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«Ideologia de género é uma contracultura que a maior parte das pessoas não está a perceber»

A médica psiquiatra Margarida Neto afirmou hoje, em Fátima, na 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que a «ideologia de género é uma contracultura que a maior parte das pessoas não está a perceber».

«Em torno do conceito certo de igualdade de género, de igualdade de direitos», baseadas numa «humanidade binária, com dois polos, homem e mulher, iguais e diferentes», o que ela «impõe subliminarmente, com imenso dinheiro derramado estrategicamente sobre programas, educação, cultura, tudo, é que a identidade sexual resulta apenas de uma programação social, homens e mulheres são basicamente iguais».

A identidade sexual caminha para que «se possa ser tudo», cada pessoa pode ser «flutuante», «cabe tudo», pelo que «ninguém é verdadeiramente homem ou mulher para sempre, e isto dá cabo da cultura como nós a conhecemos», como sucede em relação à paternidade e maternidade, com alguns países a substituírem a designação de pai e mãe por «progenitor 1» e «progenitor 2», referiu.

No encontro organizado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, dedicado ao tema “A Mulher na Sociedade e na Igreja”, Margarida Neto falou também sobre a «violência» sobre o sexo feminino, que «não é só cultural».

«Claro que persiste o machismo», mas os jovens continuam a bater nas suas namoradas, e, para a psiquiatra, este fenómeno é também causado pela incapacidade, da parte dos homens, de não saberem «lidar com a frustração, sacrifício e esforço, achando que é tudo automaticamente feliz».

Num tempo em que «o prazer e o imediato tomaram o espaço da felicidade construída», o que implica momentos de dor e renúncia, a Igreja também tem responsabilidade na matéria, porque se «esqueceu de trabalhar a relação humana».

A violência na família ocorre também naquele que é «o último tabu», o abuso sexual sobre as crianças, em particular do sexo feminino, frisou.

Margarida Neto recordou um episódio que passou em contexto católico, depois de se divorciar: «Um dia, um padre perguntou-me se eu ainda sabia falar de família. A dor foi muito grande, e transformei-a a zanga».

Na intervenção, a especialista falou também sobre o esgotamento feminino - «as mulheres estão muito cansadas» e «sabem muito de "burnout"» por causa dos «mil papéis» que desempenham («a vida não é só trabalhar desmesuradamente») -, sobre o esquecimento «da humanidade» na empresa e na política, e da subvalorização da natalidade.


 

Texto e imagem: Rui Jorge Martins
Publicado em 01.06.2019 | Atualizado em 18.06.2019

 

 
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