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Igreja tem de dar tempo a quem procura Deus, diz bispo do Porto

O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, considera que «o diálogo entre a razão e a fé merece e exige da Igreja lugar de escuta e tempo dado aos que procuram Deus».

As palavras do prelado foram proferidas este domingo na catedral do Porto, durante a homilia da missa que assinalou a sua entrada na diocese, em que se mostrou aberto à colaboração entre a Igreja e as restantes instâncias da sociedade.

«O diálogo será timbre do meu viver e caminho do meu encontro com todos», vincou D. António Francisco dos Santos, anterior bispo de Aveiro, ao saudar as autoridades civis que participaram na celebração.

Para o responsável, «há uma conexão íntima entre a evangelização, a promoção humana e o desenvolvimento dos povos, de modo a que a verdadeira esperança cristã gere história, dê sentido à hora que vivemos e apresse um futuro melhor».

«Que não haja entre nós nenhum momento em que o bem comum seja proibido ou não seja procurado», apelou o prelado, que pediu ousadia, criatividade e decisão «sobretudo quando e onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem»: «Esses devem ser os primeiros porque os pobres não podem esperar».

A ação dos católicos na sociedade deve ser orientada pela «bondade», porque só através dela é possível «fazer do poder um serviço, da autoridade uma proximidade e do ministério uma paixão pela missão de anunciar», disse D. António, antes de sublinhar: «O evangelho é tudo o que temos e somos».

«Convoco-vos para sermos mensageiros e protagonistas das Bem-aventuranças numa linguagem serena, positiva e confiante, como expressão da voz de toda a Igreja do Porto», convidou.

Na evocação aos seus antecessores próximos, o prelado lembrou uma figura marcante da Igreja da sociedade em Portugal: «Saberemos ajoelhar diante de Deus em oração, para servir de pé, com passos serenos mas decididos, a Igreja e o mundo, como nos ensinou D. António Ferreira Gomes, generoso servidor desta Igreja, que partiu ao encontro de Deus faz agora vinte e cinco anos».

Na homilia, o bispo portuense louvou «a grande quantidade e geral qualidade» das instituições cívicas, culturais, académicas, hospitalares, desportivas e filantrópicas» que trabalham no território da diocese: «Grande é a alma portuense, solidária e exemplar até para o todo nacional».

«O mesmo se revela na grande capacidade de criar, empreender e inovar, com que em tanto lado se tem conseguido resistir e até superar as grandes dificuldades que nos atingem nesta crise por demais arrastada», acrescentou.

D. António Francisco dos Santos salientou, «por corresponderem com urgência a necessidades que não podem esperar», as «iniciativas que vão ao encontro de problemas imediatos, da alimentação à saúde, da habitação aos recursos mínimos».

Nos primeiros dias como bispo do Porto, o prelado esteve a Casa Sacerdotal, foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal da Cidade Invicta, Rui Moreira, visitou o Hospital da Prelada, participou numa homenagem aos bombeiros portugueses que morreram no último verão a combater os incêndios, e visitou um dos seminários diocesanos.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 09.04.14

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D. António Francisco dos Santos

 

 

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