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"Música Sacra em Portugal" (vol. I), da Capella Duriensis: primeira audição (duas faixas) e notas do programa

A Capella Duriensis apresenta a 18 de julho, no Porto, o primeiro disco da série "Musica Sacra de Portugal", dedicado ao "Rito Bracarense".

Apresentamos, em primeira audição, duas faixas do disco que inaugura uma coleção de seis cd's: De Beata Virgine, de Miguel da Fonseca (Mestre da Capela da Sé de Braga c.1540-c.1545); O Bone Jesu, de Pero de Gamboa, igualmente Mestre da Capela da Sé (1563?-1638).

O musicólogo Luís C. F. Henriques explica, no texto seguinte, as notas do programa deste disco. As músicas podem ser apreciadas no fim do artigo. A notícia do lançamento do disco pode ser (re)lida na secção "Artigos relacionados".

 

Música na Sé de Braga no século XVI
Luís C. F. Henriques

Quando, a 14 de julho de 1570, foi emitida a Bula Quo primum tempore pelo Papa Pio V, com a intenção de unificar os diferentes ritos da Europa num único rito (o Rito Romano), a Sé de Braga foi uma das exceções. Esta catedral pode manter os seus livros e ritos litúrgicos por estes terem mais de dois séculos, como garantia a Bula. De facto, a antiguidade deste rito perde-se nas próprias origens da cidade assim como a prática musical a ele associada.

O manuscrito 34 do Arquivo Distrital de Braga, conhecido por Gradual de Braga, é um testemunho da antiguidade e forte tradição do chamado Rito Bracarense (cuja primeira fonte documental se encontra no chamado Missal de Mateus, manuscrito que terá sido copiado no Sul de França entre 1130 e 1150). Este manuscrito, cuja data de conceção se pode situar entre as primeiras duas décadas do século XVI (durante o governo do Arcebispo D. Diogo de Sousa), contém o Temporal dominical, dois Santorais, Kirial, ofício e missa pro defunctis assim como os cantos de vésperas para as principais festividades, Semana Santa e ofício e missa de festividades particulares com relação a Braga.

Destas festividades destaca-se, para além da festa de São Geraldo (patrono da cidade) a festa de São Pedro de Rates. São Pedro de Rates terá sido o primeiro bispo de Braga, embora não hajam fontes documentais precisas que confirmem esta afirmação. Pedro foi martirizado durante a conversão dos povos pagãos no Norte da Península Ibérica. A festa deste santo foi introduzida na primeira década do século XVI, aparecendo pela primeira vez documentada no Breviário impresso em 1511. Os cantos do ofício para a Festa de São Pedro de Rates encontram-se nos fólios 407 a 414 do Gradual. Estes incluem as antífonas e responsório do ofício de Vésperas antecedendo a festa do santo. A secção do manuscrito contendo o canto para esta festa, assim como a Missa Quinque Plagarum (nos fólios 387 a 389), possui uma qualidade gráfica inferior comparativamente à secção correspondente à festa de São Geraldo.

São incertas as origens da prática vocal polifónica na Sé de Braga. A primeira referência documental relativa ao repertório polifónico nesta catedral é o manuscrito 967 existente no Arquivo Distrital de Braga, denominado Liber Introitus. Apesar de ostentar a data de 1615 (logo a seguir ao título) no frontispício, este manuscrito terá sido copiado nos meados do século XVI. O Liber Introitus contém, para além do cantochão, polifonia para os introitus e communios para os Domingos e principais festas de quase todo o ano litúrgico. As obras são na sua maioria a quatro vozes, aumentando o seu número nas obras destinadas a festas mais importantes, como o Natal. Das 85 obras que compõem o Liber Introitus, 33 são atribuídas a Miguel da Fonseca. Este era mestre de capela na Sé de Braga pelo ano de 1544, cargo que ocupava muito provavelmente desde finais de 1540 pela referência à sua nomeação para mestre de capela durante a permanência do Infante D. Henrique como Arcebispo de Braga (1533 a 1540). Terá sido também mestre de capela do Infante D. Duarte (filho de D. João III), nomeado Arcebispo em 1542 que contudo não chegou a sagrar-se devido à sua menoridade para o cargo, vindo a falecer no ano seguinte.

Desconhece-se a data de nascimento de Pero de Gamboa apenas se conhecendo a data do seu falecimento em Vila Nova de Famalicão, a 17 de março de 1638. Gamboa foi mestre de capela na Sé de Braga entre cerca de 1585 até cerca de 1587 ou 1591. Desde julho de 1584 que era abade em São Paio de Arcos e desde 1591 abade em São Salvador de Bente, para onde se crê ter-se mudado definitivamente pelo ano de 1594. Em 1635 é dotado na celebração na Sé de Braga de duas missas de aniversário por alma do seu antigo patrono o Arcebispo D. João de Menezes, que morrera em 19 de julho de 1587. A obra de Gamboa encontra-se distribuída pelo manuscrito 40 e pelos livros de partes 76-79 da Biblioteca Municipal do Porto, copiados nas primeiras décadas do século XVII para uso em São Bento da Vitória.

Sucedeu a Pero de Gamboa no cargo de mestre de capela da Sé de Braga, possivelmente em 1594, o Padre Lourenço Ribeiro. Quando, a 29 de abril de 1595, é nomeado mestre de canto d’orgão e contraponto no Seminário de São Pedro de Braga, aparece já como mestre de capela da catedral bracarense e capelão do Arcebispo D. Fr. Agostinho de Jesus. Terá permanecido como mestre de capela nesta catedral até cerca de 1606, sendo já por esse ano mestre de capela António Carreira Mourão, seu sucessor nesse cargo. A única obra que se conhece atribuída a Ribeiro é uma Missa pro Defunctis que se encontra no manuscrito 965 do Arquivo Distrital de Braga. Esta missasegue o modelo de composição que tem como base o cantus firmus correspondende, enquadrando-se no contexto das obras do género escritas na primeira metade do século XVII.

 

De Beata Virgine

 

 

O Bone Jesu

 

 

© Capella Duriensis | 15.07.13

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Capa do CD

 

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