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A Igreja é hoje capaz de entrar no mistério de Deus?, pergunta papa, que evoca S. José e reza pelos reclusos

«Penso na Igreja, hoje, nesta solenidade de S. José: os nossos fiéis, os nossos bispos, os nossos sacerdotes, os nossos consagrados e consagradas, o papa, são capazes de entrar no mistério?»

Esta foi uma das inquietações partilhadas esta manhã pelo papa, na homilia da missa a que presidiu, no Vaticano, no dia em que a Igreja celebra a solenidade do pai adotivo de Jesus, e em que se assinalam os sete anos do início solene do pontificado de Francisco.

Na introdução à celebração, o papa pediu aos católicos que rezassem hoje «pelos irmãos e irmãs que estão na prisão»: «Sofrem tanto, pela incerteza daquilo que vai acontecer, e também pensando nas suas famílias, como estão, se há alguém doente, se falta alguma coisa».

«Fiquemos hoje próximos dos reclusos, que sofrem tanto neste momento de incerteza e de dor», pediu Francisco, referindo-se às restrições, devidas à pandemia, que caem sobre a existência, já pesada, da vida na prisão.

Ao refletir sobre o Evangelho proclamado nas missas desta quinta-feira Mateus 1, 16.18-21.24a), Francisco destacou que «José era justo, ou seja, era um homem de fé», a par das figuras que, ao longo dos tempos, durante a revelação progressiva de Deus, «viveram a fé como fundamente daquilo que se espera, como garantia daquilo que não se vê».

«O Senhor escolheu um homem capaz de ser homem, e também capaz de entrar no mistério de Deus, e esta foi a vida de José: viver a sua profissão, a sua vida de homem, e entrar no mistério», apontou.



«Aos teus pés, ó meu Jesus, me prostro, e te ofereço o arrependimento do meu coração contrito, que se abisma no seu nada e na tua santa presença. Adoro-te no sacramento do teu amor»



José, prosseguiu o papa, «não era um sonhador, mas entrava no mistério com a mesma naturalidade com que levava por diante o seu ofício, com a precisão do seu ofício» de carpinteiro, que ajusta milimetricamente a madeira.

Para Francisco, «quando a Igreja perde a possibilidade de entrar no mistério, perde a capacidade de adorar», porque «a oração de adoração só pode dar-se quando se entra no mistério de Deus».

«Peçamos ao senhor a graça de que a Igreja possa viver na concretude da vida quotidiana, e também na concretude do mistério; se não o pode fazer, será uma Igreja a metade, será uma associação piedosa, levada por diante pelas prescrições, mas sem o sentido da adoração», assinalou.

Depois de acentuar que «entrar no mistério não é sonhar», mas «adorar», o papa explicitou que «entrar no mistério é fazer hoje aquilo que faremos no futuro, quando chegarmos à presença de Deus: adorar».

Após a comunhão, o papa convidou «todos aqueles que estão longe e seguem a missa pela televisão» à «comunhão espiritual»: «Aos teus pés, ó meu Jesus, me prostro, e te ofereço o arrependimento do meu coração contrito, que se abisma no seu nada e na tua santa presença. Adoro-te no sacramento do teu amor. Decido oferecer-te a pobre morada do meu coração. Na expetativa da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em espírito. Vinde a mim, meu Jesus, que eu vá até ti. Que o teu amor possa inflamar todo o meu ser, pela vida e pela morte. Creio em ti, espero em ti, amo-te. Assim seja».

A seguir, o papa permaneceu em adoração diante do Santíssimo Sacramento, com o qual, passados algums minutos, abençoou a assembleia e quem seguia a celebração pela televisão e internet, antes de concluir a missa.


 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagem) Vatican News
Publicado em 19.03.2020

 

 
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