deixar pousar o que a cada instante dispersa as emoções e a mente.

Pela metáfora, o título coloca-nos, como vimos, diante da escuta do vento ou do sopro do Espírito ouvido do vento, que acontecerá na circunstância de habitarmos responsavelmente o mundo (49). Colocar o ouvido no chão e abrir o ouvido ao vento são condições possibilidade para aprumar a consciência e assim erguer a vida e a voz ao seu mais alto potencial em nome do bem comum e na abertura ao Espírito de Deus. Nesse sentido podemos ler este livro como um conjunto de linhas de orientação das consciências e de vida espiritual.

Vento

E se quiséssemos agora identificar o tal fio unificador nomeado na introdução ao livro, poder-se-ia notar essa anunciada coincidência com o propósito de Betânia de revitalizar interiormente, de abrir a uma cultura de empenhamento e  responsabilidade (14)  Da sua apresentação leio as primeiras linhas:

Betânia quer ser um convite ao repouso e ao recentramento no essencial, para que seja possível espreitar novos horizontes e decantar as perguntas que sempre assomam na nossa existência.

Vivemos num mundo fragmentado e com ritmos que não são propícios à unificação do ser profundo. Betânia quer alimentar a busca pessoal de caminhos que conduzam à profundidade do ser e entrecruzar experiências neste domínio. […] (13)

Termino com um voto: possa cada uma e cada um de nós sintonizar a sua escuta do mundo e da vida com esse Vento, figurado e ouvido nestas páginas, a ponto de já não saber nem se conhecer a si mesmo senão no próprio Vento.

 

(1) Manuel Alegre. “Trova do vento que passa”. In A Praça da Canção. 3ª ed.; Coimbra: Centelha, 1975, 102.

(2) Fernando Pessoa-Alberto Caeiro. “Poemas Inconjuntos”, 16. In Poemas Completos de Alberto Caeiro. Pref. R. Reis. Posfácio de Álvaro de  Campos. Recolha […] Teresa Sobral Cunha. Posfácio de Luís Sousa Rebelo. Lisboa: Presença, 1994, 122.

(3) José Tolentino de Mendonça.”O vento”. In O Viajante sem Sono. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009, 30.

 

Texto "Aprendizagem do ouvido...": Isabel Allegro de Magalhães
Imagens: Monet, Renoir, Tsai Shihmei, Jean Baptiste Camille Corot, Chang, Hsitsun, Eastman Johnson, Albert Ryder, Sandro Botticelli, Camille Pissarro, Alfred Sisley
© SNPC | 07.02.10

Capa

Ouvi do Vento

Autora
Manuela Silva

Editora
Pedra Angular

Ano
2009

Páginas
208

Preço
13,50 €

ISBN
978-989-961-457-4

 

 

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