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Mário Soares e Guilherme d'Oliveira Martins apresentam arquivo pessoal de José da Felicidade Alves

A Fundação Mário Soares apresenta esta terça-feira, em Lisboa, o arquivo pessoal de José da Felicidade Alves, padre que foi afastado pelo então patriarca lisboeta, cardeal Cerejeira, devido às suas posições políticas no tempo da ditadura.

O encontro conta com as intervenções do ex-presidente da República e ex-primeiro-ministro Mário Soares, do presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins, da historiadora Paula Borges Santos, e de um dos principais companheiros sacerdotais de Felicidade Alves, Abílio Tavares Cardoso.

O acervo, entregue à Fundação Mário Soares por Elisete Alves, viúva de José Felicidade Alves, inclui documentação sobre o seu percurso sacerdotal, em particular enquanto pároco de Santa Maria de Belém (no mosteiro dos Jerónimos), de onde proferiu parte significativa das intervenções que o viriam a afastar.

O fundo abrange ainda a edição dos cadernos GEDOC, a prisão pela PIDE (polícia política da ditadura) e julgamento, assim como material sobre o casamento civil e documentos dirigidos à hierarquia católica em que pede o matrimónio canónico, celebrado pelo patriarca D. José Policarpo quase três décadas depois.

Foto Foto: Casa Comum

O espólio, parcialmente acessível no site "Casa Comum", desenvolvido pela Fundação Mário Soares, compreende manuscritos e estudos de caráter teológico, histórico e literário, alguns inéditos, como o "Roteiro da Produção Literária Portuguesa no Século XVI", a que Felicidade Alves se dedicou desde 1981.

A sessão de apresentação do arquivo pessoal decorre às 18h00 no auditório da fundação.

José da Felicidade Alves nasceu a 11 de março de 1925 (registado no dia 24 do mesmo mês) em Vale da Quinta, freguesia de Salir de Matos, Caldas da Rainha, no patriarcado de Lisboa. Entrou no seminário com 11 anos e em 1948 foi ordenado sacerdote.

FotoFoto: Casa Comum

Foi professor no Seminário de Almada no dos Olivais e em 1956 foi nomeado pároco de Santa Maria de Belém, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais.

O cardeal Cerejeira moveu-lhe um processo eclesiástico após uma comunicação que proferiu no Conselho Paroquial a 19 de abril de 1968, em que, entre outros assuntos, defendeu uma profunda renovação da Igreja e das suas estruturas hierárquicas, então maioritariamente coniventes com a ditadura, nomeadamente quanto à guerra nas colónias, a censura da imprensa, as torturas e os degredos, o aniquilamento da oposição e a supressão de direitos civis.

FotoImagem: Casa Comum

Em novembro de 1968 foi afastado das funções de pároco, suspenso do ministério sacerdotal.

Após o afastamento da paróquia, tornou-se no grande impulsionador, em conjunto com Nuno Teotónio Pereira e o padre Abílio Tavares Cardoso, da publicação dos "Cadernos GEDOC" (1969-1970), que abordavam criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial.

A PIDE instaurou um processo aos responsáveis da publicação, de que resultará a prisão de Felicidade Alves em 19 de maio de 1970, por «atividades contrárias à segurança do Estado».

FotoImagem: Casa Comum

Em 1969 editou a obra “Católicos e Política”, na qual coligiu documentos sobre as relações entre os católicos, a Igreja e o Estado, desde a campanha do general Humberto Delgado, em 1958, até à chegada ao poder de Marcello Caetano.

A 1 de agosto de 1970 casou-se civilmente com Maria Elisete. Depois da deposição do regime ditatorial e da mudança para a democracia, obtida na sequência da revolução de 25 de abril de 1974, Felicidade Alves adere ao Partido Comunista Português (PCP), onde se manteve até morrer.

FotoImagem: Casa Comum

Prosseguiu a produção literária, com estudos de natureza teológica, pastoral e histórica. Em 1994, a 10 de junho (Dia de Portugal), foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade por Mário Soares, então presidente da República.

A 10 de junho de 1998 o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo celebra o sacramento do matrimónio de Elisete Alves e José Felicidade Alves, que viria a morrer quatro meses depois, a 14 de dezembro, com 73 anos.

FotoCondecoração de José da Felicidade Alves com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República Mário Soares (10.6.1994). Foto: Casa Comum

 

FotoCelebração do casamento canónico de Felicidade Alves por D. José Policarpo (10.6.1998). Foto: Casa Comum

 

FotoCelebração do casamento canónico de Felicidade Alves por D. José Policarpo (10.6.1998). Foto: Casa Comum

 

FotoCasamento canónico de Felicidade Alves por D. José Policarpo (10.6.1998). Foto: Casa Comum

 

Fontes (texto e imagens): www.casacomum.org
Redação: Rui Jorge Martins
11.03.14

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Foto
Padre Felicidade Alves
Foto: Casa Comum

 

 

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