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Música

Alfredo Teixeira vence Prémio de Composição Fernando Lopes-Graça com "O Menino Jesus numa estória aos quadradinhos"

O português Alfredo Teixeira (n. 1965) venceu o 3.º Prémio Internacional de Composição Fernando Lopes-Graça, com a obra “O Menino Jesus numa estória aos quadradinhos”, rimance para coro infantojuvenil e piano a partir do poema "Hino de Amor", de João de Deus.

O antropólogo, investigador, teólogo e docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica reuniu a unanimidade do júri, constituído pelos compositores Sérgio Azevedo e Luís Tinoco, e a maestrina Erica Mandillo.

Nesta edição do prémio instituído pela Câmara Municipal de Cascais em 1994 para homenagear o compositor Fernando Lopes-Graça (1906-1994), o tema proposto foi o Natal, acolhendo obras inéditas para coro infanto/juvenil (vozes iguais) “a cappella” ou com acompanhamento de piano.

O júri distinguiu com Menções Honrosas as obras “Branca estais colorada”, da compositora Maria de Fátima Fonte Ferreira, e “Mensagem do Menino Esquecido” do compositor brasileiro Alexandre de Paula Schubert.

A entrega formal do prémio ocorre a 17 de dezembro, numa sessão que inclui a audição da obra vencedora, a apresentação da edição da partitura e a audição da obra de Lopes-Graça “Presente de Natal para as crianças”.

 

Sobre “O Menino Jesus numa estória aos quadradinhos”
Alfredo Teixeira

O poema de João de Deus [1830-1896] transcreve o maravilhoso cristão numa cena bucólica do quotidiano do Deus Menino. À frugalidade descritiva da infância de Jesus nos Evangelhos canónicos cristãos, respondeu o imaginário popular com a efabulação miniatural da história sagrada. João de Deus recolhe, neste poema, toda essa plasticidade.

O compositor leu este documento poético como se de uma banda desenhada se tratasse (a «estória aos quadradinhos»), a que associou a memória fílmica das animações clássicas de Walt Disney. Permanece na criação musical algo dessa sucessão segmentada, por vezes alucinante, onde o ritmo mais histriónico e a expressão mais contemplativa se justapõem, se sobrepõem e se penetram. «Rimance» apela, aqui, à forma histórica dos tradicionais pequenos contos épicos, de forma poética, mas também à assonância que ficcionalmente aproxima o vocábulo da semântica do riso – não se trata, no entanto, de um humor trocista, mas de um humor encantado.

Criando a oportunidade de uma homenagem pessoal, a obra encontra-se enquadrada, no seu introito e epílogo, por uma referência modificada à II Cantata de Natal de Fernando Lopes Graça. As suas cantatas de Natal constituem uma das leituras musicais mais penetrantes desse maravilhoso cristão, vertido na mística de um Natal ao sul - português, ibérico e mediterrânico.

 

Hino de amor
João de Deus

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O bom Jesus,
O Deus Menino.

Eis senão quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do Sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.

Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho,
Corre apressado,
Quebra o encanto,
Foge a serpente,
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
Tão requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
Tão repassado
De gratidão,
De uma alegria,
Uma expansão,
Uma veemência,
Uma expressão,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!

Jesus caminha
No seu passeio,
E a avezinha
Continuando
No seu gorjeio
Enquanto o via;
De vez em quando
Lá lhe passava
À dianteira
E mal poisava,
Não afroixava
Nem repetia,
Que redobrava
De melodia!

Assim foi indo
E foi seguindo.
De tal maneira,
Que noite e dia
Numa palmeira,
Que havia perto
Donde morava
Nosso Senhor
Em pequenino
(Era já certo)
Ela lá estava
A pobre ave
Cantando o hino
Terno e suave
Do seu amor
Ao Salvador.

 

Alfredo Teixeira: percurso curricular musical

Alfredo Teixeira fez os seus estudos musicais na Escola de Música do Conservatório Nacional, na classe de Órgão do professor Simões da Hora e na classe do professor Rui Paiva, formação completada com os estudos de canto com a professora Manuela de Sá, Música de Câmara com o maestro Fernando Eldoro, e Composição com Jorge Peixinho e Eurico Carrapatoso.

Frequentou o Curso Internacional de Direcção Coral do Orfeo Lleidatà – sob orientação dos maestros Lászlo Heltay, Erwin List e Montserrat Rios –, e também os cursos de formação para professores de Análise e Técnicas de Composição promovidos pelo Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional.

Depois de ter terminado o percurso curricular na Escola de Música do Conservatório Nacional, estudou composição com Jorge Peixinho, durante três anos, até à data da sua morte, em 1995. Estes estudos foram acompanhados de várias experiências no âmbito da música vocal: participou regularmente no Coro da Escola de Música do Conservatório Nacional (Lisboa) sob direcção do maestro Fernando Eldoro, bem como em vários projectos de música vocal com o maestro Paulo Brandão e a maestrina Teresita Marques.

Dirige o Grupo Vocal Discantus (Cascais) desde a sua constituição.

 

Estudos musicais de Alfredo Teixeira: Coro Anonymus
© SNPC | 22.09.13

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Foto
Alfredo Teixeira
Foto: Agência Ecclesia

 

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