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Abra os olhos e ganhe coragem

Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe, então: «Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?» Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode atuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.» Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé» - que quer dizer Enviado. Ele foi, lavou-se e regressou a ver. (João 9, 1-7)

Numa importante corrida de barcos entre uma empresa portuguesa e outra espanhola, esta acabou por ganhar com um km de avanço. Os portugueses contrataram um consultor para descobrir o que havia corrido mal. O especialista revelou que os espanhóis tinham uma pessoa a gerir o barco e sete a remar, enquanto os portugueses tinham sete gestores e só um remador.

Os portugueses reestruturaram imediatamente a equipa: passaram a ter um gestor, seis assessores e... um remador. Na corrida seguinte, os espanhóis ganharam por dois km!

ImagemLucas van Leyden

Depois de mais investigações intensivas, os portugueses despediram o remador! A realidade estava bem diante deles mas não conseguiam enxergá-la.

Somos todos cegos para muitas coisas, e somos muito mais pobres por causa disso. Raramente vemos o quanto Deus e as pessoas nos amam; apenas vemos uma fração dos nossos dons e só uma pequena parte das possibilidades que Deus nos confiou; só de relance entrevemos as maravilhas que nos rodeiam, especialmente as pessoas maravilhosas que tomamos como certas. Tanta alegria, tanta consolação, tanto entusiasmo perdidos porque somos cegos a parte da bondade existente à nossa volta.

E tão triste como isso, não vemos parte do que nas nossas vidas não funciona e precisa de ser corrigido: as relações, os casamentos, os filhos, os estilos de vida. Não os vemos e por isso não os podemos emendar. E assim a nossa tristeza continua sem ter fim.

ImagemDuccio

Porque é que somos tão cegos? Em parte, por medo. Muitas vezes temos medo de olhar para o que pode estar errado ou para o que pode ser um beco sem saída porque temos medo de que não tenha solução ou que não haja alternativas. É por isso que as mulheres vítimas de violência doméstica aguentam os maus-tratos, dizendo a si próprias: “Não é assim tão mau”. É mau, mas elas não irão ver, e às vezes nós não veremos – por medo.

Mas há mais que medo. Os nossos valores podem manter-nos cegos. A nossa cultura diz-nos que é um desperdício de tempo ter tempo todos os dias para recordar quem somos, para olhar para nós próprios, para os outros e para o nosso mundo – para o melhor e para o menos bom – e ver com mais clareza. “Não gastes o teu tempo”, diz a cultura. Por isso permanecemos cegos e atarefados – e depois perguntamos por que é que a vida não melhora.

Imagem Eustache Le Sueur

Jesus aproximou-se do homem que nasceu cego e ajudou-o a ver pela primeira vez. Da mesma forma ele aproxima-se de nós, chamando-nos a sair da escuridão e a entrar na luz.

Abra os olhos e agradeça por tudo o que é e que pode ser. Abra os olhos e segure na mão de Deus, que esteve sempre à espera de ser apertada. Abra os olhos e ganhe coragem, porque é verdadeiramente abençoada! Verá, se olhar!

 

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad./adapt.: Rui Martins
© SNPC (trad.) | 03.04.11

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