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Ator Miguel Guilherme dá voz ao Evangelho em meditação sobre “As sete últimas palavras de Cristo na cruz”

As meditações do P. Pablo Lima, a música de Franz Joseph Haydn, a interpretação do Quarteto Verazin e a voz do ator e encenador Miguel Guilherme integram o novo livro-CD “As sete últimas palavras de Cristo na cruz”, da Paulus Editora.

A «reflexão profunda e atual» do sacerdote da diocese de Viana foi apresentada pela primeira vez a 25 de março de 2018, no início da Semana Santa, na basílica dos Congregados, em Braga, com o ator e a orquestra.

«Estas Sete Palavras são as Últimas. “The last but not the least”. As Últimas; mas, em ordem de importância, as primei­ras. Porque no Calvário ficou tudo dito, porque quem quiser aprender o Evangelho basta que aprenda estas Palavras, a par­tir das quais todo o Novo Testamento foi escrito, porque um Homem quando está para morrer não diz banalidades, e mes­mo o que parece banal torna-se eloquente por causa dessa hora derradeira», escreve o P. Pablo Lima, na apresentação.

O Homem que pronuncia as últimas palavras, aponta o biblista, «é Cristo», porque «chamar-Lhe Jesus, quando está pen­durado do madeiro, é quase uma piada de mau gosto. "Jesus" significa "Deus salva"! Mas como pode Deus salvar com as mãos e os pés pregados ao lenho? Dessa forma, desarmado, é que Jesus, o Cristo, salva. Não quando realizava milagres, não quando caminhava sobre as águas, não quando ouvia os "hos­sanas". Mas quando já não pode mexer as mãos para tocar os olhos do cego, as chagas do leproso, a cabeça dos Apóstolos... é quando Cristo salva».

«Estas Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz são du­ras como pedras, suaves como uma carícia, doces como o mel, amargas como uma lágrima, breves como um suspiro, longas como o madeiro... E elas são as derradeiras Palavras da Liberdade. Não nos deixemos enganar pelas aparências: esse homem, o Filho de Deus, preso a uma cruz, é o Ser Humano e Divino mais livre de todos os tempos. Tão livre, tão livre que fez o poeta Moacyr Félix escrever aquele célebre diálogo de um filho com o seu pai: “‘Meu Pai, o que é a liberdade?’ - É um homem morto na cruz/ por ele próprio plantada,/ é a luz que sua morte ex­pande/ pontuda como uma espada”», acentua o professor da Faculdade de Teologia.

Haydn (1732-1809) é considerado um dos mais importantes compositores do período clássico. A obra foi composta em 1786, na sequência da enco­menda de um clérigo de Cádis, Espanha, que solicitava uma música orquestral para acompa­nhar os serviços litúrgicos da Semana Santa, que servisse de in­terlúdio às “Sete últimas palavras de Cristo na cruz”.

O livro-CD, de que apresentamos seguidamente um excerto escrito e outro em áudio, vai ser apresentado a 16 de março, às 11h30, no Instituto Católico de Viana do Castelo, e às 15h15, na basílica dos Congregados, com a presença do P. Pablo Lima e, em Braga, também do Quarteto Verazim.

 

6.ª Palavra
P. Pablo Lima
In “As sete últimas palavras de Cristo na cruz”

‘Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então, ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-lha à boca. Quando tomou o vinagre, Jesus disse: “Consumado”.» (João 19,29-30)

Foi para isto que disseste a tua sede e bebeste o nosso vinagre, para tudo consumar. E São João quem nos explica e nos relata uma só palavra: “Tetélesthai”. Apenas uma:" consumado". Consumado e consumido. Umas linhas antes, João nos tinha explicado que Tu viste que "tudo estava consumado". Viste e, agora, dizes: «Consumado.» Ao iniciar o relato da tua Paixão, é o mesmo evangelista que nos diz que Tu «tendo amado os teus que estavam no mundo, amaste-os “eis télos” até à consumação» (Jo 13,1).

É este o sentido do teu "consumado"; o teu amor, a tua paixão que não significa sobretudo, nem em primeiro lugar, sofrimento, mas afeto ardente, que consome, que consuma. "Tudo está consumado" quer dizer que já não podes amar mais, que a tua morte é a medida do teu amor: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.» (Jo 15,13)

Não foi a saborear mel, mas vinagre, que se consumou o teu amor. Não foi nos banquetes festivos que tanto amavas, mas no alto da Cruz. E assim ensinas-nos que tudo começa e acaba na tua Cruz. Que ela é o maior sinal de amor, não de tortura! Que não é o euro ou o cifrão o verdadeiro sinal de êxito, mas sim a tua Cruz! Ajuda-nos a compreender e aceitar que a tua hora, a tua glória, a tua majestade está crucificada. E que não há outro caminho autêntico para o cristão que não passe pela tua Cruz. Por isso, escreveu Lutero", «que não é bom e a ninguém aproveita conhecer a Deus na sua glória e majestade, sem conhecê-l'O primeiro no seu rebaixamento e na ignomínia da cruz».

Certo, ninguém deve procurar a cruz! Até porque uma cruz sem Cristo não é cristianismo, é masoquismo! Mas um Cristo sem cruz também não é cristianismo, é ilusionismo! Não há obra verdadeira que não comece com uma cruz. O primeiro grande arquiteto e vencedor do plano-piloto da cidade de Brasília, Lúcio Costa, escreveu, ao desenhar o primeiro plano da cidade, que a capital do Brasil não tem a forma de um avião, mas de uma cruz: «Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.» E, desde o alto do Calvário, a sombra da tua Cruz estendeu-se à Humanidade inteira, espalhou-se aos quatro pontos cardeais e ainda cobre o universo inteiro, o passado, o presente e o futuro.

Tudo, tudo está consumado! Nada nem ninguém está fora de Ti: todos estamos abraçados por Ti! O teu amor alcança, repara e purifica o nosso amor parcial, frágil, deficiente. Não há nenhum pecado que não possa ser consumido pela tua sede, no teu fogo. Sim, só do alto da Cruz podia ressoar tão alto o teu grito de vitória: Tudo está consumado! O ódio não tem a última palavra, a violência não tem a última palavra, a maldade não tem a última palavra, és Tu, só Tu, que tens e proclamas não só sete últimas palavras, mas a Ultima, a Definitiva Palavra sobre Deus a Humanidade. Consumado, tudo, tudo, tudo.





Imagem Índice | D.R.

 

Edição: Rui Jorge Martins
Imagem: Capa | D.R.
Publicado em 08.03.2019

 

Título: As sete últimas palavras de Cristo na cruz
Autores: Texto: P. Pablo Lima; música: Franz Joseph Haydn ; interpretação: Miguel Guilherme, Quarteto Verazin
Editora: Paulus
Páginas: 44
Preço: 10,00 €
ISBN: 9789723021134

 

 
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