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Papa Francisco: Diz-me como te dás aos excluídos, dir-te-ei como celebras a missa

O papa Francisco realçou hoje que há «sinais muito concretos» que permitem discernir se a missa é bem vivida e tem reflexos fora da igreja, nomeadamente no cuidado com as pessoas mais excluídas, ou se não passa de uma «tradição consolidada».

«O primeiro indício é o nosso modo de olhar e considerar os outros», frisou na audiência geral semanal, realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano, em que prosseguiu a catequese sobre o sacramento na Eucaristia, iniciada na semana passada.

A Eucaristia torna real a «total partilha de si por amor» assumida por Cristo, que se aproximou dos «desejos» e «problemas» das pessoas com quem se cruzou, procurando responder ao que «agitava a sua alma e a sua vida», salientou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.

«Nós, quando participamos na Santa Missa, encontramo-nos com homens e mulheres de todo o género: jovens, idosos, crianças; pobres e ricos; naturais da terra e forasteiros; acompanhados por familiares e sozinhos… A Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos, verdadeiramente, como irmãos e irmãs?», questionou.

A missa faz crescer em quem nela participa «a capacidade de se alegrar com quem está alegre e de chorar com quem chora?», perguntou, antes de voltar a interrogar: «Impele-me a ir junto dos pobres, dos doentes, dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles o rosto de Jesus?».

Tirando os olhos do discurso, o papa insistiu: «Todos nós vamos à missa porque amamos Jesus e queremos partilhar a sua paixão e a sua ressurreição na Eucaristia. Mas amamos como Jesus quer que amemos aqueles irmãos e irmãs mais necessitados?».

Depois de recordar os estragos causados pela chuva intensa que caiu nos últimos dias em Roma, a par do desemprego causado pela «crise social», o papa questionou: «Pergunto-me, todos nós nos perguntamos: eu que vou à missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, aproximar-me, rezar por eles, que têm este problema? Ou sou algo indiferente?».

«Ou talvez me preocupe em cochichar: “Viste como estava vestida aquela, ou como está vestido aquele?”. Às vezes faz-se isto depois da missa, ou não? Sim, faz-se. E não se deve fazer. Devemos preocupar-nos pelos nossos irmãos e irmãs que têm uma necessidade, uma doença, um problema», apontou.

A seguir, o papa lançou um apelo: «Pensemos – far-nos-á bem hoje – nestes irmãos e irmãs que têm hoje problemas em Roma, problemas pela chuva, por esta tragédia da chuva, e problemas sociais de trabalho, e peçamos a Jesus, a este Jesus que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los».

O segundo sinal, «muito importante», que atesta a autenticidade da participação na missa é «a graça de sentir-se perdoado e pronto a perdoar».

«Por vezes alguém pergunta: “Porque é que se deve ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na Santa Missa é pecador como os outros?”. Quantas vezes ouvimos isto... Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se tem a si ou quer aparecer como melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus», afirmou.

Voltando a sair do discurso, Francisco acentuou: «Se cada um de nós não se sente necessitado da misericórdia de Deus, não se sente pecador, melhor será que não vá à missa. Porque nós vamos à missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Jesus, participar na sua redenção, no seu perdão».

Referindo-se ao ato penitencial das missas, que ocorre pouco depois do início da celebração, quando os fiéis se confessam pecadores, o papa afirmou que não se trata de um «pró-forma», mas de um «verdadeiro ato de penitência».

O terceiro indício que comprova a coerência entre a participação na missa e as suas implicações na vida consiste na consciência da importância da «comunidade cristã».

«É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós fazemos; não é uma comemoração nossa do que Jesus disse e fez. Não. É precisamente uma ação de Cristo», que alimenta os cristãos da sua «Palavra e da sua vida», pelo que é da missa que brota a «missão e identidade» da Igreja.

«Uma celebração pode resultar impecável do ponto de vista exterior, belíssima, mas se não nos conduz ao encontro com Jesus, arrisca-se a não levar nenhum alimento ao nosso coração e à nossa vida», assinalou.

«Através da Eucaristia, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la da sua graça, de tal forma que em toda a comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida», apontou Francisco.

Ao terminar a catequese em italiano, o papa lançou um convite: «Vivamos a Eucaristia com espírito de fé e de oração, de perdão, de penitência, de alegria comunitária, de preocupação pelos necessitados e pelas necessidades de muitos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá o que prometeu: a vida eterna».

 

Rádio Vaticano
Trad.: SNPC/rjm
© SNPC | 12.02.14

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