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«Deus procura-te, mesmo se tu não o procuras. Deus ama-te, mesmo se tu te esqueceste dele»

«Deus procura-te, mesmo se tu não o procuras. Deus ama-te, mesmo se tu te esqueceste dele. Deus entrevê em ti uma beleza, mesmo que tu penses que delapidaste inutilmente todos os teus talentos», sublinhou hoje o papa.

Para Francisco, «Deus não é só um pai, é também como uma mãe que nunca cessa de amar a sua criatura», numa «gestação que dura para sempre, bem mais do que os nove meses daquela [gestação] física, e que gera um circuito infinito de amor».

«Depois de ter conhecido Jesus e escutado a sua pregação, o cristão já não considera Deus como um tirano a temer, já não tem medo dele, mas sente florescer no seu coração a confiança nele: pode falar com o Criador chamando-o “Pai”, declarou.

A expressão “Pai” «é de tal maneira importante para os cristãos, que muitas vezes se conservou intacta na sua forma originária, “Abbà”», sinal de extrema importância na Bíblia, pois «é raro que no Novo Testamento as expressões aramaicas não sejam traduzidas em grego», explicou o papa.



A oração do Pai-nosso «adquire sentido e cor» quando se aprende «a rezá-la depois de ter lido a parábola do pai misericordioso»



«Devemos imaginar que nestas palavras aramaicas tenha ficado como que “registada” a voz do próprio Jesus. Foi respeitado o idioma de Jesus. Na primeira palavra do Pai-nosso encontramos logo a radical novidade da oração cristã», acrescentou.

Nesse sentido, prosseguiu Francisco, «dizer “Abbà” é algo de muito mais íntimo e comovente do que simplesmente chamar a Deus “Pai”. É por isso que alguns propuseram traduzir a palavra aramaica originária por “Papá”», dado tratar-se de uma expressão que evoca «afeto, calor, alguma coisa que se projeta no contexto da idade infantil: a imagem de uma criança completamente envolvida pelo abraço de um pai que experimenta infinita ternura por ela».

A oração do Pai-nosso, a que o papa continua a dedicar as suas meditações durante as audiências gerais das quartas-feiras no Vaticano, «adquire sentido e cor» quando se aprende «a rezá-la depois de ter lido a parábola do pai misericordioso» (cf. Lucas 15,11-32).

«Imaginamos esta oração pronunciada pelo filho pródigo, depois de ter experimentado o abraço do seu pai que o tinha esperado durante muito tempo, um pai que não recorda as palavras ofensivas que aquele lhe tinha dito, um pai que agora faz-lhe compreender simplesmente o quanto lhe fez falta. Então descobrimos como aquelas palavras [da oração] ganham vida, ganham força», afirmou.



«Também este ano somos chamados a rezar, para que todos os cristãos voltem a ser uma única família», disse, antes de vincar que «o ecumenismo não é uma opção»



Neste contexto, é possível apresentar algumas perguntas que colocam em causa as imagens de um Deus cristão que é tenebroso e nada dado à compaixão: «Onde está em ti a vingança, a pretensão de justiça, a raiva pela tua honra ferida?».

O pai da parábola do filho pródigo tem nas suas atitudes algo «que muito recorda a alma de uma mãe. São sobretudo as mães a desculpar os filhos, a encobri-los, a não interromper a empatia em relação a eles, a continuar a querer bem, mesmo quando eles não mereceriam mais nada».

Francisco salientou que todos os cristãos estão sujeitos à experiência do filho pródigo, que segundo a parábola deixou a casa do pai, depois de lhe ter pedido a sua parte na rica herança, e tudo dissipou numa vida que o conduziu à infelicidade, levando-o, arrependido, de regresso ao pai: «Pode acontecer também a nós caminhar por trilhas distantes de Deus» ou cair «numa solidão que nos faz sentir abandonados no mundo; ou, ainda, errar e ficar paralisado por um sentido de culpa».

«Nesses momentos difíceis, podemos encontrar ainda a força de rezar, recomeçando da palavra “Abbà”, na certeza de que Deus não «esconderá o seu rosto» e «não se fechará no silêncio», mas, pelo contrário, dirá que «nunca nos perdeu de vista», frisou o papa.

Durante a intervenção, Francisco recordou que na sexta-feira começa a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”, dedicada ao tema “Procurai ser verdadeiramente justos».

«Também este ano somos chamados a rezar, para que todos os cristãos voltem a ser uma única família», disse, antes de vincar que «o ecumenismo não é uma opção» e que a intenção desta Semana é «amadurecer um testemunho comum e concorde na afirmação da verdadeira justiça e no apoio aos mais frágeis, mediante respostas concretas, apropriadas e eficazes».

A Semana de Oração foi também evocada na saudação aos peregrinos de língua portuguesa: «Depois de amanhã, começa o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos; durante aqueles dias intensifiquemos as nossas preces e penitências, para que se apresse a hora em que se realize plenamente o anseio de Jesus: “Abbá…, ut unum sint – que todos sejam um só!” Desça a bênção de Deus sobre os vossos passos e sobre as preces comuns pela reunificação da Igreja».


 

Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 16.01.2019

 

 
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