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A «principal ameaça cultural é a ideologia de género», e «a eutanásia é tudo menos prudente»

O jornalista Henrique Monteiro declarou hoje, no 13.º Encontro Nacional de Referentes da Pastoral da Cultura, em Fátima, que a «principal ameaça cultural é a ideologia de género», e «a eutanásia é tudo menos prudente».

A ideologia de género, «ao contrário do que se pensa, não é uma ideologia de igualdade entre homens e mulheres», e emerge como «uma ameaça enorme» porque «tende a normalizar a ideia de que não há nada que limite o ser humano, nem a biologia».

«Eu nasci rapaz, mas sou rapaz, basicamente, porque não me deram oportunidade de ver como seria eu ser rapariga», é uma das bandeiras, no entender de Henrique Monteiro, dos defensores da ideologia de género, que querem fazer do ser humano uma tábua rasa não determinada pelo sexo biológico.

Depois de defender uma «política prudencial», o cronista vincou que «a eutanásia é tudo menos prudente» por «abrir a porta à eugenia».



«A recompensa passa a obter-se antes do esforço», «todas as reivindicações acabam em “já!”», a «sociedade dos direitos soterra completamente a sociedade dos deveres», «o desenvolvimento da ciência traz a ideia da dispensa da transcendência» e da «morte de Deus»



Uma cultura «que acha que não tem nada a aprender com o passado, é fatal», pelo que outra «ideia a combater é que o mundo começou ontem e acaba amanhã».

Se é verdade que há tradições hoje «anacrónicas», nem tudo o que vem do passado «é obscurantismo», pelo que é no balanceamento «entre inovação e tradição que nos devemos manter». Contrariamente a esta ótica, é «extraordinário» o facto de «uma coisa tão seminal na cultura ocidental como o sermão da montanha não ser conhecido».

Referindo-se ao aborto, o escritor afirmou a convicção de que «a vida começa na conceção», e a propósito da legislação, evocou, ironicamente, a imagem de Deus passar à 12.ª semana pelo corpo da mulher e operar um «milagre», fazendo com que só a partir de então o feto passe a ser uma vida.

«A predominância da ciência sobre o espírito é uma das maleitas que nos trouxe até onde estamos», observou Henrique Monteiro, acrescentando que «os navios perdem-se no mar quando não têm faróis, e o mesmo acontece com os homens», que não são donos de si e do seu destino.



O cristianismo trouxe ao ocidente conceitos que se mantêm como esteios da sua cultura, como a «esperança» e a «misericórdia»



A intervenção que dirigiu aos referentes e representantes diocesanos da Pastoral da Cultura apresentou uma panorâmica das principais metamorfoses observadas no pensamento e comportamentos das décadas recentes, sem autocensura: «Há duas instituições para as quais nunca me faço rogado, a Igreja e as Forças Armadas. São as únicas em Portugal onde se pode discutir a sério».

Enquanto a arte «deixou de ter um cânone e situa-se num plano diferente, já não pretendendo a elevação do espírito», as sociedades «foram evoluindo no sentido da privacidade».

As famílias «foram tornando-se progressivamente em centros de custos», e quando antes «tendia a proteger os mais novos e os mais velhos», hoje esses cuidados foram transferidos «para as instituições ou para o Estado».

«A recompensa passar a obter-se antes do esforço», «todas as reivindicações acabarem em “já!”», a «sociedade dos direitos soterrar completamente a sociedade dos deveres», «o desenvolvimento da ciência trazer a ideia da dispensa da transcendência» e da «morte de Deus», a «pulverização social do espaço» e a «desagregação do ideal do bem comum» foram algumas das mutações enunciadas.

Definindo-se como «crente não católico», Henrique Monteiro apontou alguns dos conceitos que o cristianismo legou ao ocidente e que se mantêm como esteios da sua cultura, como a «esperança» e a «misericórdia», e sustentou que deve ter-se «a máxima tolerância com a diferença, mas é um erro considerar que todas as culturas se equivalem» em termos da dignificação do ser humano.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Henrique Monteiro
Publicado em 25.01.2020

 

 
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