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Luís Miguel Cintra, Maria Rueff e D. Tolentino Mendonça abrem primeiro congresso em Portugal sobre Etty Hillesum

O lançamento de um livro, a estreia de uma peça musical e a leitura de textos, com a participação de Luís Miguel Cintra, Maria Rueff, João Madureira e D. Tolentino Mendonça, vão marcar o programa previsto para o dia de abertura do primeiro congresso realizado em Portugal dedicado a Etty Hillesum.

Nascida em 1914, a holandesa Esther “Etty” Hillesum redigiu cartas e oito cadernos que viriam a ser o seu “Diário”, nos quais descreve as suas inquietações e reflexões espirituais, bem como as perseguições do nazismo aos judeus em Amesterdão, de que foi vítima, ao ser deportada e morta no campo de concentração de Auschwitz, em 1943, com 29 anos.

O congresso, que começa a 18 de maio na Capela do Rato, em Lisboa, e termina no dia 20, «visa ampliar a "tradução" do seu trabalho, entendido no sentido tradicional da palavra, para outros processos hermenêuticos» relacionados com «trauma e memória», explica o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que organiza a iniciativa.

O programa do primeiro dia inicia-se às 18h00, com a saudação do responsável pela Capela do Rato, P. António Martins, seguindo-se uma oração em memória das vítimas da segunda guerra mundial e um momento de silêncio.

O encontro prossegue com uma peça para cravo de Bach, interpretada por Maria José Barriga, que antecede a intervenção “Como os diários de Etty Hillesum foram publicados e traduzidos para 16 línguas, incluindo o português”, por Klaas Smelik, diretor do Centro de Investigação Etty Hillesum (EHOC), sediado em Gent, Bélgica.

Pelas 18h45, o encenador Luís Miguel Cintra, prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, lê fragmentos do “Diário” de Etty, antes de nova peça de Bach, para guitarra, por Ana Sofia Sequeira.

Um excerto das “Cartas” de Etty vai ser lido pela atriz Maria Rueff, e às 19h20 ocorre a estreia de uma composição de João Madureira para cravo e guitarra, interpretada por Maria José Barriga e Ana Sofia Sequeira.

A sessão continua com a apresentação do livro “Nos passos de Etty Hillesum”, com imagens do fotógrafo profissional Filipe Condado (editora Sistema Solar-Documenta), pelo arcebispo D. José Tolentino Mendonça, que assina a introdução.

O projeto editorial, que une o registo fotográfico a passagens do “Diário” e das “Cartas”, nasceu no seguimento de uma peregrinação à Holanda organizada pela Capela do Rato, que tinha então como responsável o P. Tolentino Mendonça, com o intuito de conhecer a vida e obra de Etty Hillesum.

O encontro termina com as palavras do P. António Martins, seguindo-se um “Porto de Honra”, previsto para as 20h00.

No dia 20, segunda-feira, o congresso transfere-se para a Universidade de Lisboa, abrindo às 9h00 com a sessão de abertura, que antecede a conferência “Etty Hillesum e o seu Deus”, por Klaas Smelik.

Os trabalhos avançam com intervenções de especialistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: “Etty Hillesum e Dietrich Bonhoeffer” (Maria Luísa Ribeiro Ferreira) e “A receção da obra de Etty Hillesum em Portugal” (Patrícia Couto).

A partir das 11h40, é a vez de estudiosos do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica: “A (im)potência de Deus: Do Gólgota a Auschwitz. Algumas notas teológicas a partir do 'Diário' de Etty Hillesum" (P. António Martins), “Palavras de Etty Hillesum e de Job: a impossibilidade de desistir de Deus” (Maria Luísa Almendra) e “Por entre os arames farpados. O Deus vulnerável de Etty Hillesum” (Alexsander Boccarini Pinto).

Às 14h30, uma mesa redonda reflete sobre “A tradução de testemunhos do Holocausto”, com os tradutores Ernesto Rodrigues, Joana Morais Varela, João Barrento e José Colaço Barreiros.

“Etty Hillesum e Philip Mechanicus: duas testemunhas de Westerbork” (Arie Pos), “‘A God of One’s Own’: Listening to Etty Hillesum and Stevie Smith” (Marijke Boucherie) e “‘...encostada ao peito nu da Vida.’ Sobre a consciência da linguagem na escrita autobiográfica de Etty Hillesum” (Maria Teresa Seruya) constituem os temas e intervenientes das conferências previstas para as 16h20.

“Many beautiful words – Etty Hillesum and her booklet ‘Levenskunst’”, por Ria Van Den Brandt (17h40), antecede a sessão de encerramento, que de acordo com o programa deverá estar concluída pelas 19h00.

No domingo, dia 19, prevê-se uma visita guiada ao museu “Vilar Formoso Fronteira da Paz, Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes”, dedicado à passagem dos refugiados por Portugal durante a segunda guerra mundial, viagem que depende do número de participantes.

Etty Hillesum está editada em Portugal através dos livros “Diário 1941-1943” (Assírio & Alvim, 2008), “Cartas 1941-1943” (Assírio & Alvim, 2009), “Etty Hillesum” (Patrick Woodhouse, Paulinas, 2011) e “Cada batida do coração” (Paulinas, 2018).


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Centro de Estudos Comparatistas (nota de apresentação)
Imagem: D.R.
Publicado em 20.05.2019

 

 
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