Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Eduardo Lourenço, Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes: Declaração de D. João Lavrador

O Júri do prémio Árvore da Vida/Padre Manuel Antunes, no presente ano, decidiu por unanimidade atribuir este prémio ao Professor Doutor Eduardo Lourenço.

Com esta decisão pretendeu manifestar-se a notável personalidade do Senhor Professor Doutor Eduardo Lourenço, reconhecido na sua grandeza intelectual, na crítica assertiva e orientadora, a profundidade da sua cultura humanista, de cidadão exemplar e das coordenadas do seu pensamento na busca da Verdade, orientada pela revelação do Verbo de Deus e, como tal, dentro dos parâmetros do humanismo cristão.

Na sua ânsia de encontro com os intelectuais que marcaram o desenvolvimento do pensamento moderno e contemporâneo, nunca abdicou da sua liberdade de pensar, de questionar e de se envolver no mundo da arte e da poesia como encanto e contemplação do absoluto.

A sua educação cristã de criança, a formação académica de Coimbra, acompanhando as discussões Ceadecistas, e o ambiente católico do ser português nunca deixaram de marcar a sua riquíssima personalidade.

Por isso, o Senhor Professor Doutor Eduardo Lourenço, ao aceitar receber este prémio, empresta ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e à Igreja em Portugal um valor inquestionável no diálogo entre a fé e a razão, entre a Igreja e a Cultura no mundo atual.

Na verdade, tal como afirma o Concilio Ecuménico Vaticano II, se reconhecemos que «todos os que, de acordo com a vontade de Deus, promovem a comunidade humana no plano familiar, cultural, da vida económica e social e também política, seja nacional ou internacional, prestam não pequena ajuda à comunidade eclesial, na medida em que esta depende das realidades exteriores» ("Gaudium et spes" (GS), 44); então, a Igreja afirma que «dedicando-se às várias disciplinas da história, filosofia, ciências matemáticas e naturais, e cultivando as artes, pode o homem ajudar muito a família humana a elevar-se a conceções mais sublimes da verdade, do bem e da beleza e a um juízo de valor universal, e ser assim luminosamente esclarecida por aquela admirável sabedoria, que desde a eternidade estava junto de Deus, dispondo com Ele todas as coisas, e encontrando as suas delícias em estar com os filhos dos homens» (GS, 57).

Ao referir-se ao diálogo mútuo entre a teologia e a filosofia, S. João Paulo II afirma que «a Palavra de Deus destina-se a todo o homem, de qualquer época e lugar da terra; e o homem, por natureza, é filósofo» (Fides et ratio" (FR), 64). E, acrescenta-se «por sua vez, a teologia, enquanto elaboração reflexiva e científica da compreensão da palavra divina à luz da fé, não pode deixar de recorrer às filosofias que vão surgindo ao longo da história, tanto para algumas das suas formas de proceder como para realizar funções mais específicas» (FR, 64).

Aliás, como realça o Santo Padre, há «funções próprias da teologia, onde, por causa da própria natureza da Palavra revelada, se exige o recurso ao pensamento filosófico» (FR, 64).

Apresentando o nosso reconhecimento e apresentando as nossas felicitações ao Senhor Professor Eduardo Lourenço, sentimos que na sua pessoa está patente uma belíssima história do pensamento português contemporâneo e mesmo universal pelo que transmitiu na sua escrita, mas também pelo que manifestou nos seus afetos, sentimentos e relações pessoais.


 

+João Lavrador
(João Lavrador, Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, dos Bens Culturais e das Comunicações Sociais)
Imagem: Eduardo Lourenço | D.R.
Publicado em 03.04.2020 | Atualizado em 08.04.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos