José Tolentino Mendonça
Uma poesia longe da beatitude - mas sempre a caminho
«Esta é uma poesia de revelações e silêncios, de esperas e estados de visão e há, por vezes, a irrupção da poesia onde menos se esperaria que ela pudesse aparecer», escreve António Carlos Cortez sobre José Tolentino Mendonça na edição do Jornal de Letras de 17 de novembro (n.º 1047).
O pretexto desta apreciação é o lançamento recente de “A Noite Abre Meus Olhos” (ed. Assírio & Alvim), súmula da poesia do biblista e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Depois de referir que o volume constitui uma oportunidade para «reler um dos poetas mais importantes da geração surgida nos anos noventa», António Carlos Cortez assinala que «o estado de alma do eu poético em Tolentino é um estado longe da beatitude, mas sempre a caminho dela».
«Um dos mais belos poemas, “Revelação”, dá conta de algo que, ao longo dos anos, Tolentino tem sabido guardar: a sua dicção silenciosa e o rigor com que a alusão é nele mais do que simples processo retórico», sublinha o colaborador do JL, que cita as duas primeiras estrofes da poesia originalmente publicada em “Os dias contados”:
Meu o ofício incerto das palavras
a evocação do tempo
o recurso ao fogo
Meu o provisório olhar
sobre este rio
o fascínio consentido das margens
sitiando a distância
«Uma poética da sobriedade e do elipse, da realidade mais simples, aquela que precisamente dá conta dessa voz abscôndita que o poeta persegue no poema», conclui António Carlos Cortez.
© SNPC |
19.11.10


"O Viajante sem Sono" é o mais
recente livro de poemas inéditos
de José Tolentino Mendonça






