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Jesus, uma boa notícia

«Que não crentes reconheçam a genialidade humana de Jesus, bem presente no sentido que atribuem aos valores que presidem à sua vida, e que aí colham um exemplo inspirador para o seu viver, só pode ser acolhido pelos cristãos como um sério apelo à autenticidade da sua experiência de fé.»

“Jesus, uma Boa Notícia”, do monge cisterciense Carlos Maria Antunes (“Atravessar a própria solidão”, “Só o pobre se faz pão”), e de Gustavo Sousa Cabral, formado em Ciência Religiosas, é a primeira obra editada pela Livraria Fundamentos, em Braga, de que apresentamos um excerto.

O volume está dividido em três partes: “Jesus, Boa Notícia (Gustavo Sousa Cabral) e “Jesus, o Mistério que nos atravessa” (Carlos Maria Antunes), terminando com “E se mergulhássemos?”, contribuição do religioso para um curso pela internet sobre “Meditação cristã”, organizado pela Fundamentos.

 

Da Ideologia ao Encontro
Carlos Maria Antunes

Identificar Jesus com um conjunto de valores é uma forma muito comum de nos referirmos a ele, entre crentes e até entre não crentes. Trata-se, no geral, de um discurso bastante linear, capaz de gerar amplos consensos à volta de uma figura que desperta os melhores sentimentos. Já bem diferente é o que acontece quando se introduz a questão da possibilidade de uma relação com Jesus vivo, aqui e agora. Entrando no campo específico da fé, não tardam a aparecer as resistências.

Que não crentes reconheçam a genialidade humana de Jesus, bem presente no sentido que atribuem aos valores que presidem à sua vida, e que aí colham um exemplo inspirador para o seu viver, só pode ser acolhido pelos cristãos como um sério apelo à autenticidade da sua experiência de fé.

Inquietante, e até problemático, é que entre os próprios cristãos semelhante posição seja assumida como o essencial da fé, como se esta mais não fosse que o exercício da virtude. O risco da moralização da fé, cristalizando-a em posturas ideológicas, é um fenómeno que merece atenção e análise.

A vitalidade e a pertinência do Cristianismo dependem fundamentalmente da abertura de cada cristão para a experiência de imersão no Mistério de Deus, por via de Jesus, o Vivente, que pelo seu Espírito faz em nós morada, convocando-nos para o encontro.

Se nos assombra a beleza do caudal do rio que transporta vida por entre os campos, não nos podemos esquecer que, a montante, está a nascente. E ser discípulo de Jesus é, antes de mais, abrir-se à graça de «nascer de novo» em cada dia. O discípulo busca sempre o vigor inaugural da nascente. Importa indagar o que nos conduz a esta experiência.

Bem sabemos que o acesso ao conhecimento teórico sobre a pessoa de Jesus não se traduz imediatamente numa relação significativa com Ele. Como surgiu a descoberta de Jesus na nossa vida? O que a tornou decisiva? Há um abismo de diferença (e de vitalidade) entre reconhecê-lo como referência moral ou como Alguém que me salva, permitindo-me estar na vida com a confiança de ser amado incondicionalmente.

A fragilidade do sujeito crente, corpo em deslocação, aberto à hospitalidade do outro, e nesta, atravessado pela Palavra feita carne, é condição para a tangibilidade do Mistério de Jesus neste tempo onde, mais do que mestres, são procurados companheiros peregrinos, mais do que grandes narrativas compactas, são buscadas possibilidades de salvação para o que é quotidiano e que, tantas vezes, é experimentado como fragmentário.

«Aquilo que devemos fazer hoje, não é tanto falar de Cristo, mas deixar que Ele viva em nós, de tal modo que as pessoas possam encontrá-lo ao sentir como vive em nós» (T. Merton).

 

In Jesus, uma boa notícia, ed. Fundamentos
31.03.14

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Capa

Jesus, uma boa notícia

Autores
Carlos Maria Antunes
Gustavo Sousa Cabral

Editora
Fundamentos

Ano
2014

Páginas
76

Preço
8,00 €

ISBN
978-989-20-4656-3

 

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