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As igrejas de Vittorio Gregotti

Conhecido em Portugal sobretudo pelo projeto, em coautoria com Manuel Salgado, do Centro Cultural de Belém, em Lisboa (1993), o italiano Vittorio Gregotti, nascido em 1927 e falecido a 15 de março, aos 92 anos, vítima de covid-19, é um nome tutelar para arquitetos e docentes universitários, distinguindo-se por manter uma perspetiva teórica e um conspícuo número de importantes projetos, no seu país de origem e no mundo.

O estádio olímpico de Barcelona, teatros em Milão e de Aix-en-Provence, o complexo Pirelli em Milão e uma cidade para cem mil habitantes nos arredores de Shangai foram alguns dos projetos assinados pelo seu gabinete.

Corresponsável pela criação da Bienal de Arquitetura de Veneza, como exposição independente dos demais domínios criativos, e diretor de revistas da especialidade, Gregotti deixou o seu traço em dois espaços católicos em Itália: os projetos de S. Clemente, em Baruccana di Seveso, e de S. Maximiliano Kolbe, em Bérgamo.

O complexo paroquial de S. Clemente nasce de um primeiro projeto concebido em 1991, no qual era colocada, como hipótese, a construção, em várias fases, não só da igreja e de uma casa paroquial, um oratório, um auditório e espaços para desporto (estas três secções não foram edificadas desde a inauguração da igreja e residência, em 2003).

As várias funções estariam alocadas em edifícios desenhados em torno a um pátio, e apresentados com uma imagem forte e unitária, contraposta àquela fragmentada da periferia em que o projeto se insere – o que, nas intenções de Gregotti, alude à ideia de uma aldeia.

Os volumes, com uma altura máxima de oito metros (à exceção do corpo central da igreja), são revestidos do mesmo material – placas de granito “serizzo ghiandone” –, e estão ligados por percursos abertos, configurados como verdadeiras ruas pedonais, e projetados com particular atenção ao desenho das pavimentações.

O corpo do edifício que hospeda as assembleias religiosas apresenta uma secção em T.
O elemento de rutura desta disposição é constituído pela massa semicilíndrica que acolhe a fonte batismal, esculpida num bloco monolítico de mármore branco de Carrara. A principal fonte de iluminação é a faixa envidraçada no topo do corpo principal. Sob a torre sineira encastoam-se a abside e a capela.



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A igreja dedicada a S. Maximiliano Kolbe, e o respetivo centro paroquial, situam-se em dois edifícios voltados para uma praça, e ligados por percursos e espaços abertos à cidade. O projeto, lançado por ocasião do Jubileu do ano 2000, visava a construção de um novo centro comunitário nas proximidades da antiga igreja de Nossa Senhora do Loreto.

O projeto, que venceu a edição de 1999 do concurso "Progetti Pilota", promovido pela Conferência Episcopal Italiana, apresenta um volume prismático com planta central sobreposta por um tambor. É particularmente eficaz a pesquisa sobre o tema da gestão da luz natural, em especial para a iluminação do altar.

A fachada principal, voltada para a antiga igreja, é precedida por um pórtico revestido com pedra de arenito quartzífera dourada que envolve todo o complexo com placas quadradas de 50 cm.

O mobiliário litúrgico foi também desenhadas pelo gabinete de Gregotti: trata-se da combinação de mármores brancos e bronze, que caracteriza, por exemplo, o imponente altar, constituído por treze colunas (uma das quais contém uma relíquia do P. Kolbe), e a fonte batismal.

O complexo, executado entre 2005 e 2008, compreende a casa paroquial e espaços para atividades pastorais, a par de um salão polivalente utilizado para assembleias.



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Fonte: Architettura in Lombardia dal 1945 ad oggi, Architettura in Lombardia dal 1945 ad oggi
Trad./edição: Rui Jorge Martins
Imagem:: Vittorio Gregotti | D.R.
Publicado em 31.03.2020

 

 
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